OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

OS REFLEXOS DA MISOGINIA (cont).

5- O PATER FAMÍLIAS

Um novo código governamental fez com que as mulheres tivessem um novo golpe em sua liberdade: o PATER FAMÍLIAS. Por esse código, os homens se tornavam definitivamente o “chefe do lar”.

De modo simplificado, ser o “chefe do lar” significava que as mulheres e filhos passavam a ser propriedade dos pais ou dos maridos e que eles tinham pleno poder sobre a vida ou a morte das mulheres e dos filhos, caso cometessem uma falta grave.

O pater famílias também aumentou a idade da maioridade dos filhos de de 17 para 25 anos. Com esse aumento da maioridade, os filhos e filhas ficavam mais tempo sob a influência dos pais.

O pai ou os maridos administravam tudo (do andamento da casa, da educação e dos bens familiares), cabendo às esposas a obediência das ordens do marido.

No século XVI, em 1593, por um DECRETO DO PARLAMENTO FRANCÊS, as mulheres francesas perderam o direito opinar, de dirigir negócios ou instituições e de participar da política local. Como obrigações sociais, as mulheres voltavam a condição de serviçais dos maridos, da casa e dos filhos. Vale lembrar que naquela época, o que acontecia num país era copiado por todos os outros países.

6-  A MEDICINA

A Medicina também contribuiu para a desvalorização das mulheres. Ao longo dos tempos, sempre houve quem cuidasse dos doentes, que conhecessem ervas naturais que agiam como remédios etc.


Qualquer doença, mesmo as mais simples como uma febre ou dor de garganta, era curada com as famosas “sangrias”, ou seja, deixava-se o sangue escorrer do corpo por meio de um corpo numa das veias do braço. Isto porque os conhecimentos sobre os corpos humanos e de alguns sintomas eram muito pequenos. Conhecia-se pouco o corpo humano por dentro. E os estudos feitos até então, eram realizados com cadáveres. Portanto, não conheciam o funcionamento dos órgãos. E somente eram permitidas as dissecações em corpos masculinos, retratados pinturas de pintores  famosos.

 Portanto, não conheciam os corpos ou os órgãos femininos. Tanto a Medicina como a Igreja acreditavam que os corpos femininos eram obscuros, enigmáticos e cheios de mistérios no qual Deus e o Diabo tentavam conquistá-lo. Daí ,a proibição da dissecação.

Do corpo feminino, os médicos conheciam apenas a “madre”, nome dado ao órgão que gerava a vida humana, ou seja, ao útero (como é conhecido hoje). Para eles, a madre era um receptáculo sagrado com a função da procriação. Um lugar onde Deus fazia frutificar a vida que o homem colocava na mulher. No entanto, por serem frágeis e vulneráveis às ações demoníacas e por não poderem gerar sem a participação do homem, as mulheres estavam sujeitas a várias doenças como a angústia, a histeria, a loucura, a ninfomania.


7- A HERESIA

No final da Idade Média Clássica e na etapa seguinte, a Igreja Medieval se reergueu novamente e se firmou como uma grande e influente instituição. A autoridade do Papa e de seus representantes voltou a ser indiscutível e suas decisões eram aceitas, apoiadas e rapidamente aplicadas pela sociedade masculina. 

Arquitetonicamente, as Igrejas Medievais eram belíssimas. Por dentro, enfeites nas paredes e altares, candelabros e instrumentos religiosos feitos em ouro maciço. Pura ostentação de seu poder. 

Assim como a misoginia nada tinha a ver com as práticas religiosas ou da doutrina cristã, o reerguimento da Igreja também não tinha. O motivo dessa “volta por cima” da Igreja estava baseado nos interesses particulares dos membros da Igreja, que era o de conseguir o maior número de terras e riquezas possíveis. E para isso, precisavam arrebanhar e influenciar o maior número de pessoas que colaborassem nessa conquista, por meio de doação de privilégios.

Mas, mesmo com toda a diplomacia do clero, uma parte da população arrebanhada, passou a desconfiar e a discutir os propósitos pelos quais a Igreja ficava cada vez mais rica, enquanto a população ficava cada vez mais pobre. A população vivia de modo miserável mesmo.

A Igreja percebeu isso e passou a usar uma prática chamada HERESIA, ou seja, é quando uma pessoa (ou um grupo) expressa uma ideia contrária sobre a doutrina. Mas não era isso que estava acontecendo. As pessoas não estavam contra a doutrina, mas a forma como a Igreja vinha acumulando suas riquezas.

