OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIVA


Quando uma pessoa se encolhe diante de alguém ou de uma situação dizemos que é tímida. Na verdade, esta situação é mais um acanhamento ou uma inibição. Desconfortável, é verdade! Mas, com o tempo, a pessoa perde o medo e enfrenta as várias situações que a vida apresenta.


A timidez ao contrário, é algo que impede ou interfere em várias situações e, principalmente, nas relações sociais e pessoais. Os sujeitos deixam de realizar seus objetivos pessoais ou profissionais por conta da timidez. As pessoas tímidas não confrontam a autoridade dos pais, professores e chefes no trabalho.

Mas, não interagem com todas as pessoas do seu círculo de atuação (classe, da escola ou do trabalho) É a pessoa que sente “vergonha” em situações específicas como pessoas estranhas, falar em público, ler em voz alta e emitir opiniões pessoais. Isto porque as pessoas realmente tímidas apresentam uma preocupação exagerada com o que os outros pensam dela, do que ela diz ou faz. Essa preocupação está relacionada com o medo do pensamento, das atitudes e reação das pessoas, ou seja, acham que as pessoas vão rir ou criticar do que ela pensa, diz ou faz. E isto pode ocorrer até com pessoas do próprio grupo familiar. Mas, este tipo de pessoa não tem comprometida a sua produtividade. Geralmente, são eficientes e produtiva. Em contra partida, possuem uma qualidade de vida mais pobre do que aqueles que não são tímidos.

Mas, há pessoas que exageram nessa timidez ou vergonha. Essa inibição ou vergonha acontece em todas as situações e impede a sua produtividade. Não conseguem fazer amigos, falar com estranhos, amedrontam-se diante da autoridade de alguém (pais, professores, chefes, colegas etc), ficam amedrontados quando falam em público, apresentam sentimentos de incapacidade e de pouca valia, possuem uma sensibilidade extremada a críticas e repreensões. Evidentemente se isolam e são solitários. Aí então, trata-se de um transtorno de personalidade esquiva.

POR QUE AS PESSOAS SÃO ASSIM?

Dizem os especialistas que algumas crianças já nascem com uma predisposição para a timidez. Mas dizem também que, apesar dessa predisposição, a maioria consegue levar a vida com uma qualidade estável.

Porém, quando na infância as crianças com essa predisposição possuem pais (um ou os dois) tímidos, a percepção que possuem de si mesmos é transferida para os filhos, porque os pequenos aprendem, por imitação, a ser como os pais. 

Por outro lado quando, os pais: 

a) SÃO AGRESSIVOS, os filhos passam a ver os outros como hostis, ou seja, que vão trata-los como os pais os tratam. 


b) quando submetem os filhos a CRÍTICAS E REPREENSÕES constantes seguidas ou não de humilhações veladas ou expressas em público, fazendo com que a autoestima dos filhos fique comprometida. 

c) quando os pais CRIAM SITUAÇÕES  QUE CAUSAM VERGONHA nos filhos, como as crises de embriaguez, condutas desregradas, brigas e separações, uso abusivo de drogas. 

d) quando os pais tratam os filhos com FRIEZA, ou seja, quando são incapazes de demonstrar sentimentos de afeto, podem colaborar que os filhos não adquiram a confiança em si mesmos.


De qualquer forma, apesar da predisposição, o comportamento e a atitude dos pais é fundamental para eliminar ou cultivar a timidez e, consequentemente, o transtorno de personalidade esquiva.

QUANDO A TIMIDEZ É UMA PATOLOGIA MENTAL?


Quando uma pessoa tem vergonha de si mesmo e da sociedade, isolando-se de tudo e de todos propositalmente e age diante de qualquer pessoa como antissocial radical trata-se de uma “misantropia”, ou seja, uma sociopatia escondida.

TRATAMENTO


No primeiro e no segundo casos o tratamento é psicológico. Nos dois últimos, o tratamento é psiquiátrico.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HISTRIÔNICA


O nome parece estranho, mas será muito fácil identificar este transtorno. Sabe aquelas pessoas que fazem, de qualquer coisa, um drama danado? Para elas, um pingo d’água parece uma tempestade e um corte no dedo, uma amputação.

