OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

domingo, 21 de setembro de 2014

PERTENCER

Nas décadas finais do século XX, várias conferências aconteceram em várias partes do mundo para discutirem os direitos das pessoas deficientes. Essas discussões foram longas e demoradas. Por fim, em 1994, na cidade de Salamanca (Espanha), todos os governos se viram obrigados a tomar providências práticas para que os deficientes tivessem seus direitos preservados.

Acessibilidade, educação e capacitação profissional foram (e continuam sendo) os direitos mais comentados. Mas existem outros  direitos implícito nessa declaração e que são pouco divulgados pelos governos, pelas ONGs, pela mídia porque não estão claramente expressos nos documentos. Por isso, muitos abusos ainda são encontrados.

O DIREITO DE PERTENCER



Todos os seres humanos ingressam num grupo familiar ao nascer. Óbvio, não é mesmo? Mas, nem todos os seres humanos sentem que pertencem a esse grupo por causa de certas atitudes. Uns se percebem pouco queridos ou rejeitados; outros, recebem toda sorte de agressão física ou verbal; alguns são considerados como as “ovelhas negras” da família; outros, são “os bodes expiatórios” das mazelas familiares e assim por diante.


PERTENCER é muito mais do que ESTAR no grupo. Pertencer é ser tratado como igual, ter as mesmas oportunidades, participar de tudo na vida familiar, ter o direito de expressar ideias, pensamentos, de extravasar sentimentos e de poder desenvolver habilidades que o preparem para a vida como acontece com os demais membros.



E se a discriminação acontece entre pessoas não deficientes, imaginem o que acontece quando ela está presente. Cegos, surdos e deficientes físicos podem ser poupados ou impedidos de se desenvolver plenamente, fazendo com que se sintam distantes do grupo familiar. Isto acontece por causa da forma como o grupo vê suas limitações. Mas, ainda assim, sofrem menos que os deficientes intelectuais.

Os portadores de deficiência intelectual, por possuírem um funcionamento cerebral mais lento que o comum, são considerados como inúteis, incapazes e, na maioria das vezes, como um fardo pesado.

Na relação com os deficientes intelectuais forças contraditórias se confrontam constantemente, como por exemplo: amor X ódio; vergonha X culpas, razão pela qual muitos deficientes intelectuais ainda permanecem marginalizados no interior do grupo familiar. Uma marginalização que pode ser verificada por restrições espaciais, por impedimentos na expressão de ideias, pensamentos e sentimentos ou por cobranças aquém ou além de suas capacidades.

Este antagonismo de forças data de muito longe. Forças que foram criadas a milênios e que foi sendo incorporadas ao comportamento humano. E  apesar dos conhecimentos que temos hoje, ainda nos deixamos levar por elas. É o que C.G. Jung chamou de “inconsciente coletivo”.

Nos primórdios da espécie humana, os povos eram nômades e dependiam de pessoas sadias para manter a sobrevivência da espécie. Dessa maneira, qualquer um que apresentasse uma deficiência era morto ou deixado para morrer à mingua. Na Idade Antiga, os deficientes intelectuais eram vistos como impuros por forças diabólicas e demoníacas. Uma impureza que trazia vergonha para a família e todos e seus descendentes. Na Idade Média, o advento do cristianismo trouxe uma mudança no modo de pensar. E o comportamento humano ficou mais humanizado. E em vez de matar, os deficientes eram deixados na “roda dos enjeitados” onde ficavam sob a tutela de padres e freiras.

Dessa época para cá, os conhecimentos e a modernidade transformaram o mundo. Mas os sentimentos mudaram muito pouco. Ficaram camuflados pela pressão social e justificados pelos sentimentos “de amor e de proteção”. E em nome desses sentimentos muitas barbaridades são cometidas.

Mais que ter um filho cego, surdo, manco ou paralítico, saber que é deficiente intelectual ainda produz nas pessoas sentimentos de vergonha, de incômodo e de culpas inconscientes, arraigados em cada um de nós e que são produtos do inconsciente coletivo.