Para evitar que o povo não se manifestasse contra o que a Igreja estava fazendo, os chefes da Igreja mandavam prender essas pessoas. As cadeias estavam ficando lotadas e as pessoas continuavam criticando. Sinal que somente a prisão não estava surtindo efeito. Os padres então permitiram que os presos fossem torturados para servir de lição aos outros. Depois os soltavam. Mas também não resolveu.

Era preciso uma atitude decisiva, que impusesse medo e respeito indiscutível à Igreja. Então, o Papa e seus representantes resolveram criar uma espécie de tribunal para julgar esses casos. E esse tribunal foi chamado de “Santa Inquisição”.


Esse tribunal, formado por bispos, arcebispos e duas ou três pessoas influentes da Igreja (claro), que percorreria toda a Europa quando alguém era denunciado e sua função era a de investigar, julgar e punir os culpados.

Mas não era isso o que ocorria. Mesmo se declarando inocência e explicando com todas as letras os motivos pelos quais não deviam estar presos, as palavras do preso eram deturpadas ou modificadas a favor da Igreja. Isto quando o sujeito tinha a chance de se explicar.

Algumas das muitas formas de tortura aplicadas aos hereges.



Muitos sofreram tantas torturas que confessavam qualquer coisa, apenas para se livrarem das dores. Outros tantos, mesmo confessando-se inocentes eram julgados porque inventavam provas ou por qualquer outra coisa. Ninguém saia livre desse tribunal. E a punição era sempre o confisco dos bens e a morte do denunciado.
E desta vez, o povo ficou com medo. Claro, não é mesmo? E as práticas da heresia continuavam fazendo novas vítimas, agora, como norma da Igreja.


Essa prática chegou a tal ponto, que bastava um pequeno deslize (por exemplo, fazer um chá de uma erva desconhecida pela maioria e dada a um doente) ou uma conduta incompreendida (como dar de comer ou recolher um gato preto ou tê-los como animais de estimação) para que homens e mulheres fossem denunciados hereges por familiares, vizinhos ou pessoas amigas. 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

OS REFLEXOS DA MISOGINIA

Após a Igreja ter espalhado o falso documento religioso sobre como as mulheres deviam ser vistas, a população masculina ficou muito satisfeita. O sentimento de serem “seres perfeitos”, obras-primas da natureza criada por Deus, subiu à cabeça da população masculina da época.  E o que antes já não era bom para as mulheres, ficou ainda pior.

Os governos machistas criaram uma nova lei de conduta: o CORPUS JURIS CIVILIS ou CÓDIGO JUSTINIANO I. Essa lei modificou toda a estrutura social da Idade Média. E, logicamente, as mais afetadas por essa lei foram as mulheres, pois restringia a liberdade feminina ainda mais, fazendo com que as mulheres perdessem novamente seu espaço na sociedade. Em contrapartida, aumentava os direitos dos homens. Na verdade, essa lei foi uma volta ao tempo dos romanos que viam as mulheres como um “nada”, e que serviam apenas para cuidar da casa e satisfazer os desejos sexuais dos maridos.

 Essa lei trouxe várias consequências:

1- NO AMBIENTE FAMILIAR

Embora todas as mulheres fossem atingidas ela misoginia, havia diferenças no comportamento familiar da elite e da plebe.


A elite ainda mantinha certos privilégios. O seleto grupo doméstico fazia questão de marcar a separação entre homens e mulheres. Os encontros entre eles tinham uma única finalidade: a procriação. Haviam outros encontros no ambiente, mas com propósitos diferentes (festejar datas religiosas ou do reino).

Com essa lei, os homens encontravam uma forma de delimitar os espaços de cada um dentro da casa e de refinar a vigilância sobre as mulheres e sobre a sua “pureza”. Enfim, o comportamento feminino dependia essencialmente das mulheres.


O quarto era para elas um lugar de liberdade e de prisão ao mesmo tempo. Prisão porque permaneciam nele por um bom tempo, já que não era permitido o trânsito pelos corredores e outras dependências a elas. De liberdade porque ali podiam fazer o que bem entendessem: trabalhar, estudar, bordar, costurar, ler, escrever, fazer enfeites para suas roupas ou para os cabelos. Cuidavam da higiene pessoal, descansavam, faziam as refeições e oravam. Podiam ter a companhia de outras mulheres ou ficarem sozinhas.

O cuidado pessoal era importante. Os cabelos, considerado como manto natural e um símbolo sexual, requeriam uma atenção a mais porque definiam o grau de “pertencimento” de cada mulher, ou seja, grau de submissão ao pai ou ao marido. Em resumo, os cabelos definiam se as mulheres eram solteiras, casadas ou prostitutas.

