OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

sábado, 16 de janeiro de 2016

PRECONCEITO SOCIAL



Chamamos de preconceito social aquelas atitudes e juízos desfavoráveis que estão presentes no cotidiano e que estão relacionados com as classes sociais e o padrão de vida das pessoas.


Segundo Karl Marx (filósofo alemão), o mundo capitalista está dividido em dois grupos principais: a burguesia e o proletariado. Nas sociedades, um dos grupos é o “dominante”, enquanto o outro é o “dominado”. E segundo Marx, essa divisão sempre gera uma disputa entre as classes.


O status social é motivo da disputa, pois é ele quem define a posição dos indivíduos na estrutura social. E essa posição é quem origina o preconceito. 

O preconceito social é um tipo de pensamento, diga-se em nome da verdade, sem qualquer fundamento razoável. No entanto, gera juízos desfavoráveis e generalizados sobre as pessoas, suas atitudes, sobre os traços de personalidade ou da moral da classe com quem há a disputa.

O primeiro pensamento é o de que as pessoas ricas são “superiores”. Seja porque tenham um poder aquisitivo maior ou por possuírem muitos bens materiais. Mas também pode ser o contrário: o de que os pobres são “inferiores” por não possuírem nenhum, nem outro. Sabe-se, no entanto que, nenhum ser humano é “superior ou inferior” a outro. 


O segundo pensamento é o de que as pessoas pobres não conseguem melhorar seu status e conquistar bens porque são mais “preguiçosas” e “pouco trabalhadoras”. O que não é bem assim. Muitas pessoas trabalham incansavelmente e obtém alguns bens com muito esforço, todo mundo sabe disso. Por outro lado, há que considere os ricos como pessoas que fazem qualquer coisa (incluindo as desonestas) para manterem seu status e suas riquezas. O que não é verdade para uma grande maioria. No entanto, nessa disputa de classe o negócio é generalizar, botar todo mundo no mesmo barco.

Em todas as classes há pessoas boas, honestas, perseverantes e esforçadas da mesma forma como há os preguiçosos, os acomodados, os desonestos, corruptos e corruptores. Depende de cada um e não da classe a que pertence. Há ainda que admire pessoas da classe social oposta. Há gente muito rica que se surpreendem e admiram a forma com os pobres conseguem sobreviver com tão pouco, assim como há pobres que se admiram e se espelham no esforço e na perseverança dos mais abastados, tendo-os como exemplos a serem seguidos. 



E em meio a toda essa disputa dos extremos, como fica a classe média (ou intermediária) que se situa entre ricos e pobres? Será que está livre da disputa? 

Nada disso. E nesta disputa de classes onde o status é o ponto chave, sobra preconceito para ela também. Muitas pessoas da classe pobre os acham submissos ou bajuladores dos ricos, enquanto que estes, os acham pessoas dignas e esforçadas que querem melhora seu status. E como se vê, o nível socioeconômico pode gerar bons e maus julgamentos, tudo depende o quanto a pessoa ou grupo que pensa e julga de maneira desfavorável está ressentida por não pertencer á classe que é alvo dos seus comentários.

Invariavelmente, todo preconceito gera a intolerância. Os ataques orais ou físicos são justificados como forma de defesa ou porque culpam seu infortúnio baseados nas parcas oportunidades de instrução, do baixo nível de renda, no desemprego, na ausência de bens, na falta de acesso a uma qualidade de vida melhor.

E a intolerância traz consigo outros problemas sociais decorrentes do aumento da criminalidade e violência pela inveja do que os outros possuem ou do orgulho exacerbado por ser e ter mais e melhor que o outro. Surgem os oportunistas que corrompem e os que aceitam ser corrompidos. Surgem os corruptores e os corrompidos. 