Muitos grupos familiares ainda procuram “esconder” os deficientes intelectuais dos olhares de outras pessoas. Acreditam que agindo dessa maneira os estão protegendo. No entanto, provocam o isolamento, impedem aprendizagem e o contato social.

Mas, o direito de PERTENCER não se restringe apenas ao grupo familiar. Os deficientes devem sentir que pertencem do grupo escolar, da classe e da turma. Muitas escolas acreditam que, por permitirem a presença de deficientes intelectuais dentro de seus muros ou da sala de aula, estão promovendo o sentimento de pertencimento. Mas, não adaptam os currículos, não oferecem atividades condizentes com as limitações e capacidades desses alunos. E se o fazem, nas provas cobram os mesmos conteúdos dados aos demais. Mas, nestas circunstâncias, o que a escola faz é INCLUIR simplesmente.


PERTENCER é mais que INCLUIR. É integrar o sujeito deficiente intelectual de tal forma que ele se sinta parte do grupo. Que se sinta amado e respeitado em suas limitações e em suas capacidades pelo grupo. Um sujeito que pertence ao grupo não sofre bullying, tão comum nas escolas.


O mesmo acontece no trabalho. Uma empresa não deve contratar um deficiente apenas para cumprir uma exigência governamental e preencher um certo número de vagas da cota. Mas, para aproveitar seu poder de concentração diante de uma tarefa e de uma ação incansavelmente metódica.


Na vida em sociedade, os deficientes são cidadãos como outro qualquer. Com direitos e deveres como todo mundo. E uma sociedade que acolhe os deficientes como iguais não maltrata, não ultraja e não discrimina por seus estigmas ou por suas limitações. 

Deficientes intelectuais casando      -       medalhista em natação         


Portanto, garantir o direito de pertencer aos diversos grupos é obrigação de todos.



                                                 atuando como atores


bale realizado por deficientes intelectuais

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

DO QUE OS DEFICIENTES PRECISAM?

Toda criança, deficiente ou não, precisa basicamente de amor, carinho, alimentação, asseio pessoal e de cuidados médicos quando necessitarem. Mas, também precisam de regras claras e limites bem definidos.

A disciplina é uma das grandes preocupações que afligem todos os pais. Quando se fala em regras e limites logo se pensa em pais autoritários, que impedem a liberdade de ação das crianças e de falta de amor. Engana-se quem pensa desta forma.

Disciplinar é um ato de amor e de proteção. Colocar uma regra é estabelecer o que as crianças podem e o que elas não podem fazer. Quando as crianças não sabem o que podem e o que não podem fazer, fazem de tudo um pouco: gritam, agridem, desobedecem e testam a paciência dos adultos em qualquer lugar. E as regras são fáceis de serem colocadas. Basta dizer que NÃO PODE fazer determinada coisa. E uma vez estabelecida hoje, não pode ser modificada ou esquecida amanhã ou depois, porque  estará feliz ou cansado.


O estabelecimento dos limites está voltado para o bem comum e ao respeito ao próximo.  Ninguém pode agredir ao outro só porque ficou nervoso ou porque não conseguiu o que pretendia. E a criança que cresce sem limites não respeita ninguém e, mais tarde, não respeita as leis.

Uma criança bem educada e comportada é bem vista e bem aceita em qualquer lugar. Já a criança mal educada, que não sabe se comportar é evitada. 

Com as crianças deficientes é a mesma coisa.

O estabelecimento das regras e limites não precisa ser feito com gritos, surras e castigos. Fale baixo e firme de modo que a criança entenda que você está falando sério. Se você não afrouxar ou esquecer das regras e dos limites colocados, em pouco tempo eles estarão com um comportamento exemplar. Não esqueça de dar o exemplo, pois você é o modelo que eles têm e tudo o que você fizer será imitado ou copiado por seus filhos.


Tratando-se de crianças com deficiência (surdas, com problemas visuais ou com deficiência física) devem ser tratadas como qualquer criança sem deficiência, pois são capazes de compreender perfeitamente o que se ensina.

As crianças com deficiência intelectual, por terem um funcionamento cerebral um pouco mais lento, demoram um pouco mais para aprenderem. É preciso que se repita mais vezes.