 

Os cabelos soltos (por provocarem efeitos eróticos na população masculina) definiam as prostitutas. Os cabelos presos em uma ou várias tranças definiam as solteiras. E presos com tranças e escondidos por uma espécie de touca mostrava quem eram as casadas. Por isso, pentear e escovar os cabelos era uma tarefa reservada e somente podiam ser realizadas em seus aposentos.

Outro item importante eram as peças do vestuário. Os guarda-roupas das moças da elite eram repletos e variados por duas razões: para marcar sua posição social da família a que pertenciam ou para mostrar uma certa rebeldia (como uma libertação). Vestidos muito colados ao corpo, saias longas e amplas, decotes ousados, cintura bem marcada por um cinto ou cordão com fivela ou uma joia, feitos em tecidos luxuosos e caros definiam a origem elitista das moças.

Os passeios aos jardins das residências ou palácios para o “banho de sol” tinham horários marcados (de manhã ou no entardecer) para que o caminho percorrido por elas estivesse vazio.
As plebeias continuavam convivendo normalmente com suas famílias, seja ajudando nos afazeres da casa ou trabalhando fora de casa. Seu vestuário era simples e recatado. Mas os cuidados com os cabelos seguiam a elite.

2- NAS ESCOLAS E NOS ESTUDOS

Nos áureos tempos, quando as mulheres estavam assumindo novos papéis na sociedade, as famílias queriam que suas filhas fossem bem instruídas e progredissem na vida. Embora muita gente não aceitasse, as moças ricas ou pobres frequentavam as mesmas salas de aula que os rapazes ou a plebe, todos aprendiam as mesmas coisas: ler, escrever, contar e fazer cálculos básicos. Como as escolas eram particulares, evidentemente, as famílias mais pobres se esforçavam e faziam mais sacrifícios para manter as filhas estudando.


No entanto, por causa do documento manipulado pela Igreja e pelo CORPUS JURIS CIVILIS tudo mudou. Para não dar na vista de pronto, começaram por separar as escolas, ou seja, passando a haver escolas só para rapazes e outras, só para moças. As escolas para rapazes continuavam ensinando normalmente ou incluindo novos cursos.

Porém, grandes mudanças ocorreram nas escolas para as moças. A primeira delas foi a separação entre moças da elite e da plebe. A segunda e mais importante, ocorreu na grade curricular, ou seja, no que as moças aprendiam.


As moças de famílias nobres ou da classe mais abastada aprendiam a leitura e a escrita na língua natal e em latim, hebraico e grego, contagem e cálculos básicos, ensino religioso (onde aprendiam os princípios morais da fé cristã), com a justificativa de que suas responsabilidades sociais assim exigiam. Além disso, também havia a preparação para o casamento onde aprendiam sobre as responsabilidades conjugais, o cuidado com os filhos e a compreensão de suas responsabilidades sociais.

Já as moças da plebe aprendiam a realização das tarefas domésticas, os cuidados com o marido e com os filhos, costura, bordado entre outras habilidades manuais e que poderiam se transformar num ofício caso fosse necessário.

A terceira mudança ocorreu no preço cobrado pelas escolas. As escolas passaram a cobrar mais caro os cursos para as moças da plebe. O intuito era o de fazer com que elas desistissem dos estudos por falta de recursos.
E conseguiram esse intento. Uma grande parte dessas moças voltaram a trabalhar na lavoura, no comércio ou como operárias nas indústrias que começavam a se instalar.

3- NO TRABALHO

A maioria das moças da plebe trabalhava fora de casa. Plantavam nas lavouras. Comerciavam de produtos cultivados em pequenas hortas caseiras e vendidas nas feiras. Ou trabalhavam como operárias nas pequenas indústrias.


Fosse qual fosse o tipo de trabalho que as moças da plebe realizavam, começava muito cedo e não tinham um horário determinado para encerrá-lo. Muitas vezes, após um dia exaustivo de trabalho, meninas, moças e mulheres ainda realizavam as tarefas caseiras.

Mesmo assim, viviam com muitas dificuldades financeiras. Outras, porém, levavam uma vida de miséria extrema.

4- NA VIOLÊNCIA

A prostituição sempre foi era uma forma de marginalizar a mulher. Agora de afirmar e confirmar o que a Igreja pregava com seu falso documento.


Convivendo com vários tipos de pessoas diariamente, as meninas e moças da plebe eram constantemente assediadas sexualmente ou sofriam com estupros dentro ou fora de casa. Mas não se queixar, pois não havia onde ou com quem reclamar.

