OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

sexta-feira, 26 de agosto de 2016

O TRABALHO NA IDADE MÉDIA

Chega a Idade Média e com ela um novo regime: o feudal. O feudalismo (do latim “feodum”) continha uma nova ordem econômica, política e social.

O feudalismo se diferenciava por possuir uma estrutura social: a realeza, a nobreza, os camponeses e os servos. O território pertencia ao rei que o distribuía em lotes de terras entre os nobres da corte. A finalidade desta distribuição era a de garantir apoio militar, fazendo-a prosperar ou não.

A maior parte da população era constituída pelos camponeses. Homens livres, pobres, sem terras para trabalhar e que arrendavam pequenos terrenos dos senhores feudais que lhe cobravam impostos altíssimos. Os senhores feudais não só possuíam o direito de escolha dos pretendentes como também de expulsá-los de suas terras se descumprissem o prometido. Portanto, os camponeses e seu trabalho dependiam exclusivamente dos senhores feudais.


Os camponeses também pagavam tributos aos senhores feudais, mas podiam dispor das terras como quisesse, seja na construção de lavouras ou de comércio de artesanatos. Podiam também comercializar os frutos do seu trabalho. Podiam trabalhar como empregados de comerciantes da região e não ser considerado como servo ou escravo.

Os servos eram pessoas semi-livres. Trabalhavam nas dependências dos castelos e fortalezas. Eram obrigados a servirem seus senhores. E se ganhassem a confiança dos senhores. podiam ganhar terras para trabalhar como herança ou herdado de seus anteriores, embora não perdessem a condição de servos. Não podiam pretender a chegar ao status de camponeses, embora muitos tivessem mantido suas terras. Mas, quando os senhores morriam, os herdeiros tinham o direito de tomar as terras de volta se desejassem e obrigá-los a voltar ás obrigações de servos.

Mas não era de graça toda essa bondade, pois tinham que pagar os altos impostos como os camponeses. E para cultivar a terra, os servos precisavam de ferramentas, moinhos, depósitos e currais. Como não tinham condição para ter isso pessoalmente, os senhores feudais emprestavam-nas e cobravam altas taxas.
Os servos podiam ser vendidos, comprados ou trocados com outros senhores, sem que fossem avisados previamente. Era, portanto, uma espécie de escravidão sem o uso dessa nomenclatura. A relação econômica entre os senhores feudais e os servos era antagônica e irreconciliável, pois não permitia que eles ascendessem socialmente e sofriam muita opressão.

Dessa forma, economicamente um dependia do outro, pois tudo dependia da terra. Mas também foi uma época em que o comércio com povos de lugares distantes e de além-mar estava em franco crescimento. E o desejo de galgar novos espaços no cenário social fez com que os camponeses mandassem seus filhos aprenderem uma outra profissão junto aos comerciantes locais. Estava assim criada a primeira escola com cunho profissionalizante. E com ela, surgem as raízes da burguesia.

Mesmo assim, os progressos para a classe popular (camponeses e comerciantes) era difícil e demoravam muito para ascender a um nível social mais alto. A falta de propriedade (importante para a época) era o grande empecilho. Poucos conseguiam tal façanha, por conseguir juntar algum dinheiro por conta da força do trabalho pessoal e/ou familiar. Mas, mesmo assim, não tinham prestígio e sofriam com a miséria de parentes e amigos, sofriam humilhações e ouviam desaforos por parte da nobreza, dos senhores feudais, dos homens da ciência (alquimistas), da classe artística e da Igreja. Mas nada disso os impedia de sonhar com prosperidade e de ascensão social. Queriam, na verdade, que a vida fosse igual para todos, que todos fossem livres para trabalhar e conquistar coisas.



Foi devido a esse sonho que foi se estruturando uma resistência. Camponeses pobres e remediados, comerciantes ricos (burguesia), soldados e servos juntaram-se com objetivos diferentes e terminaram fazendo uma grande revolução: a “Revolução Francesa”, que tinha como lema a luta pela liberdade, fraternidade e igualdade para todos. 