Tenha sempre em mente alguns pontos importantes:

O primeiro ponto é o de que a idade mental dos deficientes intelectuais não corresponde com a idade cronológica. Normalmente, a diferença entre essas idades é de 2 (ou mais anos) a baixo dessa idade. Por exemplo: Se a criança tem 8 anos, seu entendimento e comportamento será, no mínimo, o de 6 anos (ou menos). Portanto, observe o comportamento de seu filho e exija dele, ações pertinentes a idade mental e, JAMAIS, pertinentes a cronológica. E não espere resultados imediatos.

O segundo ponto é NÃO PENSAR NO TRABALHO que terá ao ensiná-lo. Ao contrário, pense nos BENEFÍCIOS que isto trará a seu filho.

Caso precise chamar a atenção, NUNCA o faça quando estiver NERVOSA OU IRRITADA. Seja firme e constante, fale baixo e em particular, mas deixe claro que VOCÊ NÃO GOSTOU da atitude dele. NUNCA DIGA que não gosta dele, ou que aquela atitude fará você amá-lo menos.  Isto evita estados de ansiedade.

Caso a falta tenha sido grave e precisa de correção (castigo), lembre-se que para estas crianças, tudo precisa ser imediato e que seu raciocínio é concreto. NUNCA DIGA: “Amanhã você não assistirá a televisão”, “Á tarde você não irá mais ao parque”, “Você não irá ao passeio da escola na semana que vem”. Esses termos são muito distantes e abstratos para a compreensão dessas crianças.


AVERIGUE os motivos que o levaram a desobedecer uma regra ou a um comportamento indesejado. NÃO ASSOCIE CASTIGO com o dormir, comer, estudar, ler e outras coisas importantes e que devem ser prazerosas.

NÃO DÊ SERMÕES porque quando chegar ao meio, seu filho já esqueceu o motivo da repreensão. Os deficientes intelectuais não conseguem fazer a relação causa-efeito, por isso, precisam de ações imediatas.

Quando tiver um comportado adequado, RECOMPENSE com um elogio, com abraços e beijos, com uma bala ou bombom para reforçar esse comportamento.


E, quando menos esperar, você terá muitas alegrias e sentirá muito ORGULHO desse filho.

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

DEFICIÊNCIA: COMO OS PAIS DEVEM AGIR?


Passado algum tempo da informação de que o filho apresenta algum tipo de deficiência, os pais precisam agir com uma certa rapidez. A primeira ação é a busca por uma opinião médica. O pediatra é o mais indicado num primeiro momento. Diante da confirmação é ele quem passará a indicar os profissionais mais indicados para a deficiência do bebê.

Por que buscar essa opinião?


Primeiro, porque os pais querem uma explicação mais segura para o problema do filho. E quanto mais cedo tiverem essa “explicação”, melhor. Estamos falando de “diagnóstico do problema”, ou seja, do nome do que a criança tem.

É certo que algumas deficiências levam um tempo maior (anos) para serem diagnosticadas. Porém estas são as que trazem a expressão “não especificada” no rótulo (nome da síndrome).

Em segundo lugar, é compreensível que os pais queiram saber o que o filho tem. E quanto mais cedo souberem, mais rápido se acalmam e mais precoces serão realizados os tratamentos necessários, e livrando os filhos dos efeitos nefastos que algumas deficiências podem causar.

A cegueira, a surdez e a deficiência física são pontuais. Ou seja, atingem um órgão específico ou uma parte do corpo. Isto significa que estas deficiências não trazem outras implicações para a saúde física e mental do bebê. Cegos, surdos e deficientes físicos são pessoas inteligentes e que podem levar a vida normalmente independente de suas limitações.


Mas, a deficiência intelectual quase nunca vem sozinha. Dependendo do rótulo que lhe é dada (Down, West, Rett, Esquizencefalia, Angelman etc), podem vir acompanhada de uma série de outros sintomas (comorbidades) que, se não forem cuidados a tempo, geralmente agravam os efeitos da deficiência, a saúde e colocar a sobrevivência do bebê em risco. Um exemplo clássico dessa comorbidade é a Sindrome Cri du Chat que apresenta microcefalia, malformação da laringe e das orelhas, problemas na força muscular, retardo neuromotor e intelectual severo.