São pessoas que exageram tudo e teatralizam qualquer situação. Elas são sempre as vítimas porque tudo acontece com elas. Por isso, acreditam que suas queixas são justificáveis. Mas, apesar disso, são pessoas exuberantes, animadas, de sensibilidade á flor da pele, que gostam de chamar a atenção para si mesmos e para o que acreditam vivenciar. 

São pessoas atraentes, encantadoras, vaidosas, e sedutoras. Por isso, fazem grande número de amigos. Mas, com a mesma facilidade que os fazem, também se distanciam deles por causa do constante mau humor, do ciúme e da inveja que sentem deles. Gostam de ser o centro das atenções, de receber elogios e aprovação. Não se incomodam em fazer escândalos, em ser incomum, em exibir-se ou expor-se demais porque, para eles, quanto mais plateia melhor. 


E quando não conseguem seu intento no papel de pessoa doente, logo mudam para o papel de pessoa sofredora ou de vítima de alguém ou de alguma situação, da pessoa coitada, ignorada pelos outros e da incompreendida.

Por outro lado, com uma sensibilidade exagerada são também pessoas que choram facilmente, que se magoam quando não lhe dão a atenção desejada, sentem mais inveja. Por causa dessa inconstância de sentimentos suas relações a vida com pessoas e com são difíceis pouco duradouras.


Pessoas com este transtorno de personalidade “enganam” a si mesmos e para os outros. Isto porque, pautam sua vida na busca da piedade e compaixão dos outros para manter seus problemas e necessidades em evidência. Em certas ocasiões, confundem a fantasia criada com a realidade. Esta confusão a faz acreditar, como reais, as próprias encenações.


Mas, não são assim porque querem, mas porque possuem um tipo de personalidade que as levam a agir dessa maneira. E para manter suas necessidades e desejos em evidência buscam como formas estratégicas: o teatro, a sedução e o exibicionismo para atingir seus objetivos. Daí haver uma certa intenção em manter esse comportamento, que é o de manipular as pessoas ao seu redor. Na verdade, estas formas estratégicas não passam de mecanismos de defesa para manter sua integridade mental.

O tratamento deste transtorno é psiquiátrico.

domingo, 27 de abril de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE HIPOCONDRÍACA


A hopocondria é uma doença psíquica e se caracteriza pelo medo de ficar doente ou de contrair uma doença grave. É claro que todos temos essa preocupação. Mas, no caso deste tipo de doença, esse medo é enorme, exagerado e constante que vai além do que se considera normal. Um medo que se transforma numa obsessão e faz com a pessoa (que está sadia) passe a viver como uma pessoa doente.

É importante lembrar que a pessoa com personalidade hipocondríaca não finge a doença imaginada. Ela realmente acredita estar doente, ela se autodiagnostica.


Uma das características da hipocondria é fazer com que a pessoa tenha percepções e interpretações erradas dos sintomas ou dos movimentos de defesa do organismo. O espirro e a tosse são exemplos desses movimentos de defesa do corpo.


Para o hipocondríaco, um espirro (mesmo que esporádico) significa “estar gripado”. A tosse poderá significar que esteja com pneumonia. E se estiver com espirros e tosse, logo imaginam estarem com tuberculose. Mas, não fazem nenhum tipo de exames, nem procuram uma orientação médica. E quando o fazem, não acreditam em resultados negativos para a doença que imaginam ter. Por isso, constantemente carregam ou tomam inúmeros medicamentos para combater as doenças que acreditam ter.

O DSM IV, o CID 10 classificam esse tipo de personalidade como transtorno emocional. Para esses documentos, a pessoa hipocondríaca faz com que suas emoções saiam do campo psíquico e as vivenciam no orgânico. Psicólogos e psiquiatras acreditam que este tipo de personalidade, no íntimo, deseja ficar doente, seja para chamar a atenção de pessoas de seu convívio, seja por ansiedade ou depressão.

É evidente que este medo exagerado traz sofrimento psíquico e orgânico. Psíquico, porque ela está sempre atenta ás doenças e seus sintomas. Orgânico, porque a ingestão de muitos medicamentos podem causar problemas de natureza física, por conta dos efeitos colaterais.