Todos os preconceituosos sociais são como “rolos compressores”. Sobrevivem passando por cima dos demais sem a menor preocupação para conseguirem uma boa posição social ou para conseguirem riqueza e poder sem o menor esforço.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

ETNOCENTRISMO

O etnocentrismo é um dos mais complexos dentre os preconceitos. Primeiro, porque não existem culturas perfeitas. Em cada uma existem coisas boas e coisas ruins. Segundo, porque elementos intelectuais, racionais, emotivos e afetivos estão intrinsecamente ligados à cultura. Esses elementos configuram-se como integrantes do espírito humano, levando o sujeito a pensar, sentir e agir de acordo com a cultura a que pertence. Terceiro, porque cada indivíduo tem esses padrões fortemente arraigados em si, ou seja, está acostumado com os padrões, os segue com a convicção de que são benéficos para si e para seus compatriotas e sente-se seguro e feliz ao cumpri-los. Por isso, o etnocentrismo está presente em todas as culturas, em todas as épocas e pode ser observado a qualquer momento.

É um preconceito complexo porque também pode ser confundido com outros dois: o racismo e o preconceito social. Outras vezes, passa despercebido porque se confunde com “patriotismo”. E não há nada de mau em ser patriota. O ruim é quando esse patriotismo se torna exagerado e se compara uma cultura com outra, elevando mais uma, enquanto se deprecia a outra.

Para que se possa compreender bem o significado do etnocentrismo é preciso entender o significado desse vocábulo: “etnos” é um termo de origem grega que significa nação, etnia, cultura ou sociedade; e “centrismo” significa centro. Assim, quando se toma uma cultura (nação, etnia, sociedade) como centro de importância e desvalorizamos pejorativamente, de modo desrespeitoso e intolerante todas as outras ou uma em particular, o preconceito está instalado e pode ser praticado por uma única pessoa ou por um grupo delas.

Na Índia, a vaca é um animal sagrado. Daí a reverência.
Esse preconceito surge por falta de conhecimento dos padrões e hábitos culturais da(s) sociedade(s) que está (ou estão) sendo comparada(s) e julgadas. Mas ainda, são as justificativas resultantes dessa comparação que definem se é preconceito ou não. É preconceito quando as justificativas estão baseadas no fator biológico como critério de superioridade. Por exemplo: como quando Hitler dizia que a raça ariana era superior a todas as outras raças. A saber, Hitler era etnocêntrico e racista, por isso, ele acreditava ser importante que todas as raças fossem extirpadas para que a raça ariana pudesse sobreviver. E começou o extermínio pelos judeus.

O patriotismo exagerado sempre leva a uma conduta extremada: desvalorização na comparação, desrespeito no julgamento, atitudes intolerantes diante das diferenças culturais, atitudes absurdas e, muitas vezes, deprimentes, imorais, radicais e xenofóbicas.
Mas o etnocentrismo também pode aparecer dentro de uma mesma nação, cultura ou sociedade quando esta é formada por várias culturas diferentes. Como a nossa, por exemplo, que é formada por europeus, africanos e indígenas. Quando se desprestigia a cultura africana ou a indígena estamos praticando o etnocentrismo. O mesmo acontece quando valorizamos a cultura do sul ou do sudeste brasileiro rebaixando a cultura nordestina ou a nortista.


Somos todos filhos da pátria brasileira. Um país de grande riqueza cultural e de belas e singulares tradições regionais. Um país singular do qual nos orgulhamos. Somos um povo miscigenado onde os preconceitos não deviam ter razões para acontecer e não deveria haver lugar para as discriminações. Mas que, infelizmente, ainda existem por parte de alguns poucos.


domingo, 3 de janeiro de 2016

HOMOFOBIA

Homofobia é o termo dado ao preconceito contra os homossexuais, lésbicas, bissexuais e transexuais. Caracteriza-se por uma aversão irresistível, incontrolável, repugnância, medo ou ódio contra essas pessoas.

Geralmente, os homofóbicos são pessoas que ainda não definiram completamente sua identidade sexual que por medo, dúvidas e revolta transferem estes sentimentos contra aqueles que já se decidiram e assumiram sua sexualidade.

As causas da homofobia são várias. No entanto, as que mais pesam na balança de nossas consciências são: as culturais e as religiosas. Assim, em países cuja religião exerce uma força maior sobre a cultura, a tendência homofóbica é maior chegando, muitas vezes, aos radicalismos. Em pleno século XXI, há países que ainda aplicam a pena de morte para quem se assume como homossexual. Mas ainda assim, há grupos de pessoas que os tentam defender ou os encaram com maior naturalidade.


