OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

sábado, 11 de junho de 2016

A ESCOLA DO SÉCULO XXI


Vivemos num mundo diferente do que era até bem pouco tempo atrás. As famílias, as regras religiosas, as sociedades, a visão de mundo e as formas de comunicação tem mudado para se adequar aos novos tempos. As mudanças foram rápidas devido ás novas tecnologias. Hoje temos acesso fácil e amplo à Internet por meio de tábletes, celulares ou do computador. e uma notícia, que levava muito tempo para chegar ao destinatário, hoje a temos em tempo real. O mundo tem ficado mais tecnológico, mais rápido e prático.


A única instituição que não mudou suas práticas foi a escola. Mesmo com modificações de métodos, sistemas apostilados de ensino, adoção de alguns equipamentos eletrônicos, educação inclusiva que lhe dá um certo ar de modernidade, bem lá no fundo, continua a mesma do passado, com aulas expositivas, avaliação por meio de provas e acreditando que os aprendizes são meros receptores e reprodutores do pensamento alheio.

A Constituição Federal Brasileira (artigo 205, caput) afirma que a educação se deve desenvolver o aprendiz plenamente, preparando-o para exercer seus direitos de cidadão e qualificá-lo para o mundo do trabalho. Será que a escola está cumprindo o seu papel? Se está, para que mundo os jovens estão sendo preparados? Para o passado ou para o futuro?

Sem dúvida alguma, a escola é a instituição educativa e social mais apta para completar a educação familiar. Sua ação é de formar e informar os conhecimentos conquistados pela humanidade, já que seria uma tarefa impossível abranger todos esses conhecimentos na educação familiar. Mas a escola, mesmo com ares de modernidade está longe de ser a escola deste novo século, porque está presa ao passado em sua prática. Por isso, precisa reformular de uma reformulação geral tanto dentro como fora da sala de aula.


E quem pensar que estou inventando esta novidade, engana-se. Esta ideia tem raízes antigas que datam dos final dos anos de 1970, surgida nos EUA, e amplamente divulgada no trabalho de Carl Rogers. Este estudioso e autor de vários livros e dentre eles, um mais específico denominado “APRENDENDO A APRENDER”, pregava o protagonismo dos aprendizes.

Mais recentemente, Rudá Riccdi, Antônio C. G. da Costa, a filósofa Viviane Mosé e outros nomes da atualidade, concordam que a escola precisa construir um novo modelo educativo. Um modelo com uma visão mais humanista e mais global dos aprendizes, eles propõem um modelo educativo em que os alunos sejam, verdadeiramente, os construtores do seu conhecimento.

E o que vem a ser “protagonista ou construtores do próprio conhecimento? Na escola como foi no passado (e ainda é hoje) o professor é o detentor do conhecimento, ou seja, quem sabe é o professor. E por saber, a tarefa do professor é a de transmitir esses conhecimentos aos aprendizes.

No protagonismo do aprendiz é exatamente o contrário. O professor lança um tema aos alunos, os alunos pesquisam individualmente ou em grupos em livros ou na internet (celulares, tabletes ou computador da escola ou de casa), discutem e tiram suas conclusões, fazem um trabalho escrito, apresentam para a turma e são avaliados pelo professor e pelos colegas por critérios pré-estabelecidos como por exemplo: interesse, participação, assiduidade, do interesse pelo assunto, pelo teor do trabalho, da apresentação e da pontualidade da entrega. E isto deve acontecer com todas as disciplinas. Em outras palavras, o aprendiz torna-se responsável por sua aprendizagem.

Mas para que isto seja possível é preciso que também haja uma reestruturação igualmente fora da sala de aula. É preciso que a escola fornecer espaços físicos (criando laboratórios e bibliotecas bem equipados, videotecas e computadores com acesso à internet, espaços esportivos para várias modalidades, para a iniciação política (como grêmios e associações estudantis) e oficinas de Artes para que os jovens aprendizes possam desenvolver seus talentos e que possam ter boas experiências.