E com ela, reis e rainhas foram presos, condenados e decapitados.  Os senhores feudais perderam suas propriedades, foram presos e condenados por exploração popular e sistema de escravidão. Uns morreram, outros foram exilados. E o povo ganhou vez e voz numa revolução que influenciou o mundo todo.

sábado, 13 de agosto de 2016

O TRABALHO (parte 1)


No início da vida, a força muscular era o bastante para a sobrevivência de todos os animais. Até que uma espécie sofreu uma lenta e importante transformação física e neurológica, que culminou nos hominídeos. Estes, vivendo isoladamente de seus iguais, lutavam pela sua própria sobrevivência. Tinham como arma apenas a força bruta para enfrentar as ameaças dos animais e contra as intempéries da inóspita natureza. Porém, ao perceberam que trabalhando junto, tudo ficava mais fácil. Uma nova transformação entrou em ação: a inteligência. Não era uma Inteligência como a que conhecemos hoje, mas os primórdios dela. Por isso, a força bruta ainda era importante.

Foi por meio dessa inteligência rudimentar que faz com que alguém usasse uma pedra, um pau ou um osso que estava por perto para afugentar um animal. Ação que, com certeza, foi imitada por seus semelhantes, que provavelmente mostraram a outros e foi passando de geração a geração. E assim foi até um belo dia, perceberam que se distanciavam e em muito dos animais. E surgem os primeiros “seres humanos”. Essa distância se deve a uma evolução da inteligência e que nenhuma outra espécie jamais conseguiria desenvolver.


Com a inteligência, desenvolveram as capacidades para aprender, observar, imitar, criar e inventar coisas. E com essas capacidades surgiram outras e mais outras. Tudo lenta e progressivamente. Porém, das capacidades surgiram também as habilidades, de trabalhar com as mãos, de comunicar-se com os demais, de criar utensílios para as longas migrações para obter comida e água fresca. E o pau, a pedra e os ossos atirados com força para uma defesa de si próprio ou do grupo, foram pouco a pouco se transformado em machados, facas e lanças e, algumas gerações mais adiante, se transformaram em arcos e flechas.

No início, a alimentação era instintiva. Pegavam um fruto silvestre ou caçavam um animal somente quando sentiam fome. No entanto, quando se tornaram homens entenderam que não havia necessidade de ir para lugares desconhecidos. Podiam ficar num lugar que gostassem e que a natureza daria o que precisassem, bastava observar com a natureza agia. Perceberam também que se a natureza fazia a parte dela, o homem também deveria fazer a sua. E resolveram plantar e criar animais e conservar, cuidar o que conseguiam.

No começo, dormiam onde dava. Depois, enfrentaram as cavernas e  viveram em tendas que, mais tarde, se transformariam em casas bem mais seguras.

A descoberta do fogo, a invenção da escrita por meio de desenhos e a fixação na terra foram marcos importantes para a evolução da espécie humana. Tão importantes que o trabalho que faziam se tornou uma ação natural, inata e essencial aos humanos. E a partir de então, os humanos passaram a cuidar e explorar a lavoura, a pecuária, a construção de moradias, o artesanato de todas as formas que sabiam e podiam.





O TRABALHO NA ANTIGUIDADE



Mas, os humanos sempre tiveram a necessidade e o desejo de facilitar sua vida e o trabalho que fazia. Mas os desastres naturais sempre aconteciam e os obrigavam a dispor melhor de suas reservas para aguentar esses momentos. Estas ocasiões sempre fizeram com que os humanos melhorassem seus instrumentos e criavam novas formas e hábitos para o trabalho.

Nos primórdios da Idade Antiga, um dos hábitos para facilitar o trabalho foi o uso da escravidão. Naquela época, o homem ainda não tinha a preocupação com o social. Agia inconsciente e instintivamente fosse para preservar seu território ou defender sua aldeia.