E quando o faziam, a culpa do ocorrido sempre recaía sobre a vítima devido a “imperfeição” das mulheres. Por causa dessa violência, 50% das meninas e moças entre 15 e 17 anos entravam na prostituição. Outras 35% delas, que conviviam num ambiente familiar de miséria total por não conseguirem um trabalho remunerado e vivendo da caridade pública, buscavam na prostituição uma forma de melhorar de vida. E apenas 15% delas, entravam na prostituição por iniciativa própria, com o objetivo de encontrarem um marido de posses ou para lhes arrancar uma boa quantia de dinheiro. 
continua...

domingo, 22 de abril de 2018

COMO A IGREJA CULPOU AS MULHERES?

A Igreja Medieval não vivia um bom momento. Estava pressionada pelos “banqueiros da época” a pagar as dívidas contraídas; a venda das indulgências não estava dando o lucro que esperavam e os cofres estavam vazios; os fiéis estavam deixando de frequentar a Igreja depois da Reforma proposta por Martinho Lutero que discordava com algumas atitudes impostas pela Igreja. Além disso, a Igreja observava o avanço que as mulheres estavam conquistando. Estas estudavam, saíam-se bem no comércio, estavam conquistando cargos políticos e começavam a expor as próprias opiniões. E isto incomodava por demais os padres e monges e ficaram pensando que em pouco tempo, uma mulher poderia tomar o lugar papal, já que algumas chefiam os conventos.


A Igreja precisava, portanto, encontrar alguma coisa que desviasse a atenção desses problemas e trazer de volta os fiéis para continuar com seu domínio sobre eles. Por outro lado, queria ganhar a simpatia de seus credores novamente e quem sabe, ficar livre das dívidas. Quem sabe se achando um “culpado” as coisas não se resolveriam? Mas quem?

Foi vasculhando os escritos de suas bibliotecas para ver nos dogmas alguma coisa que poderia servir a seus propósitos, encontraram três teorias filosóficas  e com elas, poderiam justificar as atitudes que, por ventura, viessem a tomar.

1ª TEORIA


A primeira teoria foi a de Aristóteles, um filósofo grego que viveu na Idade Antiga. Nessa época, os conhecimentos estavam apenas começando. Tudo era baseado na observação, portanto, nada tinha de científico. E quem fazia isso era chamado de “filósofo”. Sua função era observar, analisar e tirar conclusões. E assim fez Aristóteles.

Num determinado trecho afirma: “ ... as mulheres (e todas as fêmeas da natureza), são deficientes e falhas, porque precisam dos homens para procriarem. Ao gerarem suas filhas transmitem essa deficiência a elas e quando geram seus filhos, isto não acontece. E justifica: “...essa deficiência pode ser causada por uma indisposição, uma transmutação ou pelos ventos austrais por serem muito úmidos”. (S.Th.I, q. 92, a. 1, ad 1).

Em outro trecho mais abaixo, ele conclui: “a primeira mulher (Eva) teria sido criada da costela de Adão. E ainda bem que tinha sido assim porque se um pedaço fosse tirado da cabeça, a mulher dominaria o homem. Se um pedaço fosse tirado do pé, seria sempre submissa a ele e poderia ser desprezada por ele. No entanto, como a costela está perto do coração, poderiam viver e conviver lado a lado e em condições iguais”. (S.Th. I, q. 92, a. 3, co).

2ª TEORIA

Santo Agostinho, que viveu de 354 a 430 d.C, época da Baixa Idade Média, na Argélia. Filho único de uma família muito pobre, tinha sonhos e desejos de grandeza. Gostava do que era caro, da luxuria e da riqueza, tanto que se casou com uma mulher rica e teve um filho com ela. Teve muitas mulheres na juventude e uma amante fixa durante o casamento. Mas não era feliz com nenhuma delas. Um certo dia, largou tudo e entrou para um mosteiro onde foi monge. Progrediu lá dentro e tornou-se Bispo de Hipona (cidade onde nascera).

Na época que Santo Agostinho viveu, ainda não havia as Ciências. Tudo era baseado na observação ou na experiência de vida do autor. E assim foi com este Santo que resolveu deixar por escrito sua história e suas experiências da juventude. E assim, ele escreveu a primeira autobiografia do mundo.

Agostinho (de Hipona) falava que o desejo de ter muitas mulheres e conseguir riquezas era uma desobediência às leis de Deus e da Igreja. E essa desobediência o afastara de Deus. E compara essa desobediência com a desobediência de Eva no paraíso, quando pega a maçã e come. Depois, insiste e dá para Adão. Deus, que os avisara sobre o fruto proibido, fica muito bravo e os expulsa do Paraíso. E surge o “pecado original”. Com essa comparação, Santo Agostinho queria mostrar que todos somos imperfeitos diante de Deus, cegos pela sexualidade e diante das riquezas.