Porém, somente a criação desses espaços físicos de nada resolve. É preciso que a direção e seus assessores, o corpo docente e a comunidade estejam engajados nessa proposta. Ou seja, todos falarem mesma linguagem e desejarem a mesma coisa. Seria, portanto, a “Escola Padrão FIFA”, tão desejado por todos os brasileiros.
É preciso também que este novo modelo seja aceito pela comunidade. E se todos desejam que a escola brasileira tenha um alto padrão educativo, não será difícil convencê-la. Além disso, o protagonismo do aprendiz é muito usado em países em que o sistema educativo é de alto padrão, como por exemplo, na Coréia do Sul, Portugal e Finlândia.

Então o professor não exercerá mais a sua função? Responderemos a esta questão na próxima postagem.

terça-feira, 31 de maio de 2016

OS ADOLESCENTES NA ESCOLA


Os seres humanos passam por várias etapas de desenvolvimento e de inúmeras redefinições da imagem corporal. A adolescência é apenas uma delas. Já passaram por algumas e outras virão.

Cabe aos adultos compreender que os adolescentes estão numa fase de redescoberta de si mesmo, de redefinições físicas, mentais, emocionais e espirituais, o que constituem uma etapa primordial para os jovens. E essa compreensão e entendimento deve permear a árdua tarefa de educá-los. Rigidez e permissividade excessivas não dão certo.

Muitos pais se chateiam porque os adolescentes por que  fazem questionamentos sobre os valores e crenças familiares aprendidos. Nesta fase, os adolescentes buscam uma identificação, algo que o torne único entre seus pares de mesma idade. E para isso, é preciso romper alguns vínculos, buscar autonomia e sentir-se seguro quanto seu modo de se perceber. E nessa busca, os conflitos são inevitáveis. Mas, não é só os valores e crenças familiares ou dos genitores que contestadas, mas os da sociedade também, já que ela segue padrões universais e coletivos.

Por isso, devem se agrupar e conviver com seus iguais. E a escola é o lugar perfeito para esse encontro por ser um local de acolhimento. Na escola, eles sentem-se mais à vontade para vivenciar e conviver com novas experiências e relacionarem-se com seus pares. Na escola, não aprendem só os conteúdos pedagógicos, mas principalmente, aprendem como enfrentar a vida que ainda está por vir.

Como aprendem sobre a vida? Comparando-se aos outros. Não é uma comparação sobre quem é mais bonito ou mais inteligente, mas comparam os valores, atitudes, sentimentos e a maneira como se relacionam com os outros. Após um tempo de comparações, tiram suas próprias conclusões e estas serão as bases que nortearão sua vida futura. São essas conclusões que dão início aos seus projetos de vida e a um código de ética próprio.

Muitos adultos chamam essa fase de “aborrecência”. Mas é porque, durante a infância e na puberdade os trataram como criancinhas. Agora já crescidos detestam serem considerados assim e desconfiam de quem os trata dessa forma. Muitos ficam ensimesmados ou adotam um grupo com o qual passam a maior parte do tempo e distantes da família. E quando chegam, as reclamações, as advertências, exigências dos pais, e muitas vezes, os castigos e agressões acontecem. Simplesmente, por falta de compreensão desta fase. Quem nunca ouviu um adolescente afirmar que “ninguém os entende”? 

Muitas vezes, ao falarem com os adolescentes sobre um determinado assunto, os genitores fazem muitos rodeios ou não deixam claro o que querem, ou por não saberem como dizer ou porque se sentem envergonhados de falar sobre aquele assunto. E esta é outra coisa que detestam. Eles gostam de objetividade, clareza e honestidade. E na escola, eles encontram isso. Professores e colegas falam abertamente sobre qualquer assunto e uns respondem as dúvidas dos outros.

Normalmente, os pais se acham “donos dos filhos” ou querem que apenas a sua opinião seja respeitada. E, como todo mundo, os adolescentes gostam de ser respeitados, compreendidos e amados pelas pessoas do seu em torno. E eles têm uma porção de ideias próprias que podem ajudar na solução de muitos problemas. 


Um adolescente não é um sujeito passivo ou submisso e que nada tem de bom a oferecer. Ao contrário, sua juventude os torna muito ativos, questionadores e destemidos para que possam construir novos conhecimentos e muitos potenciais a desenvolver. E, muitas vezes, os genitores nem se lembram disso, ou se lembram acabam por tolhê-los na tentativa de submetê-los a seus próprios pensamentos e desejos. E na escola isso não acontece, pois é instigado a expor suas opiniões desenvolvendo a segurança de falar em público, ao mesmo tempo que aprende a respeitar a opinião dos contrários. Ouvir o que o jovem tem a dizer é a chave da questão. 