Naquela época, era considerado especializado, o escravo que sabia plantar e cuidar das frutas, das verduras e legumes. A criação de aves como a galinha, o peru, o faisão era outra especialização e quem sabia ambos os trabalhos e suas técnicas eram muito valorizados. E forma eles que instituíram o trabalho dos hortifrutigranjeiros. Devemos a eles também a invenção e melhoria do arado com rodas e puxados por tração animal. 







O trabalho escravo permitia construções de vulto, como canais, represas, construção de navios e prédios maiores (construção de templos e palácios) sem que os homens livres tivessem que desenvolver nenhum esforço físico. E como o trabalho sempre foi uma necessidade humana, estes se dedicavam ás artes e ás ciências.




Com a falta de interesse de ambas as partes, os  escravocratas deixavam de confiar nos escravos, nem colocar em suas mãos instrumentos mais delicados ou dar-lhes funções mais específicas. 

Com isso, o desenvolvimento que conquistaram foi diminuindo. Por outro lado, os homens livres mais pobres se uniram aos escravos para uma revolução social, mesmo que, muitas vezes, não falassem a mesma língua, nem tivessem os mesmos hábitos e costumes, nem os mesmos conhecimentos. Porém, com uma consciência da situação muito baixa e objetivos diferentes, formavam uma massa tão grande e poderosa que fez o regime escravocrata cair por terra.

quinta-feira, 28 de julho de 2016

A ESCOLA E O TRABALHO


A escola ocupa um lugar fundamental na vida dos estudantes. Mas também é um momento crucial na vida deles, porque a transição não é tão fácil quanto se imagina. Não é fácil porque tem seu ápice nos papéis da vida e do mundo dos adultos.

Para a sociedade, essa passagem significa uma mudança nos comportamentos que cada indivíduo deve assumir enquanto adulto, para manter ou mudar sua situação na estratificação social. Mas, as mudanças no comportamento são as que trazem mais dificuldades para os jovens. Agir como adultos, numa fase complexa como a adolescência, parece ser algo impossível para eles. E compreender as responsabilidades que envolvem tudo isto ganha, para muitos, um aspecto aterrorizante.

O processo de transição da escola vem mudando a partir de meados do século passado. Essas mudanças foram se tornando cada vez mais significativas com o crescimento econômico do pós-guerra. Não só no que diz respeito à legislação trabalhista de cada país, mas principalmente, no mercado de trabalho. Antigamente, bastava que os indivíduos soubessem cumprir uma determinada função (conhecimento técnico-operacional). Mas nas últimas décadas o mercado vem exigindo, cada vez mais, que os trabalhadores se atualizem constantemente, sejam mais flexíveis e adaptáveis diante das novas demandas do trabalho. Além disso, o profissional tem que ter personalidade firme e colocá-la a disposição do trabalho que executa e da empresa.

Essas novas exigências aumentou a inquietação e a fragilidade dos jovens, enfrentadas no mercado de trabalho. Normalmente no primeiro emprego, o jovem não sabe o que deve fazer ou como agir dentro da empresa. Mas se o jovem não tiver boa qualificação a situação se agrava.


A competição pelo emprego é sempre uma desvantagem para os jovens. A falta de experiência, pouca ou nenhuma qualificação específica para determinados tipos de trabalho, dificulta e aumenta o desemprego. Fato que tem virado um problema social.

Por isso, o período de transição da escola para o trabalho está cada vez mais longo e mais diferenciado. Sair da escola ao final do Ensino Médio no Brasil, ou o equivalente em outros países, não é garantia de ingresso no mercado de trabalho. É melhor do que aquele que pára no Ensino Fundamental (no Brasil) ou do Ensino Básico (em outros países), mas não garante a conquista de um emprego. Estes cursos são, apenas, o início de uma longa caminhada a ser percorrida.

Estes cursos apenas mostram o mundo das áreas que os jovens poderão atuar e onde os conhecimentos são gerais e básicos. Por isto, estudamos várias disciplinas, como a língua pátria e as línguas estrangeiras na área da Ciência Comunicação; a matemática e a física, na área das Ciências Exatas; a biologia e ciências na área das Ciências Físicas e Biológicas; a história e a Geografia na área das Ciências Sociais e assim por diante.