Em outros casos, a homofobia parte do próprio homossexual. Seja porque ainda está na fase de negação de sua identidade sexual ou porque ainda não conseguiu “sair do armário” totalmente pressionados pela cultura ou pela religião. Muitos deles, contraem casamentos heteros, constituem famílias com filhos e não se assumem como homossexuais. O medo de que sejam descobertos torna suas vidas num verdadeiro “inferno”.

A homofobia não é um preconceito regional, mas ocorre no mundo inteiro. Nessa intolerância ou aversão, negam a humanidade, a dignidade e o direito do outro de viver de acordo com sua identidade sexual. 


A homofobia é CRIME no mundo inteiro. Desde 1991, a discriminação e as atitudes preconceituosas contra os homossexuais é considerada como violação dos direitos humanos pela ANISTIA INTERNACIONAL e pela ONU (Organização das Nações Unidas) que extingue a homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados com a Saúde (CID 10) e da Organização Mundial de Saúde (OMS).

No Brasil, a nossa Constituição prevê no artigo 3º, item IV indica que um dos objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil é "promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação." 

Embora este artigo não cite especificamente a homofobia como uma quebra da lei constitucional, ela está inclusa para qualquer “bom entendedor”. Mas, todo aquele que achar que não está incluso neste artigo porque não está escrito, é bom saber que a homofobia é sim uma forma de discriminação, e aí a lei é clara e está escrito. Então, poderá ser punido com o rigor da lei.


São atitudes discriminatórias: bullying, difamação, injúrias verbais, gestuais ou mímicas, gestos obscenos óbvios e outras formas mais sutis e disfarçadas como a descortesia, de cordialidade, antipatia no convívio social, insinuações, ironias e sarcasmos contra a honra e a dignidade da pessoa homossexual. 


Grupos homofóbicos do mundo inteiro agem contra os homossexuais usando certos códigos como assovios, cantos e bater palmas num determinado ritmo (em alto e bom som ou na surdina), isoladamente ou na presença de terceiros visando criar uma situação de humilhação, intimidação ou de diminuição a pessoa. Todas estas formas são consideradas discriminatórias e, por aqui, também ferem o artigo constitucional citado acima. Já para atitudes mais agressivas e que causam morte, a polícia e justiça se encarregarão de investigar e punir de acordo com a lei.


Em 2011, o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou e em 2013, regulamentou o casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, garantindo os mesmos direitos e deveres legais de um casal hetero, a mudança do sobrenome e a participação na herança do cônjuge. A cerimônia poderá ser realizada em qualquer cartório civil do território nacional. Se por ventura, o cartório se negar a realizar a cerimônia, sofrerá as sanções da lei. 

Outro Projeto de Lei da Câmara Federal Nº 122/06 (PLC 122) pretende alterar a atual lei 7.716. Essa alteração visa criminalizar toda e qualquer atitude discriminatória ou preconceituosa baseada na orientação sexual ou na identidade de gênero da pessoa discriminada. Se esta lei for aprovada e alterada, outras atitudes discriminatórias e preconceituosas (de etnia, cor da pele, religião e origem de nascimento) serão igualmente beneficiadas.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

MAIS UM ANO VEM CHEGANDO!


A incansável rotina dos dias faz com que um suceda o outro. Com os anos, as décadas e os séculos acontece da mesma forma.  Cada ano deixa sua marca.

 Com 2015 não foi diferente. Um ano difícil e complicado, mas que, enfim, está chegando ao final. Que leve com ele as dores, tristezas, decepções, amarguras e tragédias.

Que 2016 traga a felicidade, a alegria, a paz e a harmonia. que seja um ano cheio de esperanças e realizações. Que em nossos corações haja muito amor e em nossas mentes haja sabedoria para derrotarmos todo e qualquer desafio com que possamos nos deparar. Que nossa força, otimismo e vontade sejam fortes os suficiente para mantermos o otimismo.

Este é o meu desejo a todos vocês.


segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

RACISMO


O RACISMO é um dos muitos preconceitos que parece ter ganho mais fôlego nos últimos anos e em todo o mundo.