Foucault falava do “poder do afeto”. Era um conceito que defendia a respeito das relações humanas. Agir com afetividade numa relação entre pessoas de todas as idades é tudo de bom. E é tudo o que os adolescentes precisam e querem. 

Pais, quantas vezes vocês ouviram o que seus filhos tinham a dizer um sobre determinado assunto? Ou vocês são daqueles que mal ele abre a boca e você logo o interrompe dizendo: “Cale a boca! Você não sabe nada”! 


Afetividade não é ser meloso, beijoqueiro ou elogiar a todo momento. Mas, agir com compreensão, atenção e sabedoria. E tudo isto significa “respeito”. E se você, pai, é do tipo que o interrompe, poderia se surpreender muito com os argumentos dele.

Toda comunicação é uma troca. Pais e filhos adolescentes trocam experiências quando conversam franca e abertamente. Ambos têm bons argumentos a serem aproveitados ou, pelos menos, servem para a reflexão de ambas as partes. 


O mesmo acontece na escola. Se você, professor, tem alunos que criam problemas, converse francamente com ele(s) e tenha bons argumentos. Sabe-se que bons argumentos mudam os comportamentos indesejáveis, além de serem importantíssimos para a construção do processo de aprendizagem, desenvolvendo o sensorial e a cognição (percepção, memória, interpretação, pensamento, crítica e criação) tão necessárias para aprender.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O DESAFIO DA ESCOLA


A escola surgiu para ajudar a família nos assuntos que a família não podia atender, ou seja, no desenvolvimento racional. Com o tempo, a escola passou a contar com a igreja e com outras instituições sociais para o desenvolvimento social e espiritual de crianças e de adolescentes. Com essas contribuições a escola passou a focar mais no racional e no cognitivo, principalmente, no que se referia aos adolescentes. E a escola cumpria o seu dever e o fazia muito bem.


Mas, com o passar do tempo, as coisas foram se modificando. Novas ideias surgiram e novos obstáculos também. As famílias foram se transformando pelas novas exigências sociais. As instituições religiosas passaram a cuidar mais da espiritualidade e impor mais suas regras. As instituições sociais rarearam e passaram a não servir a todos. E deixaram de ajudar a escola.


Embora essas mudanças não tivessem acontecido de repente, a escola foi incorporando para si os encargos que as demais instituições deixaram de fazer. Evidentemente, a escola se ressentiu pelo acúmulo de tarefas. Mesmo aos trancos e barrancos, a escola nunca deixou de cumprir sua função principal: o desenvolvimento racional e cognitivo.

Nas décadas finais do século XX surgiram novas mudanças tanto tecnológicas quanto sociais que atingiram o mundo todo. E a escola como ficou?


A escola passou a trabalhar num novo contexto. Diante das novas exigências, a escola enfrenta um grande desafio: o “educar integralmente” crianças e adolescentes.  Entende-se por educação integral dos adolescentes “acompanhar os alunos no seu desenvolvimento pessoal, social, espiritual e vocacional”. O que não é uma tarefa fácil.

Somam-se a essa tarefa, uma série de outros fatores que envolvem os adolescentes simultaneamente ás tarefas e exigências escolares e que não podem ser desprezados, tais como o consumo de álcool e drogas; a comunicação e informação globalizadas e acessíveis à maioria de crianças e adolescentes; a presença da televisão e da Internet nas casas das famílias; e o mundo da diversão e do mercado que a envolve.

Por outro lado, a sociedade espera cada vez mais da atuação da escola. A sociedade a vê como a única instituição capaz de cumprir esse desafio, através do ensino e da complementação ou suprimento o que a família e as outras instituições não conseguiram fazer.


Embora a Educação Infantil e a Educação Fundamental (1º ao 5ºanos) esteja se mostrando progressivamente mais eficientes, com uma educação mais integral porque o aluno passou a ser visto como um ser total que tem potencialidades e habilidades a serem desenvolvidas por meio de um programa escolar estimulante que as te tornado mais aptas intelectual, humana e socialmente em cada etapa. Tudo isto graças as teorias da psicologia, da neurociência e da própria pedagogia. Mais recentemente, têm surgido publicações sobre o desenvolvimento espiritual e religioso que ajudam os educadores a lidar com esses assuntos. Mas, infelizmente, esses programas ainda não alcançaram do 6º ao 9ºanos da Educação Fundamental, nem o Ensino Médio, que ainda está preso aos conteúdos acadêmicos.