É por meio desse contato que os estudantes vão sentindo e percebendo suas facilidades e dificuldades nas diferentes áreas do conhecimento humano e de atuação no mercado. Há quem prefira as Ciências Exatas, outros se dão melhor com a Comunicação, ou a área das Ciências Sociais ou, ainda, tenham predileção pela área das Ciências Biológicas.

E cada uma dessas áreas tem suas subdivisões e cada uma dessas subdivisões possuem um mundo a ser descortinado e descoberto. Como por exemplo, na área da biologia encontramos a Medicina, Enfermagem, Zoologia, Botânica, Biologia Marinha, o Magistério etc. E dentro de cada uma, as especializações. Identificar-se com o ramo ou a especialização de cada área depende do que costumamos chamar de “VOCAÇÃO”, que nada mais é do que uma escolha pessoal.

Mas, em falando de vocação, há quem queira seguir outros campos de ingresso no mercado de trabalho, como a mecânica, o comércio, a marcenaria, a serralheria, a culinária, o vestuário etc. E mesmo aí, se não houver uma especialização, também não conseguirá o emprego desejado. E a maioria destas profissões necessita de cursos técnicos.



Mas a escola também prepara alguns comportamentos para o mercado de trabalho. Alguns ainda são comportamentos arcaicos, como por exemplo, o sinal tão usado nas escolas para a entrada, a saída e a troca de aulas. Arcaico porque eram muito usados nas fábricas do início do século passado.




Mas, outros comportamentos trabalhados pela escola são importantes e bem vistos nos dias atuais. São as tarefas e trabalhos com prazo de entrega. Estes trabalhos e tarefas ensinam a responsabilidade e a pontualidade, coisa muito exigida em qualquer emprego.

sexta-feira, 15 de julho de 2016

O AMBIENTE VIRTUAL E AS APRENDIZAGENS


Quando falamos do protagonismo dos alunos em sala de aula, logo se imagina um tumulto daqueles onde os alunos fazem o que querem, cada um procurando saber de uma coisa, falando ao celular com os pais ou com amigos etc. Mas não precisa acontecer assim desde que o professor prepare sua aula com objetivos a cumprir.


O conteúdo programático pode seguir como atualmente, só que os alunos terão um tempo para pesquisar em uma lista de sites confiáveis e fornecidos pelo professor e com os tópicos a serem abordados no trabalho. Podem ainda dividir um tema em partes e distribuí-los aos alunos em grupos e poderão trabalhar na escola ou em casa. Depois disso, abre-se a discussão sobre o tema, onde o professor avaliará se o conteúdo apresentado está dentro do foi estabelecido. Caso esteja, o trabalho prosseguirá. Caso não esteja, o professor dirá o que precisa ser refeito, ou complementado, sem que o trabalho todo tenha que ser reescrito.


O uso da tecnologia da informática permite um ambiente virtual em que professores e alunos podem aproveitar e contribuir para o aprendizado coletivo desde que o professor os instrua. As tecnologias facilitam o armazenamento, a distribuição e o acesso ás informações e não há impedimento algum quanto ao lugar onde o aluno pesquise. Além disso, propicia uma comunicação maior entre os membros do grupo. Com isso, o ambiente escolar se torna mais participativo e interativo entre os membros do grupo.

O ambiente virtual se torna adequado para a transmissão da informação e  não descarta a possibilidade de pesquisas ou consultas a jornais, revista, livros, enciclopédias e nem ao hábito de frequentar a biblioteca da escola ou fora dela.

Segundo Kenski (2003), “o homem transita culturalmente mediado pelas tecnologias do seu tempo”. E o ambiente virtual, mediado pelo professor, transforma as maneiras de pensar, sentir e agir dos alunos tal qual na sala de aula comum. Os principais objetivos do ambiente virtual são: a) facilitar o processo ensino-aprendizagem, b) estimular a cooperação e a interação entre os participantes do seu grupo ou com outros através de uma comunicação chamada “síncrona”, ou seja, o professor poderá criar e monitorar uma espécie de “chat” ou “bate-papo” para uma ou várias turmas.

