OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

quinta-feira, 18 de maio de 2017

2º motivo: A ESCOLA



A escola é uma instituição antiga e vive de uma burocracia conservadora, cristalizada e institucionalizada. Sua modernização é difícil, resistindo a toda e qualquer mudança. É verdade que a escola, como instituição, adotou a introdução das novas tecnologias, experimentou novos métodos, tem contratado pessoal especializado. Mas, e a essência? O sentido filosófico da educação? Onde está base fundamental? Isto não mudou. Continua sendo burocrática, com aulas centrada no professor e estritamente expositivas, avalia por provas e notas e iguala a todos (deficientes intelectuais, os alunos com dificuldades de aprendizagem e os chamados “alunos normais”) no mesmo patamar.

Infelizmente, a escola ainda não percebe que todo seu corpo discente é diferente uns dos outros e desconsidera as habilidades de cada um apesar dos avanços da neurociência. E com isto, mais exclui do que inclui.

A novidade do momento são as escolas inclusivas. Incluir é aceitar entre os alunos os deficientes de todos os tipos. E isto ela tem feito por força da lei. Há bem da verdade, muito a contragosto. Mas depois de incluídos, o que vem a seguir? Deveria ser a INSERÇÃO, que nada mais é, fazer essas pessoas como parte da turma com planejamento, currículo e atividades adequados a cada caso. E isto não está sendo feito.

Mas, apesar de tudo, é o lugar preferido dos alunos, especialmente dos jovens. Lá encontram seus pares de mesma idade, fazem amizades, agrupam-se, vivenciam experiência positivas e negativas, adquirem uma certa liberdade de ação que não encontram na família. E com eles aprendem e se divertem ao mesmo tempo.
Durante suas conversas falam um pouco de tudo: de seus problemas pessoais e familiares, fazem fofocas dos colegas e amigos, brincam uns com os outros, bagunçam em grupos e percebem que não estão sós no mundo. Entendem que os amigos e colegas passam pelos mesmos problemas que eles passam.

Percebem também que são diferentes uns dos outros: uns mais expansivos, outros são menos ou mais extrovertidos, que uns preferem guardar seus segredos para si mesmos e outros que mal chegam e já vão falando. Uns gostam de “bagunçar” enquanto outros preferem os estudos. Uns tem objetivos claros para o futuro enquanto outros, nem sabem o que querem. Uns já tem seus pontos de vistas formados enquanto outros nem sonham com isso.

Os adolescentes não gostam de serem tratados como crianças, que já não são, nem como adultos, que ainda não são. Será que a escola entende isto?

A adolescência é uma época única na vida de cada um. Uma época de muitas dúvidas e incertezas em oposição com certas certezas e autossuficiência. Uma época extremada da vida, do tudo ou nada. Tudo vivido com muita intensidade. Por isso, estão profundamente tristes num momento para no seguinte, estarem extremamente alegres e felizes. Gostam de se isolar dos familiares, mas preferem os grupos de colegas e amigos.

Curtem as tecnologias e as manejam como ninguém. Muitas vezes, até abusam do uso delas e sentem-se poderosos.

Mas também são cruéis entre eles. Falam face a face o que pensam e o que sentem uns dos outros. Criticam os outros com facilidade e não gostam quando são criticados pelos colegas.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

COM SUA LICENÇA

Devo explicar a interrupção do tema que vínhamos tratando sobre o trabalho e sua implicação na vida dos jovens. Há semanas venho querendo abordar um novo assunto que, como educadora e terapeuta, não posso e não quero me omitir.

Há uma série na Netflix, chamada“13 Reasons Whay”. Acredito que a maioria de vocês já tenha assistido. É um filme triste, realista e que mexe com a gente. O filme conta a história de Hannah Baker, uma bela, simpática, estudiosa e inteligente jovem de 16 anos, que cursava o Ensino Médio, nos Estados Unidos. Uma garota que tinha um futuro todinho a sua espera e que poderia ser brilhante. No entanto, Hannah dá cabo de sua própria vida como uma forma de amenizar a dor e a angústia que vivenciava. Mas não é do filme que quero discutir com vocês. 

Quero tratar dos motivos que leva um jovem a praticar tal ato: como a família, a escola, os amigos, a sociedade em geral.