Santo Agostinho critica Deus por permitir o “livre-arbítrio”. Para ele, todos cometemos atos bons e maus. E que Deus sabe e permite que os homens cometam esses atos e critica ainda mais afirmando: Se Deus sabe de tudo isso e permite que as pessoas se afastassem “Dele”, porque deu o Livre arbítrio, então?

3ª TEORIA


Esta teoria é a de São Tomás de Aquino, que viveu de 1225 a 1274, meados da Baixa Idade Média, na Itália. Foi monge, filósofo e escritor. Em seus escritos, citou os pensamentos de Aristóteles e de Santo Agostinho não porque concordasse com eles, mas para refutá-los.

Para Tomás de Aquino, “as mulheres eram frutos da sabedoria de Deus, assim como eram os homens e, por isso, o mundo não fora criado apenas para os homens, mas para as mulheres também”.

OS PADRES E AS TEORIAS

Além de machista, a Igreja Medieval também era manipuladora. Principalmente, quando tratava dos seus interesses. Os chefes da Igreja pegaram as partes que mais lhes interessava de cada teoria e ignoraram as justificativas e conclusões dos autores.

De Aristóteles pegaram a parte em que ele afirma que as mulheres são deficientes e imperfeitas, que passavam essa imperfeição quando geravam meninas, que elas dependiam dos homens”, e generalizando incluíram um “para tudo”. De Santo Agostinho ficaram com a parte de que “as mulheres “enfeitiçavam” os homens usando a sexualidade”, que eram más e perigosas porque transmitiam o pecado original a todos (filhos e filhas).

Com relação a teoria de São Tomás de Aquino, por ser mais recente, foi distorcida. Os padres afirmaram que “os frutos da sabedoria de Deus eram os homens”. E pegaram o texto da 1ª teoria, escrito para que ele pudesse analisar e contradizer e insinuaram que São Tomás concordava com o autor.

Fizeram um documento apoiados nessas distorções e espalharam por todas as pessoas de todas as regiões, como se fossem verdades absolutas, ou seja, como princípios da religião.

A “forma torta” das teorias divulgadas pela Igreja causaram um grande impacto na população gerando a misoginia, ou seja, um ódio mórbido, patológico e cruel contra as mulheres.

As mulheres daquela época sofreram muito com esse ódio. Eram desprezadas, ignoradas em suas necessidades e culpadas por tudo o que acontecia.

sábado, 7 de abril de 2018

O QUE A IGREJA MEDIEVAL TINHA A VER COM AS MULHERES?

Na Idade Média, a vida não era fácil. A expectativa de vida era muito baixa, o que significava que morriam muito cedo. Por isso, as mulheres casavam-se muito jovens, ainda na adolescência. No entanto, seus maridos tinham duas ou três dezenas de anos a mais que elas. Assim, saíam da tutela dos pais para entrarem na tutela dos maridos.

O casamento era uma forma de controle e domínio masculino sobre as jovens. A função do marido era o de chefe da família e de provedor. Gozavam de total liberdade, incluindo o poder de vigiar e controlar a vida das mulheres sob sua tutela e tomar as decisões que bem entendessem sobre suas vidas.

Após o casamento, as mulheres tornavam-se responsáveis pela manutenção do lar, do cuidado com os filhos, manter a fidelidade ao marido e ao sacramento dado pela Igreja, ou seja, cabia a elas a manutenção do casamento. Além das atividades domésticas, cabia a elas ajudarem nos negócios dos maridos. Somente quando os maridos estivessem ausentes ou fossem falecidos, elas podiam tomar decisões e chefiar a casa e os negócios. Mas não podiam votar, participar da política local ou tomar decisões por conta própria.

Se falecessem antes dos maridos, seus bens pessoais eram devolvidos aos os pais. Porém, se chegassem a idade adulta ainda solteiras, perdiam os direitos legais aos bens da família (herança, por exemplo).

Como se pode perceber, as mulheres da Idade Média tinham pouquíssimos direitos. No fundo, gozavam de uma “pseudo liberdade”, desde que fossem submissas aos pais ou aos maridos. Por isso, sentiam a necessidade de serem mais valorizadas e respeitadas.

No final da Alta Idade Média, o mundo vivia uma série de transformações devido a intensificação do comércio com o Oriente.  Os homens partiam para longas e duradouras viagens para comerciar no Oriente. E como a vida local não podia parar, as mulheres passaram a tomar conta e a tomar decisões sobre eles. Muitas mulheres tiveram que aprender o ofício dos pais ou dos maridos para tocarem os negócios da família. E ao fazerem isso, profissionalizaram-se.