A humanização desse tipo arcaico de ensino ainda fica a cargo deste ou daquele professor mais aberto ao diálogo ou de uma ou duas disciplinas que menos reprovam. E isto acontece justamente numa época em que os adolescentes passam por uma fase importante, conflitante e decisiva de suas vidas, como  as transformações físicas e hormonais da adolescência, a aceitação do grupo, o início da sexualidade ativa, a confirmação da personalidade, a escolha de uma profissão, entre outros problemas em que o emocional está abalado. Há muita incerteza sobre tudo e, principalmente, sem um conjunto de regras que os comande porque a família esqueceu-se de ensiná-las ou as confundiu com valores.


Os adolescentes é um ser humano rico, cheio de potencialidades a serem desenvolvidas e de habilidades incríveis que ele mesmo desconhece. Tudo isso é preciso ser despertado. Mas para isso, é preciso que seja olhado de uma maneira diferente, mais humana. Se nada for feito, poderá seguir por caminhos pedregosos e mais negros. E é na mudança desse olhar os jovens é que está o grande desafio da escola.

A escola tem que unir forças para se reconstruir para atender, desenvolver de maneira saudável esses jovens que vivem num tempo novo. Os jovens do século XXI precisam de educação e instrução, de regras claras e valores morais, sociais e espirituais. Mas também precisam de diversão, de experiências, vivências e convivências com seus pares e, para isso, precisam de atitudes, de responsabilidade, de ideias e ideologias para forjar outras, de novos projetos, debates e execução de tarefas e de muitos desafios que levam ás aprendizagens.


Cabe a escola reunir seus membros, fazer um bom projeto e executá-lo aplicando esse novo olhar. A escola não é somente um espaço de transmissão de conhecimentos, mas também de descobertas e de desenvolvimentos, de formação de boas atitudes e da quebra de preconceitos. E tem que avaliar continuamente sua ação e seus objetivos, de planejar e de replanejar sua programação, de criar ou experimentar novas metodologias sem medo e engajando todos os seus membros nessa luta sem tréguas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A FAMÍLIA E A ESCOLA NOS DIAS DE HOJE


As sociedades têm se modificado bastante ultimamente. E essas mudanças influenciam as duas principais instituições socioeducativas: a família e a escola. Primeiro, porque estamos inseridos numa sociedade e porque recebemos dela os conteúdos sociais que formam a cultura. E isto acontece de forma gradativa, constante e atinge todas as camadas sociais.

As mudanças influenciam as ações cotidianas tanto da família como da escola. E ambas precisam se adaptar a nova realidade para educarem e socializarem as novas gerações. A tarefa educativa é mais voltada para o comportamento. Já para a escola fica o desenvolvimento intelectual e a socialização dos educandos.

A escola é um instrumento educativo sistemático, intencional e progressivo, com método e planejamento antecipados enquanto que a família é um instrumento educativo assistemático, fragmentada, sem método ou sequência e as aprendizagens vão ocorrendo no dia a dia e os resultados aparecem mais rapidamente.

A relação família-escola é estreita. Embora sejam instituições diferentes e independentes, elas são dependentes entre si. Sem as novas gerações a escola não sobreviveria e sem escola as famílias não dariam conta da formação intelectual e a preparação para o trabalho.

A formação dos educandos tem um longo caminho a percorrer. No entanto, nesse trajeto percebe-se que a família e a escola passam por compassos e descompassos, principalmente no tocante: as estratégias, recursos comunicativos, conteúdos ensinados e aprendidos, na organização, nas exigências e na finalidade educativa. De quando em quando andam no mesmo compasso, mas nas últimas décadas estão no descompasso.

É quando estão distantes, no descompasso da ação educativa que os fracassos escolares acontecem. Muitas vezes, o descompasso parte da família que não cumpre ou falha no seu intento educativo. Outras vezes, o descompasso parte da escola. Esta, por ser uma instituição social e que deveria estar atenta ás inovações e alterações sociais, mantém-se numa posição tradicionalista. Assim enquanto a família avança a escola fica para trás, seja na sua finalidade, nas exigências, na determinação de condutas e posturas ou nos conhecimentos a serem transmitidos. E dessa forma ambas promovem igualdades e desigualdades entre os sujeitos, seja por classes sociais, raça, situação política, cultural ou religiosa. Mas também promovem inovações benéficas para a sociedade quando concordam com a finalidade educativa.