A deficiência intelectual pode vir ou não com estigma. Estigma são sinais visíveis e inconfundíveis da deficiência, como por exemplo, a Síndrome de Down. Já a Paralisia Cerebral leve não apresenta esse sinal.

Por outro lado, a deficiência nem sempre é descoberta no nascimento. Algumas são descobertas algum tempo depois (de 1 a 3 anos) e, geralmente, são os próprios pais quem percebe que a criança não está se desenvolvendo como as outras crianças. Uma dessas observações é a de o bebê não conseguir manter a cabeça firme sobre o pescoço após o terceiro mês de vida. E se isto passou despercebido, não conseguir sentar sem apoio após os 7 meses. Se isto acontecer, procure ajuda.


Outro caso clássico é a do autismo. No autismo (Transtorno de Desenvolvimento Global) a criança se desenvolve normalmente até um certo tempo (de 1 até os 3 anos) e depois, inesperadamente, esse desenvolvimento cessa. E o bebê deixa de reagir aos estímulos que reagia anteriormente.

Mas, ainda assim, os deficientes intelectuais podem levar uma vida mais próximo do normal possível, dependendo da comorbidade e das limitações impostas pela deficiência.

Portanto, informado no nascimento ou se os pais notarem que algo não vai bem, devem procurar ajuda profissional o mais rápido possível. Nada de ficar esperando porque a avó disse, a vizinha falou ou porque a comadre conheceu alguém que tinha um problema parecido e melhorou. Cada caso é um caso e com saúde não se brinca. O que pode ser tratado hoje, pode não ter mais jeito amanhã.

quinta-feira, 31 de julho de 2014

MEU BEBÊ É DEFICIENTE. E AGORA?


Toda pessoa sonha com um filho sadio, bonito, bem educado e com um futuro brilhante a sua espera. No entanto, esse sonho fica mais forte e mais presente no momento em que há uma gravidez na família. Não são apenas sonhos femininos. Há também os sonhos masculinos (do pai), dos avós e tios próximos.  Mas vamos nos ater aos sonhos do casal.

Os sonhos pessoais do pai e da mãe se misturam e se integram em projetos para o futuro do bebê. Torcer pelo mesmo time do pai,  ser doutor (a) como deseja a mãe, ser inteligente e tirar boas notas na escola, ser uma pessoa bem sucedida na vida, são exemplos de alguns desses sonhos.E eles crescem e adquirem mais força a cada mês durante a gestação. Sonhos que são sempre recheados de muita ansiedade.

 Enfim, chega o momento do parto e o bebê nasce. Pouco depois, chega a noticia de que o bebê é portador de uma deficiência física, sensorial ou intelectual. E o mundo desaba.  Evidentemente, uma notícia dessas é sempre um choque. 



E a partir desse momento, o casal passa por fases.

1ª fase- NEGAÇÃO DO FATO

A reação inicial é de incredulidade. Uma reação comum, previsível. Afinal, ninguém está preparado e a "ficha" não cai de imediato. É preciso ver para crer. diante da irremediável certeza, outras reações são igualmente comuns e esperadas: choro abundante, revolta, rejeição e visão pessimista do futuro. 

2ª fase: LUTO

É como se os pais recebessem a notícia do óbito do bebê.   Não do bebê real, mas do bebê idealizado e tão esperado. Isto porque os sonhos e os planos tecidos durante os meses de gestação ruíram. O bebê que imaginavam já não existe mais porque a realidade é outra e bem diferente. Esse luto tem a duração alguns dias.

3ª fase: CULPA. 
Nesta fase, os pais acreditam que fizeram algo de errado e estão sendo punidos por isso. Com ou sem motivos é assim que sentem ao buscar uma explicação, em si mesmos, para o fato real. Outras explicações como a de erros genéticos, falta de oxigenação cerebral, demora no parto, hereditariedade não fazem sentido para eles.