Era possível encontrar mulheres que eram comerciantes, hábeis tecelãs, enfermeiras, tintureiras, copistas, encadernadoras. Outras que participavam ativamente da política local e algumas mulheres da nobreza se tornaram rainhas poderosíssimas. Algumas, até aprenderam a ler e a escrever (coisa que era uma atividade exclusivamente masculina) e se tornaram professoras, médicas e abadessas. E tudo isto sem esquecerem as tarefas domésticas e os deveres maternos. E todas já encontravam um momento em que podiam expressar seus pensamentos e sentimentos.


Mas a Igreja, que sempre foi muito machista, começou a perder seu prestígio e percebeu que as mulheres estavam ganhando muito espaço. Por isso, tentou coibir a iniciativa feminina para manter novamente o controle sobre elas. E como não estavam conseguindo, resolveram culpar “as mulheres”.

sexta-feira, 23 de março de 2018

A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA MEDIEVAL E SUAS CONSEQUÊNCIAS

Para entender como os padres da Idade Média pensavam e agiam é preciso que se saiba como o clero era organizado, sua influência na sociedade e as consequências disso tudo. Então, vamos lá.

A volta ao campo, o aumento da população de fiéis e o aumento de pessoas que queriam ingressar na vida religiosa com medo do inferno fizeram com que a Igreja se organizasse.

A presença dos padres nos feudos

Apesar de ainda apresentar uma estrutura simples, os fiéis de cada região escolhiam um bispo para dirigir todas as Igrejas da região (conhecida como diocese) e várias dioceses eram administradas pelos arcebispos e ambos obedeciam diretamente ao Papa. que comandava tudo e a todos, dentro ou fora da Igreja. Já os padres ficavam responsáveis por dirigir as paróquias (como um pequeno distrito) e pelo ensino da religião, pelas cerimônias religiosas e dar assistência á população. A parte administrativa ficava a cargo dos diáconos (aspirantes a padre).

A fé dominava a vida do homem medieval e determinava todos os seus atos do dia a dia. Os padrões morais e éticos eram vistos como exclusividade dos cristãos. E para que a população aplicasse esses padrões, os padres alimentavam o medo do castigo que os pecadores viriam a sofrer depois da morte no inferno e com muito tormentos. O medo do inferno agindo sobre a imaginação das pessoas, servia como forma de controle sobre as atitudes imorais e, impedia que os fiéis “pecassem”. Por medo, muita gente procurava a vida religiosa, mesmo sem ter vocação. Portanto, como a demanda era enorme, começarem a surgir várias ordens religiosas na Europa.

A vida nos mosteiros

Para abrigar toda essa demanda de novos religiosos foram construídos os primeiros mosteiros. Mas a vida lá dentro não era nada fácil. Haviam muitos períodos de oração e de aprendizado dos dogmas e de trabalho duro: de construção ou ampliação dos mosteiros, da higiene do local, do cuidado com os doentes, socorro a população mais pobre, o ensino da religião, as cerimônias religiosas e eclesiásticas, o cuidado dos animais e o plantio de subsistência. Tudo com regras rígidas que deveriam ser cumpridas a risca. Muitas dessas ordens religiosas optaram pelos votos de pobreza, de obediência e de castidade em separado ou todos ao mesmo tempo.

Além do controle sobre os sobre os monges, padres, paróquias e dioceses, competia à Igreja, era de sua competência a administração da justiça sobre os casos em que seus membros e civis da região estivessem envolvidos. E esses julgamentos eram baseados no Direito Canônico, cujas leis eram muito severas.

O Papa e assessores

Assim, a Igreja foi ficando cada vez mais rica. Fosse pela cobrança do dízimo, por donativos ofertados pelos senhores feudais ou por soberanos convertidos, vendendo indulgências que prometiam amenizar os martírios dos pecadores ou por monges e bispos que se tornaram senhores feudais, enquanto os pobres ficavam cada vez mais pobres. E também ficava cada vez mais poderosa. O poder da Igreja era quase ilimitado. Tanto que chegou a instituir uma norma, conhecida como a “TRÉGUA DE DEUS”, que proibia qualquer tipo de combate em determinados dias do mês e nas principais datas religiosas.