Há pontos de vista diferenciados como uma instituição vê ou percebe a outra. Nas camadas mais populares, as famílias valorizam a escola, mesmo apresentando modos diferenciados de educação da prole. A razão desta valorização é que a escola traz para elas a possibilidade de uma ascensão social para os filhos. Mas, com o passar do tempo, a desesperança chega sobre esse investimento. As dificuldades escolares aliadas à necessidade de se ocupar com um trabalho remunerado para o sustento familiar fazem ocorrer o êxodo escolar. As dificuldades enfrentadas pelas famílias desfavorecidas econômica e socialmente tornam a escolarização num sonho distante e difícil de alcançar.

Por outro lado, a escola também tem sofrido muitas dificuldades em aceitar as mudanças sociais e familiares e de perceber que estas mudanças exigem um novo comportamento, tanto nas questões dos objetivos propostos quanto para as novas exigências educativas.

Não se pode deixar de mencionar muitas famílias não conseguem educar adequadamente seus filhos e delegam à escola essa função. Por outro lado, a escola está abarrotada de funções (além das de praxe) para tentar cobrir esta falha familiar. Por seu lado, a escola se defende.

Críticas existem de ambos os lados. A escola ataca as famílias julgando suas incertezas e omissões quanto a tarefa educativa e as famílias atacam em reprimenda como falta de capacidade educativa da escola. A única solução viável a ser tomada para terminar esse conflito é a de escola e família se unirem neste momento crítico e debaterem civilizadamente os rumos que ambas devem seguir. A escola vem tentado há algum tempo essa aproximação, mas encontra resistência por parte das famílias

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A ESCOLARIZAÇÃO

Nas últimas décadas, os termos educação e escolarização tem se confundido por serem considerados como sinônimos. Mas, são bem diferentes. a Educação é dada na família e a escolarização ou instrução é dada pela escola. 

Diferente da educação familiar, a escolarização tem uma sistematização (organização, planejamento e método) para cada idade e para etapa do desenvolvimento do educando, tem constância e regularidade, começa com conhecimentos que vão do mais simples ao mais complexos e se estabelece numa relação de ensino-aprendizagens entre professores e alunos num ambiente apropriado e estimulador.


Escolarização é sinônimo de instrução, portanto. ESCOLARIZAÇÃO é a “transmissão dos conhecimentos” conquistados pela humanidade ao longo do tempo, numa relação de ensino-aprendizagens consciente e sistematizada e dada pelas Instituições de Ensino. Tem por objetivo complementar a educação familiar, transmitir conhecimentos e preparar para o trabalho.

A escolarização é uma relação em que os papéis dos envolvidos são definidos e conscientes. Isto significa que todo professor sabe que deverá cumprir o seu papel transmitindo conhecimentos e todos os alunos sabem que seu papel é o de receber esses conhecimentos.

É através desta consciência dos papéis de cada um, que alguns vínculos entre se estabelecem entres seus principais personagens, tais como os vínculos de amizade, de consideração e respeito por todos os envolvidos, do sentido de hierarquia, do reconhecimento e respeito ás diferenças individuais, do sentido de prioridade, de percepção dos próprios limites e do limite dos outros, de justiça, entre muitos outros.

Para que estes vínculos se estabeleçam, a escolarização depende do ensino dos comportamentos, valores e regras dados pela educação familiar. Por isso, quando a família deixa de cumprir (ou faz de forma equivocada) a Instituição Escolar entra em crise, por ser o primeiro grupo social que as crianças entram em contato fora do grupo familiar.

São exemplos bastante comuns em crianças e adolescentes:

a) as crianças que não aprenderam a lidar com regras, geralmente, são as que mais recebem repreensões porque fazem tudo do jeito que querem ou que tem vontade do que aquilo que é o jeito certo de fazer.

b) a falta de empatia (colocar-se no lugar da outra pessoa) pois, a falta de respeito (valor) para com os limites pessoais, intelectuais e físicos tem sido enorme e tem gerado o famoso bulying.

c) é a falta do sentido de hierarquia (comportamento) é outro que tem causado agressões verbais e/ou físicas violentas á professores e entre colegas quando opiniões simples são divergentes.