4ª fase: ACOMODAÇÃO ou CONFORMAÇÃO
Com o bebê em casa, o instinto maternal aparece. A princípio, é uma reação meio sem vontade. Mas, em virtude das necessidades de alimentação, higiene e de outros cuidados, as mães  passam a descobrir os "encantos" do pequeno ser e começam a reagir. Já com os pais a acomodação não é tão rápida. É uma fase que não tem um tempo definido para terminar. Pode ser breve, longa ou perdurar a vida toda.

5ª fase: INQUIETAÇÃO
As explicações que não faziam sentido na terceira fase, agora passam a fazer. Indicativos desta fase é a busca médica. Não se contentam com a opinião de um só médico, mas fazem questão de várias opiniões. Buscam também o auxilio de vários terapeutas. Leem muito sobre o assunto seja na internet ou em livros específicos. Querem um esclarecimento mais preciso  sobre o que aconteceu com o filho.

6ª fase: ACEITAÇÃO
Agora, já conscientes do "porque" aconteceu a deficiência do filho, estão aptos a aceitarem a deficiência do filho. A aceitação não é uma tarefa fácil. A aceitação supõe um trabalho de reforma  íntima pessoal, consciente e incondicional não só com relação a pessoa do filho,  mas a sua deficiência e a todas as consequências que advém dela. 

Nem sempre os pais chegam na fase da aceitação. Uma grande quantidade chega a inquietação e retorna para a fase da conformação. São aqueles que cuidam, levam aos médicos e terapeutas, batalham contra certos preconceitos, mas não conseguem aceitar plenamente a deficiência. Amar um filho deficiente e aceitar a deficiência do filho são coisas distintas. 

Pai e mãe podem estar em fases diferentes, como por exemplo, a mãe pode estar na fase da inquietação e buscar ajuda profissional enquanto o pai ainda está na fase da negação chorando e lamentando a morte do filho idealizado. O contrário também é verdadeiro. Quando isto acontece, os casais se desentendem, brigam e o casamento termina. Na maioria dos casos, o homem procura construir uma outra família enquanto que as mulheres ficam com os filhos deficientes.

domingo, 13 de julho de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE NARCISISTA

O nome deste transtorno refere-se a uma antiga lenda da mitologia grega: a do belo e orgulhoso NARCISO.


Narciso era um jovem muito bonito, tinha muitas ninfas apaixonadas por ele, mas desprezava a todas. Um dia, ao olhar seu próprio reflexo num pequeno espelho d’água, apaixonou-se pela imagem que viu. E ficou ali admirando-se. Sem comer e beber para não deixar a imagem refletida, definhou e morreu.

Conhecendo-se esta lenda pode-se compreender mais facilmente este transtorno que, por sinal é bastante invasivo, que pode começar na adolescência ou na juventude (o que ninguém dá importância por ser considerado como uma característica própria da idade), mas que se fixa na idade adulta como transtorno. Sua incidência é maior entre os homens e calcula-se que atinja de 2 a 16 da população diagnosticada clinicamente, o que corresponde a 1% da população geral.


As causas deste transtorno ainda não foram definidas, nas, o diagnóstico baseia-se em 9 características básicas.

A primeira característica é a necessidade de admiração. Aos sujeitos com transtorno de personalidade narcisista ama a si próprio em demasia e ao mesmo tempo, há uma falta de empatia na relação com os outros. Valorizam sua importância e suas realizações (sejam pessoais, estudantis e/ou profissionais). E, na maioria das vezes, esse exagero pode ser entendido como presunção ou arrogância.


A segunda característica é que fantasiam que são predestinados a todo tipo de sucesso, poder, de inteligência, de beleza e de amor e acreditam que estão acima do bem e do mal porque são pessoas perfeitas e dotadas de grandes qualidades. E por acreditarem nisso, são exigentes. Querem sempre o melhor e acham que os demais devem satisfazer esses desejos ou suprir suas necessidades.

A terceira característica é que com relação a sua autoestima. Com uma autoestima bastante ampliada acreditam que são admirados e invejados pelos demais. Acreditam que essas qualidades são ilimitadas e que os outros os consideram da mesma maneira. E quando isso não acontece do jeito que esperam, são implacáveis. Desvalorizam os demais com uma frieza e uma falta sensibilidade que impressiona. Jamais reconhecem que outra pessoa pode ser mais capaz ou mais talentosa que eles.