Os alunos, em momentos diferentes, poderão acessar esse “chat” e trocar informações sobre suas pesquisas, fazer questionamentos e tirar dúvidas, trabalhar em grupos maiores, acrescentar novas informações ao trabalho e enviá-las ao grupo ou ao professor on-line. Caso o professor não saiba como fazer chat, poderá criar uma página numa das redes sociais com a mesma finalidade.

As atividades presenciais não estão descartadas.  E as pesquisas podem acontecer dentro da sala, no espaço de informática ou em casa. Mas as discussões e as apresentações dos trabalhos devem ser dentro da sala de aula. O mais importante é que a presença do professor e do seu conhecimento não são descartados. Aliás, tornar-se-á mais fundamental do que nunca, como planificador, consultor e orientador das aprendizagens. O que muda para o professor é que ele terá de ter um conhecimento maior de informática.


O que muda é a lousa e o giz que deixarão de ser o símbolo da escola por perderem a importância que tinham até o momento. Servirão apenas para pequenas anotações. Outra coisa que perdem o valor são os “cadernos”, pois os trabalhos serão realizados via computadores. A leitura (fonte de todo o conhecimento) e a arte de escrever bem e correto ganham vida nova e maior importância.

Outra tendência a ser extinta dentro da sala de aula é a indisciplina. Já perceberam como crianças e adolescentes se ficam atentos e concentrados ao mexerem na internet ou no celular? Pois então, se pesquisarem obterão dos alunos a mesma atenção e concentração.

Mas também é preciso que se reveja e reflita sobre o que disciplina. Alunos imóveis olhando para o professor? Aqueles que não falam, não interrompem para perguntar ou argumentar?  Aqueles que repetem o que o professor ou livro?


Para mim, indisciplina é a falta de respeito com o professor e com os colegas, com xingamentos ofensivos, tirando um “barato”, surrando os colegas, bagunçando e impedindo a aprendizagem dos colegas como vemos nos dias de hoje.

Evidentemente, haverá um vai e vem de conversas entre eles para discutirem alguns pontos do trabalho, poderão sair do lugar, irem á biblioteca. Seria isto indisciplina ou interesse pelo assunto? Segundo alguns teóricos essa movimentação é fundamental para o conhecimento, para a troca de informações, para manter vivo o relacionamen-to e a interação interpessoal e como forma de se expressar oralmente e manter vivo este tipo de comunicação. Mas para isso, é preciso que a escola e os professores se adequem a este novo tipo de disciplina.

sábado, 25 de junho de 2016

OS PROFESSORES DO SÉCULOS XXI




Ao contrário do que todo mundo pensa, o trabalho do professor não terminará com o protagonismo dos alunos. Ao contrário, ele será de fundamental importância. Apenas, sua função será remodelada para uma função mais nobre: a de orientador e desafiador das aprendizagens. O que termina com este novo modelo são as excessivas aulas expositivas e que serão transformadas em leituras, debates e comentários. 


O professor perderá a transmissão do conhecimento?


O professor nunca fará valer tanto o seu conhecimento como no novo modelo. Pois esse conhecimento lhe trará as bases dos argumentos a serem usados nas orientações, discussões, correções e avaliações do empenho e do trabalho dos aprendizes. O que perderá na verdade, apesar de já estar perdendo nos dias de hoje, é o conceito que ele é o “detentor do saber”.

Mas, porque mudar se está bom assim?

Bom para quem? Para a escola, para o professor ou para os alunos? Se está tudo bem porque razão reclamamos da indisciplina, do desinteresse, da falta de atenção? Ou será que a escola, como instituição, já não está atendendo às necessidades do novo tempo?