A escolarização ou instrução subdivide-se em etapas de acordo com o desenvolvimento intelectual dos educandos:


a) ENSINO INFANTIL (para crianças de 2 a 5 anos) visa adequar as crianças pequenas ao novo grupo social.


b) o ENSINO FUNDAMENTAL (para crianças de 6 a 14/15 anos) destina á instrução básica.  Ainda depende da educação familiar na aquisição da linguagem e das noções aritméticas como as diversas formas de contagens e da experimentação dessas noções pelo educando.


c) o ENSINO MÉDIO (para adolescentes) visa mostrar ao educando as diferentes disciplinas que representam as áreas do conhecimento e fazer o educando perceber qual delas mais lhes desperta o interesse.


d) o ENSINO SUPERIOR (para jovens e adultos) composto de “bacharelados”, que se destinam para a profissionalização do educando. Já os cursos pós-graduações, mestrados e doutorados, são especializações decorrentes da escolha profissional dos educandos.

Sérgio Lazzarini é PhD em Administração (nas áreas de Organização e Estratégia)
 pela John M. Olin School of Business, Washington University, 

e) os CURSOS DE LIVRE DOCÊNCIA (PHD), final da escolarização e exclusivamente para adultos, visa a “produção de um campo teórico” nas diferentes áreas do conhecimento, ou seja, adequado para a formação de cientistas.



No final do Ensino Médio, é que ocorre a passagem da escola para o mundo do trabalho. A preparação para esse momento ocorre por meio das regras e demandas escolares. É um momento difícil, complexo, nem sempre linear e que provoca grande tensão nos jovens. Além disso, enfrentam ainda outras situações complicadíssimas: a entrada no mundo dos adultos e a luta para conquistar o primeiro emprego.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A EDUCAÇÃO FAMILIAR

OS ADOLESCENTES E A ESCOLA (I)

A educação é dada pela família. São os pais que ensinam aos filhos os comportamentos, hábitos, crenças, valores (familiares, morais, sociais, éticos) e regras que deverão ser usadas na sociedade e no convívio com outras pessoas. Esses ensinamentos são passados de forma espontânea, informal e no dia a dia.


Cabe a família ensinar os comportamentos para que a prole se torne adequada ao tempo e a época, aos diferentes ambientes sociais e a cultura em que se vive. E o que se entende por isso? Os pais devem ensinar: “o respeito para com as pessoas”.

As pessoas não são iguais e, portanto, possuem as diferenças de gênero, físicas e de idade, possuem opiniões diversas e fazem opções de acordo com seus gostos e preferências, possuem crenças religiosas e culturais. Por respeito entende-se a compreensão, o entendimento e as atitudes de atenção e de generosidade para com elas.

Por hábitos entendemos aqueles comportamentos corriqueiros e que são básicos para a convivência humana, como os cumprimentos, higiene etc.


Quem não conhece esta frase tão popular? E ela tem sua razão de ser, pois os pais são os modelos que os filhos observam e imitam na infância e se apoiam na adolescência e na vida adula. Os pais devem ensinar, incentivar e cobrar dos filhos os valores familiares, morais, sociais e éticos como: respeito à propriedade alheia, ao direito dos outros, o respeito aos mais velhos, a tolerância com opiniões e opções divergentes (individuais e coletivas), a importância do estudo e do trabalho, do esforço e a perseverança (pessoal e grupal), a dignidade, do compromisso assumido e a honra da palavra empenhada dentre tantos outros valores humanos. Talvez estejam achando pieguice, mas não é. É fato, se queremos viver tranquilos e seguros numa sociedade tão sonhada.

O que se tem visto é que nossa sociedade tem se transformado, ao longo das últimas décadas, numa sociedade intolerante, intransigente, agressiva e egoísta porque os valores básicos têm sido esquecidos. O que se tem visto é o forte sobrepujando o fraco, a corrupção levando vantagem sobre a honestidade, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, tudo isto porque o “EU” sobrepuja egoisticamente sobre o “NÒS”.  Vemos “as puxadas de tapete” acontecendo entre irmãos na própria casa e entre colegas no trabalho, na política porque a justiça enfraqueceu.  Hoje, percebemos só tem valor quem se dá bem e quem tem mais poder de intimidação. Por isso, crianças e jovens caem nas drogas e no crime.

