OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO NA ATUALIDADE (II)

TRABALHAR EM EQUIPE


O trabalho em equipe é uma das exigências do mercado atual. Nos parece saber muito sobre isso porque já tivemos pequenas experiências escolares. Nestes trabalhos, o grupo era formado por amigos mais queridos, o trabalho era dividido em pequenas partes (e sempre escolhíamos a que fosse de menor tamanho ou a que julgássemos mais fácil). E sempre havia aquele (a) que nunca entregava sua parte, mas queria a nota, não é mesmo? E o grupo, pela amizade ou pela nota, supria a falta do “folgado (a)”. Foram validos esses trabalhos? Sim, foram por nos darem uma ideia do que é trabalhar com outras pessoas. Mas na vida profissional é muito diferente.

É diferente porque não escolhemos com quem vamos trabalhar. Muitas são os nossos opostos, são pessoas com quem não nos identificamos ou não mantemos laços afetivos. E muitas vezes, até com quem não simpatizamos, com quem não concordamos com suas ideias, opiniões ou brincadeiras que são muito diferentes das nossas.

Por isso, precisamos estar preparados. Ouvir e discutir ideias ou discussões sem brigas, sem levar para o lado pessoal se discordarem do que dissemos ou da ideia que expressamos, aprender a ouvir e a falar no momento certo, sem julgar os participantes do grupo etc. E se na escola fazíamos o trabalho por tópicos, agora a o trabalho todo é de sua inteira responsabilidade.

SER INTERDISCIPLINAR

Voltando aos bancos escolares, as disciplinas eram isoladas umas das outras, como por exemplo, só Português, Matemática, Física e Química. Mesmo sabendo que havia uma relação entre elas, não atinávamos como poderiam se integrar. E tudo seguia um planejamento e um cronograma previamente estabelecido.


No mundo do trabalho, tudo se mistura. Explico melhor, todos os funcionários fazem parte de um processo de produção do produto final, onde cada funcionário faz uma parte do serviço e todos têm que ser eficientes na sua parte. Se você se atrasar, o próximo colega não tem o que fazer e atrasa tudo. E ele não pode fazer a sua parte, mesmo que queira te ajudar porque você seria visto como “ineficiente”.

Por outro lado, se um funcionário ficar doente e tirar uma licença prolongada, a produção não ficar parada. Alguém assume a parte do faltante e a própria e tem que dar conta de tudo. Por isso, é importante que se conheça todas as etapas do serviço do começo ao fim.

Saber resolver problemas e imprevistos e resolvê-los com perfeição e rapidez, é outro dado importante. E nem sempre esses problemas são de conhecimentos práticos. Muitas vezes, as soluções são teóricas, ou o contrário, que também é verdadeiro. E devemos estar preparados para tudo usando a teoria ou a prática quando for necessário, em benefício da empresa e não do pessoal.

Por isso, é preciso estudar, aprender constantemente, saber falar mais de uma lingua estrangeira e ter várias habilidades.

FAZER NETWORKING


Networking é a capacidade de formar uma rede de contatos ou de conexões com quem se pode compartilhar serviços e informações de interesse comuns entre pessoas ou grupos. Em outras palavras, é formar um grupo de pessoas conhecidas a quem você pode compartilhar informações ou pedir ajuda.


O mundo do trabalho requer a socialização e a integração com vários profissionais de culturas e perfis diferentes dos que estamos acostumados a lidar. No mundo do trabalho, a timidez, a vergonha, os interesses pessoais e segundas intenções não são admitidos. O orgulho, a soberba e a inveja também não. Isto porque o trabalhador perde a chance de compartilhar informações, de aprender novas habilidades e de de expandir sua rede de contatos.

CAPACIDADE DE LIDERANÇA

Liderar significa “ser capaz de tomar decisões no momento oportuno”. Devido à complexidade do ambiente em que se trabalha, tornou-se imperativo a descentralização das tomadas de decisões para evitar a burocracia das empresas. Isto quer dizer que, as decisões não dependem mais da ordem do dono, diretor ou presidente de uma empresa. Para que tudo seja mais rápido e eficiente, ele delega autoridade para que vários assuntos sejam resolvidos dentro dos próprios setores. Com isto, cada setor tem uma certa autonomia, mais rapidez na solução dos problemas internos e maior elevação da motivação dos funcionários.

Espera-se que todos os chefes sejam líderes, mas nem todos são. Mesmo que dê ordens, muitos chegam a chefia por tempo de serviço, promoções, amizades ou por outros interesses. Um líder nâo é aquele que apenas dá ordens, mas aquele que avalia e respeita o jeito de ser de cada funcionário e desperta neles qualidades, que não acreditavam ter.