O racismo não é um preconceito novo. Tudo começou lá atrás, na Idade Antiga da história da humanidade. Cada povo escolhia a forma de cultura que queriam se dedicar. Os povos que se dedicam a agricultura e a domesticação de animais eram mais pacíficos, enquanto outros, encontravam nas guerras sua razão de viver. Eram agressivos e violentos, invadindo o território dos pacíficos de surpresa, queimavam tudo e matavam quase toda a população. 


Os sobreviventes eram tomados como escravos. Sem aviso e sem poderem se prepararem para a guerra (ou invasão) os povos pacíficos eram conquistados facilmente e tidos como povos fracos. Com as conquistas, os povos invasores aumentavam seus domínios e riquezas. E se orgulhavam de seus feitos. Um exemplo de povo dominador foram os romanos que tiveram seus domínios mais da metade do mundo conhecido da época.

Um exemplo mais recente, e que parece que muita gente esqueceu dos seus efeitos, foi o da Segunda Guerra Mundial. Em 1939, Adolf Hitler acreditava que somente a raça ariana era pura e perfeita. Em sua mente doentia, cismou que precisava limpar o mundo dos impuros. Escolheu os judeus que viviam na Alemanha. 

 


Imagens fortes? É isto que o racismo gera.

Hitler influenciou a população alemã a vê-los como uma praga que precisava ser extinta. Despojou os judeus de seus bens particulares, prendeu-os, fizeram experiências científicas, mutilou muitos e matou milhares nas câmaras de gás e nos campos de concentração. Não contente com isso, invadiu outros países europeus e fez o mesmo. A loucura de Hitler não tinha limites e se espalhava sobre seus comandados, principalmente os de SS.

O racismo é um tipo de preconceito horrível, por que julga as pessoas como inferiores e acreditam que fazendo-as sofrer com palavras ou ações, estão provando a sua própria superioridade.


Ledo engano. Ninguém escolhe a cor da pele, a família, cidade, país ou o continente onde iremos viver, quando nascemos. Apenas acontece. Todos podemos ser ótimos companheiros de trabalho, amigos fiéis, simpáticos, amorosos, inteligentes e tantas outras coisas que podem fazer valer a pena conhecê-las. A cor da pele, a família, o local do nascimento é apenas um detalhe tão pequeno que não deveria ser levado em conta, nem incomodar ninguém. No entanto, se incomodar, que fique para si. As outras pessoas não precisam ficar mais indignadas com atitudes eu revelam esse preconceito.

Há alguns anos atrás, atearam fogo num índio que dormia numa praça em Brasília. Recentemente, nos campos de futebol, investida sobre jogadores negros chamando-os de “macacos”. Mais recentemente, atrizes e atores da televisão tem sido as vítimas deste preconceito através das redes sociais.


Como ser racista num país miscigenado como o nosso? Que a cada dia fica mais moreno que branco? E outra coisa: quem perde tempo ficando incomodado com a cor da pele do outro, ou escrevendo xingamentos ou emitindo mensagens ofensivas sobre eles, mostra que não tem coisas importantes a fazer na vida. Que vá estudar mais, se informar melhor ou procurar algo melhor a fazer. Porque enquanto isso, os xingados estão trabalhando para divertir, levar arte e cultura e contribuindo positivamente para construir o país que queremos ter.


Senhores pais e professores, vamos ensinar nossas crianças e jovens a respeitarem os outros. Só assim, teremos um mundo melhor e mais justo.

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

COMO SURGEM OS PRECONCEITOS?

Nossa sociedade convive há séculos com muitos preconceitos. E existem vários tipos: raciais ou étnicos, religiosos, econômicos, culturais, sexual, dentre tantos outros. Nenhum tipo de preconceito é bom.


As ciências nos dizem que ninguém nasce preconceituoso, assim como ninguém nasce mau. E podemos observar essa afirmação na prática quando observamos as crianças pequenas tratarem com respeito, carinho, solidariedade e, muitas vezes, com a admiração pelo amigo negro, pobre, estrangeiro ou deficiente.

O preconceito é algo que se aprende. Vem do exemplo dos adultos e imitados pelas crianças nos primeiros seis anos de vida. Vejamos algumas situações fictícias, mas vistas por aí nesse mundão de Meu Deus.