As regras também têm ficado esquecidas. Entende-se por “regra” tudo o que é permitido ou proibido fazer. Caso uma proibição seja desrespeitada, deve receber uma penalidade, que pode variar de acordo com a gravidade do ato cometido e da idade de quem o cometeu. 

Por que ensinar regras nessa idade?  Porque são elas que ensinam os limites e a responsabilidade de nossas atitudes. E porque, quando crescerem, poderão fazer tudo o que quiserem? Ou não terão que obedecer as regras de trânsito e as regras do país? Portanto, quanto mais cedo aprenderem, melhor será.

As regras e punições devem ser combinadas entre pais e filhos, devem ser claras para que a criança entenda e possa cumpri-las. No caso de crianças (até 8 ou 9 anos), as punições devem ser imediatas, da forma como foi combinada e sem mudanças de última hora por pena, choro ou birras. Logo elas entendem e melhoram o comportamento.

No entanto, muitos pais não conseguem “dizer não” aos filhos, pois não gostam de vê-los tristes e decepcionados. Para outros, dizer “não” significa “perder o amor os filhos”.

A vida não é, nem nunca foi, um mar de rosas ou de felicidades eternas. Constantemente, ficamos tristes, aborrecidos e até com raiva de algo (ou alguém) que nos impediu de realizarmos algo que queríamos muito. Mas isto é. num primeiro momento, um extravasamento dos sentimentos. Depois esquecemos e logo desejamos algo novo. E é isso o que as crianças precisam aprender. 


Quanto ao amor filial, os pais só o perdem se forem permissivos e condescendentes em demasia. Crianças e adolescentes sentem falta das regras e outros ensinamentos  e não se sentem amadas e são sempre muito infelizes.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

OS ADOLESCENTES E A ESCOLA

A adolescência não é somente um período de transformações físicas decorrentes do processo de desenvolvimento, mas também de transformações mentais, sociais, culturais e históricas. Cada geração vive o seu tempo em determinada cultura, em determinada sociedade. Assim como o adolescente de hoje difere do adolescente francês, norte-americano, chinês, russo ou africano, diferem também da geração anterior dentro do mesmo espaço cultural e social.


As sociedades vêm se tornando cada vez mais complexas. E em virtude dessa complexidade tem exigido muito dos jovens que se preparam para entrar no mundo adulto. A sociedade tem seu lado bom: maior acesso á informação por meio da internet, maior facilidade de comunicação, os fatos em tempo real, o encurtamento das distâncias geográficas. E o seu lado perverso: a violência (velada ou declarada), a exclusão social, as relações de poder em todos os setores (inclusive na escola), o aumento dos índices de gravidez e de abortos, a apologia do corpo saudável, da beleza estética e da moda etc e que são situações que causam impacto e geram conflitos.


Por outro lado, as estruturas familiares também têm se transformado muito e, aos poucos, vem perdendo sua característica milenar de composição, ou seja, formada pelo pai, mãe e filhos. Os homens, já não detém sozinhos o status de provedor pelo fato de que, cada vez mais as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho.  Os hábitos familiares, como por exemplo, o de estarem todos à mesa para fazerem juntos as refeições, tem sofrido grandes mudanças por alguns estarem no trabalho, na escola ou num compromisso extracurricular.


Os adolescentes, influenciados por essa sociedade, estão ávidos para curtirem a vida e sabem que precisam preparar-se para enfrentá-la. Os adolescentes de hoje estão com tempo mais curto para o convívio familiar, devido a inúmeros compromissos como: frequentar as academias, pratica algum esporte, fazer cursos de línguas, conversar on-line com seus pares, ir a festas e as baladas, o que não faziam as gerações passadas. Esses jovens acreditam que participando da vida com suas qualidades e defeitos poderão adquirir o conhecimento e desenvolver capacidades para enfrentarem o mundo adulto num futuro bem próximo.



Mas há um lugar em que poderão adquirir informação e desenvolver suas capacidades e adquirir as habilidades para enfrentar a vida adulta com risco mínimo. Esse lugar é a escola, um espaço de convivência, de relações interpessoais e de transmissão de conhecimentos.