A vida cotidiana da população era impregnada de pequenos rituais religiosos. Se alguém ficasse doente, houvesse uma epidemia ou ocorresse uma catástrofe a culpa era do demônio e resolvidas com exorcismos, sinais da cruz e outros rituais e símbolos católicos.
A importância da Igreja na vida do povo medieval

E o poder da Igreja só aumentava. Além do poder espiritual e dos julgamentos, em quase toda a Europa, a Igreja também tinha o poder político. Nenhum rei ou rainha era coroado ou se casava sem o aval da Igreja. E foi mais longe ainda.
Com a justificativa de que precisavam salvar os pagãos do inferno, a Igreja decretou as chamadas “Guerras Santas” e a mais famosa delas foram as “Cruzadas”. Por causa da dependência com a Igreja, muitos soberanos, nobres e senhores feudais apoiaram essas guerras enviando dinheiro (ouro e outros metais preciosos), com suas guardas e que foram formados muitos exércitos. No entanto, nessas guerras fez com que os novos interesses econômicos e sociais fossem maiores que os interesses religiosos.

Quanto mais rica a Igreja ficava, mais jovens ricos se interessavam em entrar na vida religiosa. Não porque tivessem vocação, mas porque enxergavam uma possibilidade de enriquecerem ainda mais ás custas dos donativos e tributos pagos pelos camponeses, comerciantes e artesãos à Igreja.

Só os padres podiam ler e escrever

Outro poder importante que a Igreja medieval detinha era o controle do saber. Ou seja, somente os padres, bispos, abades e monges podiam saber ler e escrever. Muitos padres escreveram pergaminhos, cartas, livros e formaram grandes bibliotecas. Porém, os padres mais pobres e que, embora não soubessem ler, mas tinham habilidade para a escrita, tornavam-se copistas (ou copiadores) dos livros dos padres autores.

Naquela época, homens e mulheres viviam num mundo pequeno, não só geograficamente, mas principalmente, na parte intelectual. As notícias sobre outros lugares, sobre outros povos e seus costumes eram demoradas, esparsas e contraditórias. Por exemplo, ninguém sabia que o continente americano existia, por isso, não apareciam nos mapas.

Os mercadores

Os mercadores viajantes que traziam informações desses lugares, tinham suas informações censuradas pela Igreja e só permitia a divulgação das informações que interessavam a ela, como por exemplo, as riquezas de um determinado lugar ou das práticas pagãs dos povos visitados. Por que? Com segundas intenções: continuar com as Guerras Santas e, como desculpa, a “salvação” dos infiéis.

Martinho Lutero e a Reforma Protestante

Mas, por outro lado, a Igreja passou a sofrer alguns ataques. Reis, príncipes e senhores feudais passaram a discordar das atitudes da Igreja, dos Papas ou de seus comandados. Mas no fim, a Igreja sempre terminava como vencedora. E foi assim até o século XVI, quando Martinho Lutero organizou a Reforma Protestante.

As Guerras Santas

Um outro conflito veio atrapalhar os planos da Igreja e abalar seu prestígio. As Guerras Santas custavam muito caro para a Igreja. E a Igreja já havia gasto o que tinha ganho e o que não tinha também. Também não podia mais contar com a ajuda dos reis, príncipes e senhores feudais que andavam descontentes e discordando das atitudes Papal. Só lhe restava pedir emprestado para os banqueiros. E isso foi feito. Recebeu o empréstimo, mas não tinha como pagar a dívida contraída, pois os gastos com as Guerras e o luxo com que os padres viviam era grande.

Naquela época, um empréstimo era entendido como a venda do tempo (prazo) para a quitação da dívida. Assim, quanto mais tempo levavam para quitar a dívida contraída, mais cara essa dívida ficava. Dessa maneira, as dívidas contraídas pela Igreja foram ficando astronômicas. Mais uma vez, a Igreja quis dar uma contornada na situação, mas... do seu jeito.

Os banqueiros medievais

A desculpa foi a revisão nos dogmas (as leis) que regiam a religião. E sabe-se lá onde, os arcebispos e bispos encontraram alguma coisa a ver com “pecado mortal”. E para o povo da época, pecar era a coisa mais terrível que havia por causa do inferno. Assim, o medo foi, novamente, a solução encontrada pela Igreja, que passou a divulgando que a “usura” (ganância) era um “pecado mortal”.

A Igreja esperava que os banqueiros, diante desta notícia, se arrependessem de cobrar a dívida e oferecessem-na como doação aos pobres ou á própria Igreja, aliviando os seus pecados. Mas não foi isso o que aconteceu. E a Igreja caiu do pedestal onde ela mesma se colocara.

quinta-feira, 8 de março de 2018

A MULHER NA IDADE MÉDIA

A Idade Média foi um período muito longo de 22 séculos, indo dos anos 800 a.C a 1500 d.C. Para organizar os eventos corridos nesse tempo, os historiadores dividiram a Idade Média em três grandes períodos: Idade Média Arcaica, a Alta Idade Média (séc V d.C ao século XIII) e a Baixa Idade Média ou Idade Média TARDIA (do século XIII a XV).