João sempre brincava com Tião, um negrinho retinto, educado, esperto e muito falante. João era mais tímido, pouco falante e pouco esperto devido aos cuidados excessivos que recebia dos pais. João admirava as qualidades de Tião. Um dia, o avô de João veio visitar a família e viu os dois garotos brincando animadamente. Num momento a sós, o avô colocou João ao colo e disse: “Filho, evite brincar com esse garoto. Ele pode querer roubar seus brinquedos”. João ouviu atentamente, mas não entendeu aquela conversa. Mas uma coisa ficou martelando em sua cabecinha: “roubar os brinquedos”.


Pedro estudava numa escola inclusiva e sempre ajudava um amigo deficiente intelectual. Pedro falava muito sobre o amigo em casa e a família estimulava a amizade. Porém, ser deficiente era, para o pequeno Pedro, um detalhe tão insignificante que esquecia de comentar. Numa reunião escolar em que a mãe de Pedro compareceu, conheceu o tal amigo. E ficou muito chocada. Ao chegarem em casa teve uma longa conversa com o filho e terminou dizendo que Pedro deveria se afastar do amigo para não pegar a doença dele.

Joana tinha uma amiga asiática. A amiga viera numa leva de imigração e tinha costumes bem diferentes dos de Joana. Um dia, Joana a convidou para brincarem em sua casa. Após a brincadeira, a família desfiou um rosário de argumentos sobre as diferenças culturais, sociais e religiosas que justificavam, segundo eles, o afastamento de ambas.

Mesmo sem compreenderem os motivos pelos quais deveriam se afastar dos amigos, o afastamento aconteceu porque eram crianças obedientes. Sentiram saudades e falta dos amigos é claro. Mas obedeceram. Mas algumas expressões ditas nas conversas com os pais, martelavam suas cabecinhas. Não queriam ser roubados, nem ficar doentes, nem criar problemas. E sentem medo.um medo muito forte.

Crianças pequenas vivem num mundo diferente do mundo adulto. Num mundo onde as fantasias são mais importantes que a realidade. E para consolar a perda da amizade, inventavam coisas horrorosas sobre os amigos. O medo aumenta e incomoda.

Embora sejam crianças pequenas e ainda não saibam expressar coisas que sentem com facilidade, não são bobas. Ao contrário, são muito mais observadores e nesse quesito, batem de longe os adultos. As atitudes dos adultos são o alvo das observações infantis. Se ouvem os adultos xingarem, esbravejarem, resmungarem os imitam. E pais preconceituosos são exímios nessa ação. E se os adultos podem, elas não podem também.


A imitação é outra maneira de aprender no mundo infantil. E em pouco tempo, estão xingando, gritando, esbravejando e ofendendo os amiguinhos. E quando o amigo chora, recua ou fica triste, um sentimento de poder se apodera do agressor verbal.

O tempo passou e todos cresceram. João, Pedro e Joana são agora pré-adolescentes. Época de viver em grupo. E cada grupo sempre tem alguém que lidera os demais. Os personagens de nossa história lideram seus grupos. Mas, não são líderes positivos. Vivem promovendo confusões e arrumando brigas. O desrespeito verbal para com os colegas é sempre o ápice de qualquer confusão. E o grupo os apoia.

O apoio do grupo reforça a sensação de prazer em humilhar os outros. Por isso, todos os dias escolhem um para receber suas ofensas e brincadeiras de mau gosto. A humilhação do outro é sempre uma fonte de prazer e aplaca o medo que sentem desde pequenos. Mas o prazer é passageiro e logo, o medo volta a incomodar.

Toda liderança positiva ou negativa tem uma forte relação com o poder.  Mais ainda se a liderança é negativa. Sentir-se poderoso sobre o outro torna-se um recurso para diminuir o medo que tanto os incomoda. Por isso, se auto intitulam os “bam-bam-bans” do grupo. Sua palavra é lei. Subjugar os próprios companheiros às suas ordens é outra fonte de prazer. E o grupo se transformam em verdadeiras gangs.


Com o tempo, as ofensas verbais perdem o interesse e já não funcionam tão bem quanto antes. É preciso algo a mais para que o líder mantenha o seu status de valentão e continue sendo respeitado pelos outros membros. E se transformam em agressões físicas como forma de subjugar um desafeto.