Um líder de verdade não manda, convence. Tem autoridade e não é autoritário. Não oprime, incentiva. Não debocha dos erros, ensina. Não é rígido, tem flexibilidade. Não se enerva à toa, é calmo e tranquilo. E nas horas mais difíceis, toma as decisões com tranquilidade e certeza. Não privilegia um, mas a todos. Sabe que não faz nada sozinho, por isso sabe delegar serviços de acordo com as habilidades e o potencial de cada um de seus liderados. Um líder de verdade é querido e respeitado por todos os funcionários.

E qualquer pessoa pode assumir o papel de líder numa emergência ou numa situação mais ou menos delicada. Mas existem também pessoas não conseguem liderar por serem mais submissos. Por todas estas razões, o mercado atual está sempre em busca de profissionais que saibam liderar e coordenar equipes, recursos e ações. Um líder precisa ter conhecimentos teóricos e práticos além de ser competente, porque um problema ou uma dificuldade aparece repentinamente e ele não pode incorrer em erros.

 continua.

sábado, 31 de dezembro de 2016

sexta-feira, 23 de dezembro de 2016

É TEMPO DE SER FELIZ.

Enquanto o tempo passa, o Natal se aproxima. E o dia da festa ansiosamente esperada chega num piscar de olhos. Enfeitamos nossas casas e nossas ruas e a cidade fica linda. Luzes, sinos, bolas coloridas, festões e outros enfeites aparecem por toda parte. E a figura que não pode faltar: Papai Noel.


Este senhor gordo e bonachão de barbas brancas e de roupa vermelha representa muito mais do que se pode imaginar. Ele representa a solidariedade e a generosidade que todos deveríamos ter. Não só porque ele traz os presentes comprados numa loja famosa ou nos shoppings centers. Mas porque ele nos faz olhar para aquelas pessoas que nada tem e que não podem comemorar o Natal como nós. 

E neste Natal em especial, podemos ser mais generosos e solidários que nunca. Que tal se antes, durante ou após a ceia nossa família parar um minuto para elevar o pensamento a Deus numa prece por essas pessoas? Ou pelos refugiados da Síria, ou por aquele (a) morador (a) de rua que você viu enquanto comprava seus presentes para seus familiares ou amigos?
 "Morro da Favela" de Tarcila do Amaral


Mas que diferença faz isto? - você se pergunte.

Acredite, faz muita diferença. Você não vai matar a fome dele, não suprirá suas necessidades, mas pedirá a Deus que ele encontre que possa fazer. Isto também é amor. E é caridade no mais alto sentido do termo. É também respeito e solidariedade. 

Experimente. E a recompensa que receberá é algo que nenhum dinheiro pode comprar, que não se pode vender ou trocar. Pois quando elevamos nosso pensamente em prece por outro, recebemos em troca muitas bençãos de Deus e que as chamamos de "felicidade".


Seja muito FELIZ neste NATAL!

segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

AS EXIGÊNCIAS DO MERCADO DE TRABALHO NA ATUALIDADE I

Há algumas décadas atrás, um pequeno grupo de empresas querendo aumentar seus lucros, mas não tinham dinheiro suficiente para investir e melhorar sua produção. Perceberam que várias empresas estavam com o mesmo problema. Então, tiveram a ideia de juntarem o que cada empresa tinha para se ajudarem mutuamente. Como a experiência deu certo, resolveram aceitar no grupo outras empresas. E novamente, todos saíram ganhando”.  Com o lucro obtido essas empresas começaram a investir em outros países. 


Com capital suficiente podiam não só investir nelas, como também comprá-las espalhando seus produtos por todos os cantos do mundo, surgiram as poderosas empresas que foram chamadas de “multinacionais”. Os investimentos que essas multinacionais oferecem são equipamentos, máquinas e tecnologia às empresas de grande ou médio porte em vários países para que seus produtos estejam sempre em evidência e livres da concorrência.

Mas ao agir dessa maneira, tornam o mercado de trabalho cada vez mais exigente para atender as novidades do mundo atual. A principal exigência dessa intervenção no mercado de trabalho de um lugar é a “QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL”.



1- QUALIFICAÇÃO PROFISSIONAL

Qualificação profissional é sinônimo de formação do profissional. Trata-se da preparação ou de aprimoramento  das habilidades pessoais e a especialização em determinadas áreas para que possa executar de forma melhor um serviço que lhe for atribuído.  