A FAMÍLIA




Todos sabemos que, quando nascemos, já estamos inseridos e inclusos num grupo social que é a família. E cabe a esse grupo a difícil tarefa de nos educar. Entende-se “educação familiar” como um preparo para a vida, tornando os filhos fortes o suficiente para que possam superar sozinhos as inúmeras dificuldades que a vida impõe. E para isso, é preciso educar não só os comportamentos como o seu emocional para enfrentarem sucessos e fracassos. Frustrar os filhos de vez em quando é um bom exercício educativo.




Mas há famílias que entendem que as frustrações deixam seus filhos tristes e vulneráveis. Por isso, fazem de tudo para agradá-los. Dão tudo o que querem, fazem coisas por eles, para eles e no lugar deles. Muitas vezes, até falam por eles. Este é o modelo educativo baseado na superproteção, que não deixa de ser um modelo antinatural. Geralmente é escolhido por pais inseguros e que veem na dependência do filho, a sua imagem e semelhança.

Cada pessoa tem sua individualidade. E a superproteção impede que o filho conquiste sua autonomia. Já repararam como as crianças ficam com um brilho a mais nos olhos quando fazem algo sozinhas? É esse olhar brilhante que nos permite observar se estamos educando direito.


Há famílias que terceirizam a tarefa de educar. São aquelas que deixam a educação dos filhos na mão de uma terceira pessoa (avós, tios, babás, irmãos mais velhos...). São os filhos de pais ausentes, que curtem os filhos apenas nos bons momentos e por um breve período de tempo. Estes pais, sempre muito ocupados por inúmeros compromissos de trabalho ou sociais, não conhecem intimamente seus próprios filhos. Não sabem quando estão tristes, infelizes, não cuidam deles num momento de doença, não sabem do que gostam, do que detestam e muito menos do que sentem. Não os observam, nem prestam atenção neles, preferindo que estejam longe de suas vistas. São pais que gostam mais de si mesmos e preferem “comprar” o amor e carinho dos filhos enchendo-os de presentes (geralmente caros). Nunca vão á reuniões, apresentações e festas escolares. Os filhos estão sempre sozinhos (distante dos pais). E reclamam, enciumados, porque os filhos gostam mais da pessoa que o educa. E alguns, nem se importam com isso.

Há ainda famílias que buscam certos modelos educativos vistos e entendidos como patológicos, como o relacionamento simbiótico ou a rejeição declarada.


No relacionamento simbiótico, os filhos são vistos como uma extensão dos pais. Não admitem que os filhos possuem suas próprias características, desejos e necessidades, ou seja, não possuem individualidade. Para estes pais, os filhos gostam do que eles gostam, querem o que eles querem, sentem o que eles sentem.

                                               Já descobriu a ovelha negra?

Já na rejeição declarada um dos filhos é escolhido para ser a “ovelha negra da família”. Geralmente é aquela criança que se rebela diante do controle dos pais. Retruca sobre as ordens dadas e apronta mesmo sabendo que não deve fazer alguma coisa.  Por causa disso, tudo o que acontece de forma desagradável a culpa sempre recai sobre ele, mesmo que tenha sido outra pessoa que fez algo de errado. E inconformado com a bronca (ou surra) repete o feito para provocar nova situação.

Não digo que nestes modelos, não haja amor por parte dos pais, nem daqueles abandonos por necessidade financeira em que os pais precisam deixá-los sozinhos ou com os irmãos, para buscarem o sustento. Eles amam os filhos, sim. Mas do seu jeito. Imaginem estas crianças convivendo com estes comportamentos paternos cotidianamente por 15 ou 16 anos a fio? E será que os filhos entendem esse jeito de amar? Como você se sentiria se fosse você?


Carência afetiva

Isto sem contar com a rejeição total. São aquelas que abandonadas ao nascer ou depois de maiorzinhas, que convivem em abrigos ou nas ruas. Estes vivem como podem e seus modelos educativos geralmente são os de outras pessoas e que nem sempre são os melhores exemplos a seguir. Ou, se estão numa família, a rejeição acontece por terem pais que fazem uso de álcool, de drogas pesadas ou por querem se livrar de uma situação complicada. Este é o único modelo educativo em que o amor não existe.