O prazer em ver o outro caído e machucado é mais forte e o líder ganha mais prestígio. Agora, os comentários atuam como reforço. Mas também são passageiros e o medo que continua incomodando se transforma em ódio. A cor da pele, a nacionalidade, as diferenças físicas, a inteligência ou a falta dela, o sucesso ou a popularidade do outro soam como ameaça velada e implacável, que precisa ser destruída a todo custo. E os requintes de perversidade começam a aparecer. Por isso, o prazer e o poder se transformam em lesões corporais graves e assassinatos.


quinta-feira, 5 de novembro de 2015

QUANDO ALGO INCOMODA...

Quando algo nos incomoda é sinal que está na hora de fazermos alguma coisa. E é o que estou fazendo da maneira que sei e que posso fazer, alertando sobre um assunto que parece ter virado moda nestes últimos tempos: o PRECONCEITO.

O termo “preconceito” tem origem no latim e é formado por duas outras palavras: PRÉ, cujo significado é “o que vem antes” e CONCEITO, que significa “um pensamento, um entendimento, ou compreensão” de algo. Quando se juntam passa a significar “uma ideia anterior a algum fato”.

Tornando isto mais claro, é o mesmo que acontece com uma criança que, mesmo sem ter experimentado uma comida, afirma detestá-la. Se a forçamos comer, ela grita, xinga, empurra o prato e, muitas vezes, o atira ao chão.

Existem várias formas de preconceito: contra as diferentes raças, religiões, as linguagens regionais, da cultura, das formas de viver em sociedade, de gênero (homens e mulheres), das opções sexuais, das diferenças econômicas, das tecnológicas, da aparência pessoal.


Ninguém nasce preconceituoso, mas aprende a ser ouvindo os julgamentos dos adultos (familiares, professores, líderes religiosos ou estranhos) no meio em que vive.  Muita gente não gosta quando a família é a causa de muitos problemas sociais e comportamentais. Tomemos como exemplo uma família fictícia, cujo pai sempre chama a esposa de “vagabunda” (termo que, por aqui, é o mais baixo e humilhante dito a uma mulher) e a trata como tal (preconceito de gênero). Os filhos (em desenvolvimento) assistem a essa cena diariamente e vão assimilando que as mulheres são assim e devem ser tratadas desse jeito E quando ficam adultos, agirão segundo o exemplo desse pai.

O que está acontecendo no mundo de hoje, é que as famílias estão esquecendo de ensinar valores para os filhos, como o respeito aos semelhantes e suas diferenças que existem (de ser, de pensar e de agir). Preocupam-se em fazer-lhes as vontades, em presentear com objetos caros, em dar-lhes uma vida melhor. Coisas que exigem dos pais mais sacrifícios e lhes falta tempo, disposição, ânimo e presença, o que é mais precioso para as crianças.



Toda pessoa preconceituosa se acha dono da verdade. Só ele sabe, pensa ou faz o que é certo sobre algo. E não admite que as outras pessoas pensem ou se comportem de modo diferente. Por não ter uma razão justa e por não conseguir justificar esses pensamentos os expressam por meio da ação verbal ou de comportamento.

A principal intensão do preconceituoso é diminuir o valor do seu desafeto. E para isso se vale de alguns recursos: a humilhação (pessoal ou pública) é o seu favorito. Agem com apelidos desmoralizantes, xingamentos, injúrias, difamação pública. Quando, apesar de todo seu empenho, estes recursos não surtem o efeito desejado, parte para recursos mais extremos: as agressões físicas, as armadilhas ou emboscadas e, finalmente, a morte do desafeto. O objetivo agora é “tirar do caminho”.


Todo preconceituoso é covarde. Ele não tem coragem de agir sozinho. Por isso, vivem em bandos que compartilham a mesma ideia. O líder é aquele atingiu um estágio mais avançado de crueldade. Ou se esconde na multidão, como no caso do goleiro que sofreu “preconceito de raça”. E, ultimamente, estão utilizando um outro meio: as redes sociais. O anonimato é o grande aliado do preconceituoso.


Concluindo, toda e qualquer opinião ou sentimento apressado e sem uma reflexão racional fazendo com que haja uma ação hostil contra alguma coisa ou alguém, é considerado “preconceito”. Agir preconceituosamente é CRIME.