Segundo as leis trabalhistas (Decreto nº 5.154/2004 e a Lei nº 11.741, de 2008, que altera o decreto citado) essa formação pode ser realizada das seguintes maneiras:

a) em cursos regulares onde se aprende os conteúdos da Base Nacional Curricular (LDB) e que servem para todas as opções do mundo do trabalho.

b) cursos profissionalizantes e tecnológicos que leve à construção de diferentes tipos de formação técnica e profissional, seja ele de Ensino Médio, Ensino Superior ou de Pós-graduação e que, ao final do curso ofereça um certificado ou diploma.

c) cursos especiais de formação profissional que visam a execução de atividades teóricas e práticas (realizados em escola ou no próprio trabalho) desde que ofereçam certificado.
d) em cursos especiais abertos à comunidade, visando a melhoria da execução prática e que não está ligada ao nível de escolaridade (ONGs, cursos livres ministrados em entidades sem fins lucrativos, etc). desde que sigam as normas fixadas pelo Ministério do Trabalho e Emprego.

e) participar do Programa “Jovem Aprendiz” em cursos do Serviço Nacional de Aprendizagem.

Para todos estes cursos de qualificação cabe ao aprendiz: mostrar aproveitamento no curso, a frequência obrigatória e executar os exercícios teóricos, práticos e atividades específicas que levam a capacitação profissional.  

Cabe aos dirigentes dos cursos verificar a aprendizagem dos conhecimentos teóricos e práticos, avaliar e emitir certificados.


2- COMPETÊNCIA

Uma empresa, seja ela grande ou pequena, não pode ser paternalista e esperar que seus funcionários realizem seus trabalhos como bem lhes aprouver. Ao contrário, elas são racionais e esperam que seus funcionários desempenhem bem na função que se propôs a fazer. Por isso, o funcionário recém-contratado de mostrar-se interessado em aprender não só o seu serviço, mas tudo o que diz respeito ao processo pelo qual o produto passa do princípio ao fim. 

Por isso, a competência é importante. Competente é o funcionário que une as informações de sua formação com a técnica exigida no trabalho desempenhado aplicado ao seu fazer dentro da empresa para que a empresa produza mais e cada vez melhor.

Outra qualidade bastante apreciada pelos empresários é a participação. Isto significa que, não basta que faça bem a sua parte, mas que se ofereça em ajudar os companheiros quando necessário, dar sugestões viáveis e apropriadas para a melhoria da produção etc, além de ser uma maneira de conhecer o processo do começo ao final.


Continuamos na próxima postagem

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

O MERCADO DE TRABALHO E A SOCIEDADE



Vimos na postagem anterior que o mercado de trabalho mantém uma intima relação com as relações entre patrões e empregadas e que atua nas relações econômicas de ambos e da sociedade como um todo. Vimos também que o mercado de trabalho está intimamente ligado com a chamada lei da oferta e da procura. Esta lei, que não está escrita em nenhum lugar mas, que exerce forte pressão, serve tanto para quem compra e vende, como para quem compra ou vende produtos.



Supondo que alguém procure numa loja um produto recém lançado. O dono logo diz que não conhece. Porém, se muitas pessoas forem procurar esse mesmo produto, o dono irá atrás e encomendará uma quantidade maior e pagará por ele um preço bem maior que será repassado aos clientes que o procuram. Quando esse produto se torna muito popular, o preço abaixo, porque o tal produto não é exclusividade dessa loja, mas está presente também nas lojas de seus concorrentes. Portanto, a principal característica do mercado de trabalho é a concorrência


Em termos profissionais é a mesma coisa. Supondo que uma empresa abra uma vaga para serviços gerais (limpar e deixar tudo em ordem) logo se forma uma fila de candidatos de dobrar quarteirão. Ou seja, uma procura intensa para uma única vaga. A empresa contrata uma única pessoa e paga um salário baixo por esse serviço prestado, pois todas as pessoas conseguem dar conta desse serviço. No entanto, se essa empresa tiver uma vaga para um serviço especializado, como a procura de candidatos é menor, ela pagará um salário maior para o contratado. Para isso, é preciso estudar e se especializar. Bons salários não se conquistam sem esforço da parte dos candidatos. E nessa contratação, o que for melhor qualificado será o escolhido.


O segredo de um emprego com um ótimo salário está na qualificação profissional. E a empresa tem seus critérios para avaliar quem é o melhor que os demais. Novamente supondo, os candidatos possuem o mesmo grau de escolaridade, conheçam bem o serviço a desempenhar e mostram-se interessados no trabalho. Neste caso, há um empate de qualificações entre ou quatro candidatos. Mas só um é contratado. Como isto acontece?