A quarta característica é a exigência da admiração excessiva. Mas, se a autoestima é exacerbada, ela também é frágil. Por isso, estão sempre preocupados em como os outros os vêm. Por isso, usam de artimanhas para receber elogios.

A quinta característica é a necessidade de intitulação. Gostam de ser bajulados, adulados, de receber tratamentos especiais e de ouvirem suas qualidades ressaltadas pelos outros. E ficam embaraçados e muito bravos se isto não acontece.


A sexta característica é a sua relação com as críticas. Não as aceitam em espécie alguma. Mas, constantemente criticam e enumeram as falhas dos outros. Esperam que as pessoas estejam sempre prontas e dispostas a servi-los. E se aproveitam, muitas vezes, para explorar a boa vontade dos outros, principalmente, se estiverem sobre sua chefia. Com bastante frequência, usurpam privilégios e recursos extras julgando-se especial.

A sétima característica é a falta de empatia. Não conseguem colocar-se no lugar dos outros e de perceberem que as outras pessoas possuem sentimentos, desejos e necessidades iguais ou mais emergenciais que as deles. Eles, e somente eles, são o centro de seus pensamentos e do seu bem-estar. Os sentimentos, desejos e necessidades dos outros são supérfluas, sinais de fraqueza e vulnerabilidade. E se aproveitam para se sobreporem ou desdenhar sobre eles. Guardam rancor também. Por isso, os relacionamentos sociais, profissionais e conjugais ficam prejudicados (8ª característica).


Da nona característica fazem parte a presunção e a arrogância. Apresentam atitudes imponentes e exigentes, muitas vezes camufladas de gentilezas e elogios. São implacáveis insolentes quando o rancor e a fúria se instala. Menosprezam os outros, mas bastante ardilosos para conseguirem o que querem (elogios, privilégios, admiração, etc.)


O tratamento deste transtorno é psiquiátrico. Estas 9 características definem o transtorno de personalidade narcisista de outros transtornos com características semelhantes. E se tornam mais graves quando outros transtornos agem em comorbidade (associados).

segunda-feira, 23 de junho de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE LIMÍTROFE


As causas deste transtorno são variadas. Geralmente, começa na infância e começa a se manifestar na adolescência e torna-se um padrão de comportamento ou uma condição mental no início da juventude.


Como causas temos as ambientais e as emocionais. Crianças que desde pequenas sofrem maus tratos, vida familiar desajustada e com pouca comunicação verbal entre os parentes próximos e as que sofrem abuso sexual ou emocional estão mais propensas a este transtorno.


Estes indivíduos tem um pensamento e consciência distorcidos do EU, ou seja, acham-se incapazes e inferiores aos outros, o que dificulta os estudos, o trabalho, os relacionamentos interpessoais porque se magoam facilmente, porque se colocam em desvantagem com relação ao companheiro (seja ele namorado, amigo ou parente próximo). Por causa disso, agem impulsivamente porque possuem uma péssima imagem de si mesmas. Essa distorção da imagem de si mesma pode levar a uma idealização do outro (a pessoa admirada tem sentimentos nobres e as melhores qualidades) ou desaprovação ou rejeição do outro.

Suas emoções são instáveis e turbulentas devido a experiências desagradáveis. Não conseguem fazer planos (estudo, trabalho, vida em comum com outras pessoas) porque não conseguem fazer planos a longo prazo. E se punem constantemente com auto-agressões, ou seja, machucam-se de propósito porque se sentem sozinhas, abandonadas e desprezadas e temem ser abandonados. 

 

Em casos mais graves, tentam o suicídio, sim, e pelo mesmo motivo. Por isso, precisam estar sempre acompanhados. Cerca de 20% deles, fazem uso abusivo de drogas ou do álcool.