Esse sofrimento, na maioria das vezes, as impedem de fazer o que gostam como estudar, ir a festas ou faltam muito ao trabalho porque as dores são mais intensas, estão sempre muito cansados, sentem-se enfraquecidos, apresentam palpitações, falta de ar e tonturas e ficam muito pessimistas diante dos prognósticos que acreditam ter.

No entanto, no caso do transtorno de personalidade hipocondríaca, esses sintomas se manifestam em certos momentos da vida. Certos momentos ou situações favorecem o aparecimento desse comportamento, por isso, é chamado de “oportunista”. E isto não significa que as pessoas que possuem esses traços sejam realmente hipocondríacas.


A diferença entre a hipocondria e os traços de personalidade é o pessimismo e a constância do estado doentio. O pessimismo é intenso nos hipocondríacos e ausente em pessoas com traços de personalidade. Já a constância de sentirem doentes é frequente, enquanto nos traços de personalidade aparece de vez em quando. 

sexta-feira, 11 de abril de 2014

TRANSTORNO EXPLOSIVO DE PERSONALIDADE

Este transtorno também é chamado de “Transtorno de Personalidade Emocionalmente Instável”, “Transtorno Explosivo Intermitente” e “Síndrome de Descontrole Episódico”.

A marca deste transtorno é a impulsividade, ou seja, age de acordo com a explosão emocional do momento sem levar em conta a consequência dos seus atos. Todo ato impulsivo está subordinado a um comportamento emocional instável, ora com períodos de calmaria, ora com períodos de agressividade física ou verbal. São aquelas pessoas que costumamos definir como “de pavio-curto” ou “dos cinco minutos”.

Os acessos de raiva são frequentes e podem ficar mais sérias quando suas atitudes são criticadas ou impedidas pelas pessoas ao seu redor, chegando até a destruir o que encontrar pela frente, pois não conseguem dominá-la.


Outras características são: o sarcasmo (evidenciado pela ironia durante suas explosões verbais), a implicância, a amargura permanente e o adiamento de coisas que precisam ser realizadas (dificilmente entregam trabalhos escolares ou do serviço na data marcada).


Durante os períodos das crises, essas pessoas podem: 

1-fazer uso de bebidas alcoólicas, pois há uma suscetibilidade para a “embriaguez patológica”. Mesmo que a dose seja pequena, a pessoa fica transtornada, a raiva aumenta, as atitudes são bem mais agressivas. Depois, não se lembram do que fizeram ou disseram. Por isso, os familiares devem ficar atentos.

2-Furtar objetos (cleptomania) com ou sem valor monetário para uso pessoal ou não. 

3-Alguns são piromaníacos, isto é, ateiam fogo a propriedades, pessoas, animais ou objetos por puro prazer ou para aliviar a angústia.

4-Outros, partem para as jogos de azar ou fazem apostas. É o chamado “jogo patológico”.

5-Arrancar os pelos do corpo de forma que as falhas fiquem bem visíveis. E uma espécie de auto flagelo chamada de “tricotilomania”.

Apesar das crises, são pessoas simpáticas, educadas, interagem bem com os diversos grupos sociais e gostam de um bom papo. Mas, não reagem bem diante de frustrações, reagindo sempre com agressividade com o forte desejo de ferir pessoas e objetos. É quando descarregam a raiva. Muitas vezes, durante as crises de agressividade, as pessoas com este tipo de transtorno podem ferir mortalmente outra pessoa com agressões físicas fora de propósito, atacar pessoas estranhas e animais sem que haja um motivo justificável para isso ou causar acidentes automobilísticos (direção criminosa) e destruir brutalmente uma propriedade sua ou de outrem. 


Após as crises, vem sempre a auto reprovação (arrependimento) e a culpa. Estes sentimentos podem gerar diferentes graus de estados depressivos.

As consequências dos atos impulsivos fazem com que as pessoas sejam suspensas ou expulsas das escolas, percam o emprego, aumente no número de namoros e casamentos desfeitos por causa de relacionamentos difíceis e conflituosos, sofrem acidentes variados e muitas internações hospitalares, e envolvimentos policiais.