As empresas possuem vários critérios para avaliar quem será o candidato escolhido. Os primeiros deles são a formação escolar e as especializações profissionais. Outros critérios são: as entrevistas, os diversos testes conhecidos como “dinâmicas feitas em grupos ou individuais” e, por fim, o desempenho no ambiente de trabalho. E neste ponto, são as qualificações pessoais do candidato que entram em jogo. E no quesito “qualificação profissional” o mercado anda muito exigente e criterioso. 

Quando há um excesso de procura e poucas vagas cria-se, então, uma desestabilização social. O mesmo acontece quando o número de vagas é maior que a procura. 

Muitas vezes, a falta de equilíbrio se dá quando a empresa se inova muito rápido, substituindo a mão de obra humana pelas máquinas. Neste caso, a oferta de vagas para uma determinada profissão ou qualificação profissional deixa de existir. Também pode acontecer que a empresa não encontra candidatos com a formação ou qualificação profissional necessária para desempenhar determinada função. Nestes casos, o desequilíbrio estabelecido gera o “desemprego”.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

O MERCADO DE TRABALHO

Desde que o homem descobriu o trabalho, se preocupa com ele e com as relações que proporciona. A principal relação é a existente entre os trabalhadores e seus empregadores.

O estudo dessa relação permite perceber e prever como empregados e empregadores interagem levando em conta a situação econômica e social do país, da região ou da cidade numa determinada época ou lugar. Inclui-se nesse estudo, as ofertas de trabalho em empresas públicas, privadas ou de economia mista, as pessoas físicas e as normas que regem os salários, benefícios, carreira, conduta e aptidão dos profissionais que pretendem ingressar nessa relação.

Sempre que se fala sobre o trabalho, é preciso falar de uma relação importantíssima que existe entre empregadores e trabalhadores. O nome dessa relação é “Mercado de Trabalho”.

No Mercado de Trabalho há sempre uma interdependência. As empresas dependem do trabalho dos empregados e estes dependem daquilo que as empresas oferecem como trabalho. E, somente dessa maneira, empregados e empregadores podem crescer juntos.

Mas nem sempre foi assim. Durante muito tempo, o trabalho foi visto como um produto. Os trabalhadores sabiam fazer coisas que o empregador precisava. Assim, quem oferecia o produto era o trabalhador. Daí a ideia do trabalhador “vender seu trabalho” (produto) e o do empregador “comprar o produto vendido” (salário). Neste modo de pensar, nem sempre o empregador pagava o preço justo ao trabalhador. Os trabalhadores passaram a desejar melhores salários e o reconhecimento do seu trabalho e a escolher quem atendia esse desejo.


Então, quando um empregador oferecia uma vaga, muitos trabalhadores se candidatavam a ela. Os empregadores tinham que escolher um entre os muitos candidatos. E para isso, começaram a estabelecer critérios para essa escolha. Não bastava que o candidato soubesse cumprir direito com as funções do serviço. Era preciso que o candidato oferecesse algo a mais.

E assim, os empresários foram conquistando mais poder e o mercado foi ficando cada vez mais competitivo. O poder do empregador era o de estabelecer um salário sempre inferior ao que o trabalhador necessitava.



No final do século XIX, surge a ideia de produtividade pessoal. As empresas passaram a investir na capacitação de trabalhadores e permitir que tivessem um tempo para o lazer. Os trabalhadores diante das ofertas de trabalho podiam escolher livremente entre as muitas opções existentes de trabalho e de acordo com seus interesses, competências e remunerados de acordo com suas habilidades essenciais, ou seja, de acordo com sua produtividade.


No século XX, surge o pensamento de que o Estado devia interferir na economia. As empresas passam a produzir para atender o consumidor ou o que a empresa pretende vender a eles. E a mão de obra passa a ser definida por um novo modelo de mercado, onde as ofertas de emprego são sempre menores do que a mão de obra disponível. Portanto, este modelo considera o desemprego como algo natural.



Nos tempos atuais, como há mais condições de estudos e de informação, os trabalhadores procuram empregos condizentes com sua formação e competem em igual condições com outros candidatos. No entanto, mesmo que consiga uma vaga numa determinada empresa, não há garantia de uma longa permanência no emprego. Por isso, deve estar preparado para aguentar pressões quanto a sua produtividade, para que seu trabalho gere lucros e para que se mostre inovador. Embora exista a negociação com relação aos salários, o trabalhador deve agregar valores á empresa.



sexta-feira, 21 de outubro de 2016

O IMPACTO DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Nos últimos tempos muito se tem estudado, debatido e observado por ângulos variados as relações do trabalho e o impacto que causa nas estruturas sociais, na construção da identidade laborial e na vida dos seres humanos.

