Quando
se pensa nas capacidades dos deficientes intelectuais, a primeira pergunta que
fazemos é: Ele(a) vai aprender? E, evidentemente, nos referimos às
aprendizagens escolares.
As
aprendizagens não se dão apenas na escola. Quando um deficiente intelectual
gravíssimo (anencefalia, vegetativos e outros) se movimenta na cama, tem sua
cabeça bem sustentada pelo pescoço, quando se comunica de alguma maneira
(olhar, gestos ou balbucios) com os familiares, quando senta ou anda já
realizou aprendizagens bastante significativas para o estado em que se
encontra.
Os
deficientes intelectuais com gravidade de moderada a grave sentam, andam,
aprendem a falar, alimentam-se sozinhos mesmo que tenha alguma dificuldade,
aprendem a comportar-se nos diversos ambientes, aprendem normas e limites, os
valores e tradições familiares, se isto lhes forem ensinados. Estes, com
algumas dificuldades podem receber as informações dadas pela escola, desde que
se estabeleça um currículo e um atendimento especial.
Já
os deficientes intelectuais de gravidade leve podem aprender tudo o que lhes
for ensinado, tanto no seio familiar quanto na escola. Mas é preciso lembrar
que levam mais tempo do que os não deficientes. Isto porque eles possuem um
cérebro que funciona mais lento que o normal, razão pela qual as repetições são
mais necessárias e importantíssimas. E podem e devem trabalhar quando se
tornarem jovens e adultos adquirindo sua própria autonomia.
A
ideia de incompetência e de incapacidade com relação aos deficientes
intelectuais vem do medo e dos preconceitos que insistimos em manter vivos em
nossos pensamentos. Portanto, não são incompetentes, nem incapacitados. Ao
contrário, quando estão diante de uma tarefa são dedicados, caprichosos e
atentos a minúcias. A paciência é fruto das aprendizagens diante das
dificuldades que encontraram pelo caminho. As repetições são uma rotina. Por
isso, ao desempenharem uma tarefa o fazem com eficiência.
Outro
mito é a ideia de que os deficientes intelectuais aprendem até um certo limite
de tempo. Toda pessoa, deficiente intelectual ou não, fica limitada em suas
aprendizagens quando não lhes forem dadas as oportunidades para que as
aprendizagens aconteçam. No entanto, um deficiente intelectual pode e deve
aprender tudo o que lhe for possível em termos de acesso, incluindo as
abstrações. Porém aos poucos, fixando bem cada conteúdo. E uma vez aprendido, jamais
é esquecido.
Um
outro mito é o de considerar que os deficientes intelectuais só se sentem bem
com seus iguais. Mentira. Se limitarmos seu convívio eles não evoluem. Por isso,
a lei da inclusão e, principalmente a da inserção, são extremamente benéficas. Quanto
mais conviverem com pessoas não deficientes, mais aprenderão e evoluirão em
termos de conhecimentos. Portanto, a interação social é extremamente
importante.

Outro
mito é a crença de que os deficientes intelectuais se contentam com qualquer
coisa. Mentira. Eles também sonham em realizar coisas. Ás vezes, são sonhos
simples como o de trabalhar numa empresa, de dançar, ou de pintar. Outras
vezes, seus sonhos são mais audaciosos como por exemplo, o de montar um negócio
ou de graduar-se numa faculdade. E por que não? Para isto, basta que tenham uma
ajuda eficaz da família e/ou da Universidade. Ter essa ajuda não quer dizer que
passem sem saber ou que ganhem nota pela simpatia que despertam. Mas, uma ajuda
eficiente para que realmente aprendam. São pessoas como qualquer outra.
Achar que todo deficiente tem que ser
bonzinho e submisso às vontades alheias é outro mito. Como as demais pessoas,
os deficientes refletem o ambiente em que vivem. São bruscos, arredios e
agressivos quando vivem em ambiente de desamor, de injustiça e de violência.
São amorosos, cordiais, educados quando vivem em ambientes em que essas
qualidades são valorizadas. Mas, são francos e muito sinceros. Quando não
gostam (ou não concordam) de alguma coisa, falam o que pensam e o que sentem
sem rodeios. Eles não possuem aquela hipocrisia social costumeira de “falar
aquilo que o outro quer ouvir” ou de “mentir para bajular”. Por isso, muitas
vezes, são chamados de grosseiros e mal-educados.

Por isso, não sejamos super-protetores dos deficientes intelectuais. Isto
faz com que se tornem cada vez mais dependentes dos adultos. Não proteger
demais não quer dizer que não continuar a amá-los e a respeitá-los. Mas sim, que
devemos tratá-los com a dignidade que merecem, deixando com que tomem suas
próprias iniciativas, que lutem pelo que desejam e que enfrentem os desafios
que se apresentarem, como qualquer outra pessoa.
Ser deficiente não é defeito. É uma condição prolongada. Por isso,
devemos educa-los para a vida e para a autonomia.