Embora seja pouco conhecido, este transtorno é mais frequente em mulheres do que em homens. Com um baixo controle das emoções chagam a beirar os limites da psicose. O tratamento é psiquiátrico e é bastante longo. Em 20% dos casos, a hospitalização é necessária. Porém, melhoram com o tempo e com o tratamento, voltando a ter uma vida social equilibrada, produtividade no trabalho e estabilidade na vida conjugal.

segunda-feira, 2 de junho de 2014

TRANSTORNO DE PERSONALIDADE ESQUIVA


Quando uma pessoa se encolhe diante de alguém ou de uma situação dizemos que é tímida. Na verdade, esta situação é mais um acanhamento ou uma inibição. Desconfortável, é verdade! Mas, com o tempo, a pessoa perde o medo e enfrenta as várias situações que a vida apresenta.


A timidez ao contrário, é algo que impede ou interfere em várias situações e, principalmente, nas relações sociais e pessoais. Os sujeitos deixam de realizar seus objetivos pessoais ou profissionais por conta da timidez. As pessoas tímidas não confrontam a autoridade dos pais, professores e chefes no trabalho.

Mas, não interagem com todas as pessoas do seu círculo de atuação (classe, da escola ou do trabalho) É a pessoa que sente “vergonha” em situações específicas como pessoas estranhas, falar em público, ler em voz alta e emitir opiniões pessoais. Isto porque as pessoas realmente tímidas apresentam uma preocupação exagerada com o que os outros pensam dela, do que ela diz ou faz. Essa preocupação está relacionada com o medo do pensamento, das atitudes e reação das pessoas, ou seja, acham que as pessoas vão rir ou criticar do que ela pensa, diz ou faz. E isto pode ocorrer até com pessoas do próprio grupo familiar. Mas, este tipo de pessoa não tem comprometida a sua produtividade. Geralmente, são eficientes e produtiva. Em contra partida, possuem uma qualidade de vida mais pobre do que aqueles que não são tímidos.

Mas, há pessoas que exageram nessa timidez ou vergonha. Essa inibição ou vergonha acontece em todas as situações e impede a sua produtividade. Não conseguem fazer amigos, falar com estranhos, amedrontam-se diante da autoridade de alguém (pais, professores, chefes, colegas etc), ficam amedrontados quando falam em público, apresentam sentimentos de incapacidade e de pouca valia, possuem uma sensibilidade extremada a críticas e repreensões. Evidentemente se isolam e são solitários. Aí então, trata-se de um transtorno de personalidade esquiva.

POR QUE AS PESSOAS SÃO ASSIM?

Dizem os especialistas que algumas crianças já nascem com uma predisposição para a timidez. Mas dizem também que, apesar dessa predisposição, a maioria consegue levar a vida com uma qualidade estável.

Porém, quando na infância as crianças com essa predisposição possuem pais (um ou os dois) tímidos, a percepção que possuem de si mesmos é transferida para os filhos, porque os pequenos aprendem, por imitação, a ser como os pais. 

Por outro lado quando, os pais: 

a) SÃO AGRESSIVOS, os filhos passam a ver os outros como hostis, ou seja, que vão trata-los como os pais os tratam. 


b) quando submetem os filhos a CRÍTICAS E REPREENSÕES constantes seguidas ou não de humilhações veladas ou expressas em público, fazendo com que a autoestima dos filhos fique comprometida. 

c) quando os pais CRIAM SITUAÇÕES  QUE CAUSAM VERGONHA nos filhos, como as crises de embriaguez, condutas desregradas, brigas e separações, uso abusivo de drogas. 

d) quando os pais tratam os filhos com FRIEZA, ou seja, quando são incapazes de demonstrar sentimentos de afeto, podem colaborar que os filhos não adquiram a confiança em si mesmos.


De qualquer forma, apesar da predisposição, o comportamento e a atitude dos pais é fundamental para eliminar ou cultivar a timidez e, consequentemente, o transtorno de personalidade esquiva.

QUANDO A TIMIDEZ É UMA PATOLOGIA MENTAL?


Quando uma pessoa tem vergonha de si mesmo e da sociedade, isolando-se de tudo e de todos propositalmente e age diante de qualquer pessoa como antissocial radical trata-se de uma “misantropia”, ou seja, uma sociopatia escondida.

TRATAMENTO


No primeiro e no segundo casos o tratamento é psicológico. Nos dois últimos, o tratamento é psiquiátrico.