Os alunos estão (e cada vez mais) conectados com as infinitas informações e para isto basta apenas um clique. E eles levam seus celulares para a escola e, muitas vezes, atrapalham as aulas. Então, porque não dar um bom uso para esses celulares? Por que não usá-los para que os alunos façam pesquisas dos conteúdos escolares? 

O protagonismo estudantil constitui numa realidade bem diferente daquela em que o professor ensina. E a escola ainda lida muito mal com a ideia. As instituições educativas (escolas) precisam se reformular em suas estruturas e práticas e os professores terão, cedo ou tarde, que se acostumar com as novas propostas. 

Deixar de ser aquele que detém o conhecimento não é uma mudança fácil, mas também, não é impossível. Mas impedir que isto aconteça só atravanca as mudanças e os professores sofrerão duplamente: primeiro porque rema contra a maré dos tempos com classes de alunos insatisfeitos, e em segundo lugar, por ter que se adaptar a uma nova situação.

Há muitos professores que não dominam esse mundo digital enquanto isso, os alunos (inclusive os pequenos) estão nas redes sociais e buscam informações na Internet. Os professores contemporâneos precisam funcionar como técnicos e guias dos estudantes, orientando-os de forma multidisciplinar e não simplesmente como especialistas de uma única disciplina. Não precisa saber tudo, mas tem que estar antenado. A tarefa do professor do século XXI é o de ensinar o aluno a aprender a aprender, com liberdade, autonomia e responsabilidade.

Muitas escolas brasileiras já praticam essa ideia dentro das escolas com práticas tradicionais. E devem se alastrar por todo o país em curto prazo, diz Viviane Mosé. São os professores que, agindo de um modo mais coerente com o novo tempo e os novos alunos formarão seres mais úteis para a sociedade, pois estão formando pessoas mais pensantes, críticas e que acreditam em sua criatividade para mudarem as vicissitudes que a vida lhes impõe. 

Ninguém exige que estas mudanças aconteçam de uma hora para outra. Pode levar 10, 20 ou 30 anos. O que importa é dar os primeiros passos desde já.

sábado, 11 de junho de 2016

A ESCOLA DO SÉCULO XXI


Vivemos num mundo diferente do que era até bem pouco tempo atrás. As famílias, as regras religiosas, as sociedades, a visão de mundo e as formas de comunicação tem mudado para se adequar aos novos tempos. As mudanças foram rápidas devido ás novas tecnologias. Hoje temos acesso fácil e amplo à Internet por meio de tábletes, celulares ou do computador. e uma notícia, que levava muito tempo para chegar ao destinatário, hoje a temos em tempo real. O mundo tem ficado mais tecnológico, mais rápido e prático.


A única instituição que não mudou suas práticas foi a escola. Mesmo com modificações de métodos, sistemas apostilados de ensino, adoção de alguns equipamentos eletrônicos, educação inclusiva que lhe dá um certo ar de modernidade, bem lá no fundo, continua a mesma do passado, com aulas expositivas, avaliação por meio de provas e acreditando que os aprendizes são meros receptores e reprodutores do pensamento alheio.

A Constituição Federal Brasileira (artigo 205, caput) afirma que a educação se deve desenvolver o aprendiz plenamente, preparando-o para exercer seus direitos de cidadão e qualificá-lo para o mundo do trabalho. Será que a escola está cumprindo o seu papel? Se está, para que mundo os jovens estão sendo preparados? Para o passado ou para o futuro?

Sem dúvida alguma, a escola é a instituição educativa e social mais apta para completar a educação familiar. Sua ação é de formar e informar os conhecimentos conquistados pela humanidade, já que seria uma tarefa impossível abranger todos esses conhecimentos na educação familiar. Mas a escola, mesmo com ares de modernidade está longe de ser a escola deste novo século, porque está presa ao passado em sua prática. Por isso, precisa reformular de uma reformulação geral tanto dentro como fora da sala de aula.


E quem pensar que estou inventando esta novidade, engana-se. Esta ideia tem raízes antigas que datam dos final dos anos de 1970, surgida nos EUA, e amplamente divulgada no trabalho de Carl Rogers. Este estudioso e autor de vários livros e dentre eles, um mais específico denominado “APRENDENDO A APRENDER”, pregava o protagonismo dos aprendizes.