Costumamos ouvir dos psicólogos, que as crianças são emocionalmente mais fortes do que imaginamos. Muitas sobrevivem a tudo isto e se mantém emocionalmente estáveis com uma coragem de dar inveja. Mas nem todos são assim. Geralmente são crianças emocionalmente frágeis, depressivas, instáveis, irritadiças e sentem muita dor emocional porque as frustrações e a infelicidade transformam-se uma dor na alma que se reflete no corpo. E, se sobrevivem na infância, na adolescência ainda fica tudo pior, com novos problemas que se somam a estes, como as mudanças físicas do corpo, as mudanças hormonais e as mudanças psicológicas da idade. E, por isso, entram nas estatísticas como alto nível de risco.

domingo, 16 de abril de 2017

A DIFÍCIL ESCOLHA DA PROFISSÃO


Ao final do Ensino Médio, muitos jovens ficam ansiosos prestar o vestibular e entrar para uma das tantas Universidades e Faculdades existentes. É uma época difícil na vida desses jovens, porque deverão escolher o rumo de suas vidas, ou seja, a escolha de sua futura profissão.

Antigamente, essa escolha eram os pais quem decidiam a profissão dos filhos. Era como se fosse algo herdado, uma continuidade de um negócio ou de uma carreira familiar que durava por gerações. Se o pai fosse médico ou advogado os filhos também seriam. O mesmo acontecia fosse um negociante ou lavrador. Não importava se o filho queria optar por outro segmento profissional. Era assim e pronto. Sem dúvidas e incertezas.


Ainda bem que hoje em dia já não é mais assim. Uma boa parte dos jovens que estão terminando o Ensino Médio já sabem o que querem ser na vida. Mas isto não acontece com todos os jovens. Outra parte nem se decidiu sobre o que pretende fazer profissionalmente. Uma parte menor estão indecisos entre duas ou três profissões e não conseguem se decidir por uma. Mas não podemos criticá-los. Escolher uma carreira profissional aos 17 ou 18 anos de idade, não é uma tarefa fácil.  E nas últimas décadas tem ficado mais difícil ainda.

Essa indecisão se deve a alguns fatores importantes: a questão econômica, a área de interesse, aceitação social e o mercado de trabalho. 


A questão econômica é a que mais traz dúvida se incertezas aos jovens. Muitos querem ajudar suas famílias e, por isso mesmo, ficam em dúvida sobre a profissão que lhes traga um retorno financeiro mais rápido.


O segundo item é a área de interesse. Um jovem pode ter interesse em música ou artes, mas por problemas de ordem financeira podem optar por construir uma profissão que lhe traga o retorno esperado, mas que não lhe traz o prazer desejado.


A escolha profissional pretendida tem que ser aceita pela sociedade. Ou seja, o jovem deve escolher uma profissão que agrade a si mesmo, a família, seu círculo de amigos e a sociedade em geral. Isto significa, que a profissão pela qual se decidiu deve lhe trazer algum status social.

Muitas vezes, a profissão escolhida está com o mercado de trabalho saturado de profissionais. Arranjar um emprego nessa área fica cada vez mais difícil por causa da concorrência. Dessa forma, se o ramo escolhido estiver saturado ele precisará lutar muito para obter o retorno rápido que deseja.

E é, por causa desses fatores, que os jovens ficam ansiosos, indecisos e angustiados. Por outro lado, também enfrentam alguns preconceitos da sociedade e do mercado de trabalho. Uma delas é o renome da Faculdade ou da Universidade que pretende se escrever. Quem estuda na USP (Universidade de São Paulo), na Unicamp (Universidade de Campinas), Universidade Mackenzie), por exemplo, é admirado por todos. No entanto, aqueles que cursam em faculdades menos conhecidas são vistos com desconfiança quanto a sua capacidade. E isto não tem nada a ver, pois quem faz a capacidade é o aluno e não a faculdade.