Estudos tem sido feitos sobre o esse transtorno. Esses estudos mostram que existem alterações eletro-encefálicas não especificadas no lobo frontal dessas pessoas, alterações estruturais ou funcionais do Sistema Nervoso Central, evidências de lesões irritativas e focais nos lobos frontal e temporal.

Portanto, o tratamento deste transtorno deve ser neurológico e psiquiátrico. É preciso salientar que nem todas as pessoas explosivas sofrem deste transtorno. Para que se diagnostique como transtorno, outros elementos precisam ser considerados e verificada a sua durabilidade ao longo do tempo e em vários contextos.

sábado, 5 de abril de 2014

TRANSTORNO PARANÓIDE DE PERSONALIDADE

O transtorno paranóide de personalidade NÃO É uma doença mental. NÃO É, nem pode ser confundida com a PARANÓIA. Ao contrário, é um modo de pensar, de sentir e de se relacionar com os outros e com a realidade. É uma maneira de ser do sujeito.  Gosta desse seu jeito de ser e se acha autêntico.

Este transtorno, como todos os outros de personalidade, independem do sexo (embora seja encontrado em maior número nos homens), da cultura ou do grupo social onde o sujeito está inserido. E seus sintomas aparecem no final da adolescência ou no começo da fase adulta.

CARACTERÍSTICAS DO COMPORTAMENTO


São pessoas de uma teimosia empancada, desconfiados ao extremo e dissimulados (não assumem o que fazem porque a culpa é sempre do outro) o que dificulta o convívio com familiares ou amigos.

São pessoas que valorizam e defendem suas ideias ferrenhamente e nunca mudam de opinião. Só o que pensam, dizem ou fazem está correto e são sempre os detentores da razão. Quando discutem sobre qualquer assunto, defendem suas ideias de tal forma que podem ser considerados como fanáticos por seus interlocutores.

Adoram fazer críticas e comentários dos outros. Mas, detestam ouvir críticas ou comentários a seu respeito. Quando isso acontece, ficam sempre na defensiva e respondem com ironia ofensiva e provocativa chegando, muitas vezes, ao insulto. E quem criticou ou comentou logo se torna seu inimigo.

Outra característica dessas pessoas é a desconfiança. Os outros (parentes, amigos, vizinhos ou conhecidos) são sempre vistos como uma possível ameaça. Acreditam que possam ser explorados ou prejudicados por elas. Por isso, estão sempre vigilantes e não exitam em atirar na cara que são infiéis, desleais ou mal agradecidos. Também são possessivos e ciumentos.

Nos relacionamentos amorosos ou de amizade parecem frios e distantes. Gostam de parecer objetivos, racionais e pouco emotivos.  Para essas pessoas, não existe no mundo pessoas que sejam merecedoras de sua dignidade e seus nobres sentimentos. Numa reunião familiar, por exemplo, após uma breve conversa, essa pessoa dá um jeito e fica sozinho num canto.

Se acham perfeitos e exageram em mostrar suas habilidades. Querem ser admirados e respeitados por sua inteligência, sagacidade e esperteza. Mas é, justamente neste ponto que reside o grande contrassenso deste transtorno. Na verdade, todo esse comportamento exagerado tem uma única razão: esconder o “medo que sentem do outro”.

As pessoas com este transtorno são extremamente fantasiosas. E acreditam tanto nas suas fantasias que não conseguem separar o que é real do que é imaginação. É essa dificuldade que os deixa inseguros. Temem ser abandonados ou rejeitados.

Muitas vezes, algumas situações banais do cotidiano podem ser interpretadas por esses eles como situações humilhantes, ameaçadoras, maldosas, hostis, enganadoras ou como rejeição, porque distorcem a realidade. E para saírem dessas situações desagradáveis adoram fazer teatrinhos dramáticos (sempre são as vítimas) e chantagens emocionais. Porém, em outras ocasiões, essas mesmas situações são consideradas normais e passam despercebidas.


Por causa da forma de personalidade as pessoas com esse transtorno são orgulhosas. Podem ser agressivas, hostis e violentas porque perdem facilmente o controle, deixando-se levar por seus impulsos.

O tratamento de pessoas com esse transtorno é psiquiátrico.