Mais recentemente, Rudá Riccdi, Antônio C. G. da Costa, a filósofa Viviane Mosé e outros nomes da atualidade, concordam que a escola precisa construir um novo modelo educativo. Um modelo com uma visão mais humanista e mais global dos aprendizes, eles propõem um modelo educativo em que os alunos sejam, verdadeiramente, os construtores do seu conhecimento.

E o que vem a ser “protagonista ou construtores do próprio conhecimento? Na escola como foi no passado (e ainda é hoje) o professor é o detentor do conhecimento, ou seja, quem sabe é o professor. E por saber, a tarefa do professor é a de transmitir esses conhecimentos aos aprendizes.

No protagonismo do aprendiz é exatamente o contrário. O professor lança um tema aos alunos, os alunos pesquisam individualmente ou em grupos em livros ou na internet (celulares, tabletes ou computador da escola ou de casa), discutem e tiram suas conclusões, fazem um trabalho escrito, apresentam para a turma e são avaliados pelo professor e pelos colegas por critérios pré-estabelecidos como por exemplo: interesse, participação, assiduidade, do interesse pelo assunto, pelo teor do trabalho, da apresentação e da pontualidade da entrega. E isto deve acontecer com todas as disciplinas. Em outras palavras, o aprendiz torna-se responsável por sua aprendizagem.

Mas para que isto seja possível é preciso que também haja uma reestruturação igualmente fora da sala de aula. É preciso que a escola fornecer espaços físicos (criando laboratórios e bibliotecas bem equipados, videotecas e computadores com acesso à internet, espaços esportivos para várias modalidades, para a iniciação política (como grêmios e associações estudantis) e oficinas de Artes para que os jovens aprendizes possam desenvolver seus talentos e que possam ter boas experiências.

Porém, somente a criação desses espaços físicos de nada resolve. É preciso que a direção e seus assessores, o corpo docente e a comunidade estejam engajados nessa proposta. Ou seja, todos falarem mesma linguagem e desejarem a mesma coisa. Seria, portanto, a “Escola Padrão FIFA”, tão desejado por todos os brasileiros.
É preciso também que este novo modelo seja aceito pela comunidade. E se todos desejam que a escola brasileira tenha um alto padrão educativo, não será difícil convencê-la. Além disso, o protagonismo do aprendiz é muito usado em países em que o sistema educativo é de alto padrão, como por exemplo, na Coréia do Sul, Portugal e Finlândia.

Então o professor não exercerá mais a sua função? Responderemos a esta questão na próxima postagem.

terça-feira, 31 de maio de 2016

OS ADOLESCENTES NA ESCOLA


Os seres humanos passam por várias etapas de desenvolvimento e de inúmeras redefinições da imagem corporal. A adolescência é apenas uma delas. Já passaram por algumas e outras virão.

Cabe aos adultos compreender que os adolescentes estão numa fase de redescoberta de si mesmo, de redefinições físicas, mentais, emocionais e espirituais, o que constituem uma etapa primordial para os jovens. E essa compreensão e entendimento deve permear a árdua tarefa de educá-los. Rigidez e permissividade excessivas não dão certo.

Muitos pais se chateiam porque os adolescentes por que  fazem questionamentos sobre os valores e crenças familiares aprendidos. Nesta fase, os adolescentes buscam uma identificação, algo que o torne único entre seus pares de mesma idade. E para isso, é preciso romper alguns vínculos, buscar autonomia e sentir-se seguro quanto seu modo de se perceber. E nessa busca, os conflitos são inevitáveis. Mas, não é só os valores e crenças familiares ou dos genitores que contestadas, mas os da sociedade também, já que ela segue padrões universais e coletivos.