Supondo que um aluno entre na USP e não entregue os trabalhos pedidos, que lê com atraso os textos pedidos e outro aluno que curse uma Universidade desconhecida, mas entrega tudo no prazo, que estude dia e noite e saiba mais que o aluno da USP, responda: qual deles será o mais capaz de desempenhar melhor a profissão? Mas infelizmente, não é assim que funciona. O nome das Universidades ainda possui grande peso. Por outro lado, as profissões mais admiradas pela sociedade são aquelas que ela julga serem mais “difíceis”, como Medicina e Direito, por exemplo.


Além da ansiedade, tem também a dúvida. E se perguntam: Dará certo?  É isso mesmo o que quero fazer na vida? E se não der certo? E se eu não gostar de tal profissão, terei de aguentá-la para sempre.

É preciso que se diga a esses jovens que nada é definitivo nesta vida. Dar certo ou não depende do esforço e do empenho de cada um. Que nesta idade, as dúvidas são constantes para todo mundo. E se pensar numa carreira e durante o curso superior não gostar, pode mudar de curso numa boa. E mesmo depois de formado, também pode mudar de profissão dentro da área escolhida ou escolher uma outra profissão totalmente diferente. Ele ou ela não será a primeira nem a última pessoa a fazer essas mudanças. Explicando dessa forma, os jovens se sentirão mais compreendidos e menos ansiosos.

No entanto, a sociedade e principalmente os parentes mais próximos (pais, tios avós) cobram muito. E em vez de cobrar, devem apoiar as escolhas e as decisões dos jovens.


Ficamos por aqui. Até a próxima postagem.

sexta-feira, 31 de março de 2017

AS POSSIBILIDADES DO TRABALHO FEMININO


Há em nossa sociedade a crença de que o lugar da mulher é no lar e desempenhando as tarefas domésticas. É uma crença baseada numa combinação complexa de características pessoais, idade, escolaridade, estado civil, a presença de filhos, ciclo de vida e estrutura familiar. Embora esta ideia seja arcaica para o século XXI, ela ainda prevalece. Porém, quando a situação econômica aperta, a mulher é liberada para ajudar no reajustamento econômico.


Estudos e estatísticas tem mostrado que nas últimas sete ou oito décadas, as mulheres têm tido uma formação maior e até com mais empenho que seus pares masculinos e que elas estão capacitadas para o desempenho de funções diferenciadas, além das tarefas domésticas e cuidados com suas famílias sem prejuízo em cada uma dessas funções.

Novos estudos também tem mostrado que a inserção da mulher no mercado de trabalho tem aumentado significativamente a cada ano. E maior essa participação principalmente nas regiões urbanas de todo o país. No entanto, embora a atividade masculina (64%para eles) tem se mantido estável nesse período, enquanto para as trabalhas o percentual é de apenas 36%.

A participação dos trabalhadores no mercado brasileiro segundo a idade e a condição de sexo e cor revela diferenças sensíveis entre homens e mulheres. Independentes da idade ou da maturidade, 97% dos homens se mantém ativos após os 40 anos. Já as mulheres, ao contrário, atingem o ápice percentual dos 24 aos 40 anos, e depois, os índices percentuais vão caindo quando elas atingem mais idade.


Contudo, o mercado de trabalho para as mulheres, difere de região para região no Brasil. No Norte e Nordeste a preferência é dar empregos a pessoas casadas e mais velhas. Já nas outras regiões a preferência é pelas mais jovens e solteiras.

Qual a razão desta diferenciação entre as regiões brasileiras? A resposta encontrada em alguns estudos é que as mulheres mais velhas e casadas estão mais dispostas a enfrentar as dificuldades relacionadas com as responsabilidades profissionais e familiares que as mais jovens.

Será que as mulheres das outras regiões não são conseguem conciliar essas responsabilidades? Novos estudos e seus autores revelam que, por causa das seguidas crises econômicas pelo qual nosso país tem passado, as famílias ficaram mais pobres e as mulheres se mobilizam buscando rendimentos complementares, seja no mercado formal ou informal.

Na verdade, o julgamento da mulher trabalhadora é sempre o mesmo não importa quantas décadas passem. Ninguém dá valor à nossa formação ou capacidade. Está mais que na hora de virarmos o jogo, de mudarmos essa condição independente de nossa idade, estado civil, maternidade e etc.

terça-feira, 14 de março de 2017

A MULHER E O TRABALHO NO BRASIL

Só para recordar, o trabalho feminino sempre esteve ligado aos serviços domésticos e a cuidar do marido e dos filhos. Nessas funções, as mulheres tiveram que “engolir” seus sonhos e vontades por muitos séculos. Mas aos poucos, foram tomando consciência e passaram a querer um pouco mais. Durante os períodos de crises econômicas pelas quais o Brasil vivia, a participação feminina foi fundamental. 