IDADE MÉDIA ARCAICA (800 a.C a 600 d.C)

A vida das mulheres durante os primeiros 14 séculos da Idade Média Arcaica não mudou quase nada da idade antiga. As mulheres continuavam sem instrução, sem poder ansiar por cargos de mandos e não participavam da política local. Continuavam não sendo cidadãs, propriedade dos pais e depois, dos maridos. Mas continuavam cuidando da casa e de todas as tarefas domésticas, dos filhos e do marido. 

Por isso, não se conhecem mulheres que se projetaram na vida pública ou na vida social. No entanto, no período de ano 69 a 30 a.C, uma mulher se destacou pela sua importância na vida e no destino do Egito: Cleópatra VI, a rainha do Egito. Antes dela, outras cinco Cleópatras existiram, mas ninguém soube de suas existências.

Seu nome era Cléopatra Tea Filopátor, cujo significado é “aquela que faz o pai feliz”. Cleópatra era filha do rei egípcio Ptolomeu II, que fez questão que ela fosse muito bem educada e instruída, sabia e dominava 12 idiomas estrangeiros em sua época. Com a morte do pai e por um costume egípcio, Cleópatra, casa-se aos 15 anos com seu irmão mais velho, Ptolomeu XIII. Pouco depois, o marido foi assassinado pelo irmão Ptolomeu XIV, que também queria ser rei. Cleópatra se casou com ele também pela mesma razão: manter o trono. Reinaram juntos por algum tempo. Supõem-se que ela o tenha envenenado para reinar sozinha. Como rainha, foi hábil estrategista, diplomata e administradora das questões do reino. Seu governo foi próspero até a invasão dos Romanos.

Nessa invasão, conhece e apaixona-se por Marco Antônio, o general romano que comandou a invasão. Sem poder ficar com ele e para não ser transformada em escrava (atitude comum entre os romanos), suicida-se com picadas de uma serpente (naja) muito venenosa.

A SOCIEDADE FEUDAL

Durante esta primeira fase da Idade Média, o trabalho migrou das cidades para o campo. E por volta dos anos 800 a.C surgem os feudos, uma estrutura política para garantir a ocupação do território e segurança do reino. Possuir um feudo era sinônimo de poder econômico e de prestígio social e político. Portanto, eram comuns as batalhas entre nobres pela conquista de um feudo.


Os feudos eram grandes propriedades de terras distribuídas a senhores de posses, nobres locais ou generais que destacavam nas guerras em troca de serviços (impostos, apoio político (lealdade) e serviços militares (segurança) contra possíveis inimigos ou invasores.

Cena do filme Hobin Hood.

Nessa época, Igreja decidiu acompanhar o movimento de volta para o campo. E enquanto a sociedade feudal se organizava com suas bases militares, a função da Igreja era a de manter a ordem e a paz.

AS MULHERES NESSA SOCIEDADE

A sociedade feudal era extremamente patriarcal, ou seja, dominada pelos homens e, principalmente pela Igreja Católica. Se a vida das mulheres na Antiguidade e nos séculos iniciais da Idade Média eram difíceis, com o cristianismo ficou ainda pior.


As mulheres se tornaram cada vez mais invisíveis. Eram menosprezadas em suas necessidades e desrespeitadas como pessoas. Só para exemplificar: enquanto os homens tinham plena liberdade para circular por todas as dependências dos castelos e pelos arredores dos feudos, as mulheres eram obrigadas a circular e permanecer em áreas restritas e (seus quartos e algumas áreas privativas) ou circular apenas dentro da casa de seus pais ou dos conventos.


Enquanto os maridos e filhos mais velhos ficavam aquartelados no castelo e suas fortificações (pois a destreza no manuseio das armas e a valentia nas batalhas ou nas estratégias de guerra, eram consideradas grandes virtudes) cabia às mulheres pobres o trabalho no roçado, nos moinhos, no estábulo, no celeiro ou na feira, vendendo o que era produzido para sustentar a família. Outras, conseguiam trabalhar como servas no castelo


O CLERO








Tudo era muito simples. Os padres não tinham formação religiosa. Bastava se converterem ao Cristianismo, saberem um pouco da religião e peregrinar ensinando o que aprenderam, converterem os pagãos, dar assistência á população pobre e realizar casamentos. E eram respeitados pela população.