Por isso, devem se agrupar e conviver com seus iguais. E a escola é o lugar perfeito para esse encontro por ser um local de acolhimento. Na escola, eles sentem-se mais à vontade para vivenciar e conviver com novas experiências e relacionarem-se com seus pares. Na escola, não aprendem só os conteúdos pedagógicos, mas principalmente, aprendem como enfrentar a vida que ainda está por vir.

Como aprendem sobre a vida? Comparando-se aos outros. Não é uma comparação sobre quem é mais bonito ou mais inteligente, mas comparam os valores, atitudes, sentimentos e a maneira como se relacionam com os outros. Após um tempo de comparações, tiram suas próprias conclusões e estas serão as bases que nortearão sua vida futura. São essas conclusões que dão início aos seus projetos de vida e a um código de ética próprio.

Muitos adultos chamam essa fase de “aborrecência”. Mas é porque, durante a infância e na puberdade os trataram como criancinhas. Agora já crescidos detestam serem considerados assim e desconfiam de quem os trata dessa forma. Muitos ficam ensimesmados ou adotam um grupo com o qual passam a maior parte do tempo e distantes da família. E quando chegam, as reclamações, as advertências, exigências dos pais, e muitas vezes, os castigos e agressões acontecem. Simplesmente, por falta de compreensão desta fase. Quem nunca ouviu um adolescente afirmar que “ninguém os entende”? 

Muitas vezes, ao falarem com os adolescentes sobre um determinado assunto, os genitores fazem muitos rodeios ou não deixam claro o que querem, ou por não saberem como dizer ou porque se sentem envergonhados de falar sobre aquele assunto. E esta é outra coisa que detestam. Eles gostam de objetividade, clareza e honestidade. E na escola, eles encontram isso. Professores e colegas falam abertamente sobre qualquer assunto e uns respondem as dúvidas dos outros.

Normalmente, os pais se acham “donos dos filhos” ou querem que apenas a sua opinião seja respeitada. E, como todo mundo, os adolescentes gostam de ser respeitados, compreendidos e amados pelas pessoas do seu em torno. E eles têm uma porção de ideias próprias que podem ajudar na solução de muitos problemas. 


Um adolescente não é um sujeito passivo ou submisso e que nada tem de bom a oferecer. Ao contrário, sua juventude os torna muito ativos, questionadores e destemidos para que possam construir novos conhecimentos e muitos potenciais a desenvolver. E, muitas vezes, os genitores nem se lembram disso, ou se lembram acabam por tolhê-los na tentativa de submetê-los a seus próprios pensamentos e desejos. E na escola isso não acontece, pois é instigado a expor suas opiniões desenvolvendo a segurança de falar em público, ao mesmo tempo que aprende a respeitar a opinião dos contrários. Ouvir o que o jovem tem a dizer é a chave da questão. 

Foucault falava do “poder do afeto”. Era um conceito que defendia a respeito das relações humanas. Agir com afetividade numa relação entre pessoas de todas as idades é tudo de bom. E é tudo o que os adolescentes precisam e querem. 

Pais, quantas vezes vocês ouviram o que seus filhos tinham a dizer um sobre determinado assunto? Ou vocês são daqueles que mal ele abre a boca e você logo o interrompe dizendo: “Cale a boca! Você não sabe nada”! 


Afetividade não é ser meloso, beijoqueiro ou elogiar a todo momento. Mas, agir com compreensão, atenção e sabedoria. E tudo isto significa “respeito”. E se você, pai, é do tipo que o interrompe, poderia se surpreender muito com os argumentos dele.

Toda comunicação é uma troca. Pais e filhos adolescentes trocam experiências quando conversam franca e abertamente. Ambos têm bons argumentos a serem aproveitados ou, pelos menos, servem para a reflexão de ambas as partes. 


O mesmo acontece na escola. Se você, professor, tem alunos que criam problemas, converse francamente com ele(s) e tenha bons argumentos. Sabe-se que bons argumentos mudam os comportamentos indesejáveis, além de serem importantíssimos para a construção do processo de aprendizagem, desenvolvendo o sensorial e a cognição (percepção, memória, interpretação, pensamento, crítica e criação) tão necessárias para aprender.