A revolução industrial trouxe mudanças profundas nas estruturas da hierarquia social, nos mecanismos de segregação dos indivíduos e no aspecto cultural.


No século XVIII, as sociedades tinham suas economias baseadas no trabalho agrário e as relações do trabalho eram baseadas na obediência aos mais velhos. Era com os adultos que as novas gerações aprendiam seu ofício e formavam uma relação que facilitava a identidade laborial ligada á terra de onde os sujeitos tiravam o sustento para si e para seus familiares. Trabalhavam nesse ofício sem que houvesse pagamento por seu trabalho, quando precisavam de algum bem de consumo praticavam o escambo e dessa maneira, eram poucas as expectativas de ascensão social.


Com chegada das primeiras indústrias manufatureiras houve uma mudança completa e profunda na estrutura social. As relações entre os empregados e os empregadores passaram a ser mais distantes e impessoais. A produção era o foco principal e o resultado final dependia do esforço conjunto de todos os trabalhadores. Isto porque cada trabalhador realizava uma parte do trabalho para que outro trabalhador fizesse outra. Essa forma de trabalhar não permitia que os trabalhadores acompanhassem o processo completo do produto até chegar no produto final. No entanto, recebiam um salário por esse esforço e embora pudessem melhorar sua condição de vida e mudarem seu status social (grande propaganda da industrialização), era ainda coisa para poucos.


Mais recentemente, nas décadas finais do século XX, chega a “globalização” e alterar tudo novamente. A globalização é um fenômeno dos mais significativos e importantes que já se viu na história da humanidade. Ela trouxe consigo o encurtamento das distâncias e a possibilidade de vivenciar os acontecimentos em tempo real. As relações ficaram cada vez mais íntimas e, por isso, prolonga o período de trabalho, modifica a maneira de exercê-lo. O local onde se realiza o trabalho também não está mais restrito a um determinado lugar (fábrica ou escritório) mas podemos trabalhar na rua, no ônibus ou em sua própria casa. O trabalho não está mais restrito a um determinado número de horas, pois o que vale hoje é o quanto o trabalhador produz. A competitividade aumentou significativamente e tornou-se inerente ao resultado final e ao mercado de trabalho.


Toda essa flexibilidade tem se tornado uma exigência crescente do mercado de trabalho. O trabalho flexível exige profissionais com formação especializadas e com aperfeiçoamentos constantes. E aí está uma nova forma de segregação social. A mão de obra especializada exige um alto investimento em cursos de formação e de especializações (que geralmente são caros), além do tempo disponível (porque esses cursos requerem processos de longo prazo). As pessoas das camadas sociais mais baixas não possuem recursos financeiros para custear seus estudos, nem tempo disponível para cursá-los, como exige o mercado de trabalho. Já os que se arriscam, conseguem galgar novos degraus na hierarquia socioeconômica.


O avanço tecnológico trouxe um novo modo de segregação social: a automatização na produção dos bens de consumo. Por automatização entende-se a aplicação de técnicas, softwares e/ou equipamentos específicos usados em determinadas máquinas com o objetivo de aumentar a eficiência e maximizar a produção com o menor consumo de energia ou de matéria-prima, com menor emissão de resíduos de qualquer espécie, melhores condições de segurança (material, humana ou informação) e reduzir o esforço e a interferência humana sobre os processos ou máquinas. A automatização é um avanço da mecanização, onde o trabalhador manipulava as máquinas para realizar seu trabalho.


A automatização é sem dúvida um investimento muito caro para as indústrias. No entanto, se torna um investimento viável em relação ao aumento da produção. Por outro lado, a empresa evita os custos com a mão de obra humana, já que uma minoria é especializada na operação dessas máquinas. Daí o aumento das demissões e as faltas de vagas.

A competitividade não se dá apenas entre os trabalhadores. As indústrias competem entre si, porque querem estar no topo dos rankings mundiais. Elas estão mais preocupadas com os lucros que podem obter do que com o bem-estar dos seus empregados. Mas a competitividade não para por aí. 

Os países também competem uns contra os outros. Os países que possuem profissionais mais qualificados e indústrias mais automatizadas são os mais produtivos e ricos. Enquanto isso, os mais pobres são os que tem pouco ou não possuem condições de ter. E são os países em que seus trabalhadores tem as piores condições de estudo e de trabalho.