No entanto, o que restava para as mulheres eram os serviços de faxina em alguma empresa ou casas de famílias mais abastadas, pois segundo os diretores das empresas, era apenas o que sabiam fazer. Haviam ainda os trabalhos de costureira, bordadeira, lavadeira e passadeira de roupas, doceiras que as mulheres faziam em casa após os serviços domésticos habituais.


Após muita luta conseguiram frequentar a escola e se formar como ”professora”, curso apelidado de “espera marido”. Até a década de 1960 era raro encontrar uma figura masculina no “Curso Normal de Formação de Professores”.

Embora as mulheres brasileiras tivessem autorização para frequentarem cursos superiores desde o ano de 1879, as que conseguiam entrar e terminar o curso eram muito criticadas pela sociedade. A maioria das mulheres só passou a frequentar esses cursos após a década de 1940. E com a possibilidade de estudo as mulheres não perderam a oportunidade. Avançaram em cursos técnicos ou universitários. É bem verdade que eram bem poucas as mulheres que tinham a coragem de enfrentar os preconceitos bobos e machistas dos cursos essencialmente masculinos.


Durante as crises econômicas pela qual o Brasil passou naquela época, as mulheres tiveram que auxiliar na complementação da renda familiar. As mais instruídas trabalhavam como escriturárias, telefonistas ou recepcionistas (trabalho que exigia boa aparência e elegância) e enfermeiras. Já as mulheres menos instruídas trabalhavam em casa, após os serviços domésticos de rotina, para complementar o salário familiar e tentar conseguir o sustento de cada dia. Eram as costureiras, bordadeiras, lavadeiras e passadeiras de roupas, doceiras etc. Nas zonas rurais, o trabalho na roça e no corte da cana eram os trabalhos em mulheres eram admitidas.


Já na década de 70, houve uma transformação na sociedade. Além da complementação da renda familiar, houve um outro motivo: o surgimento de novos produtos e das promoções que eram feitas para vendê-los. Este motivo redimensionou o conceito de necessidade econômica e lançou o comportamento do consumo que atingiu todas as camadas sociais. Surge o desejo de “querer ter”, com objetivos diferenciados de acordo com a camada social que cada pessoa pertencia. Nas classes mais abastadas o motivo desse “querer ter” era mais uma questão de status. Os melhores produtos, as viagens para o exterior era uma ostentação de suas riquezas.

Nas classes médias, o “querer ter” era visto como a possibilidade da ascensão social, de obter dignidade e de respeito. E para isso, trabalho fora de casa, com carteira assinada, era essencial. E foi o início da participação feminina no mercado de trabalho brasileiro. Com a aceleração do ritmo da industrialização, da urbanização crescente e do e do crescimento econômico dos anos 70, as mulheres passaram a ser contratadas para diversos cargos. As mulheres passaram a trabalhar como tecelãs nas indústrias de tecidos, como assistentes de laboratórios clínicos, como costureiras nas indústrias de confecção, como montadoras nas indústrias de artigos elétricos, “pespontadeiras” (aquelas que dão pontos nas solas dos sapatos masculinos) nas indústrias de calçados, etc.

Apesar da consolidação da industrialização e a modernização das indústrias, aumenta a desigualdade social e da concentração de renda. Por outro lado, a transformação do comportamento e do papel social das mulheres permaneceu e se intensificou com os movimentos feministas, o que favoreceu maior oferta de emprego para as trabalhadoras. No entanto, trabalho feminino nunca apareceu nas estatísticas. Não havia (como ainda não há) a preocupação com a jornada dupla que as mulheres trabalhadoras enfrentavam no dia a dia.

Na década de 1980, uma nova crise econômica assola o país. A inflação e o desemprego aumentam. E quando é mais necessário o trabalho da mulher, elas são as primeiras a serem demitidas. A falta de capacitação não foi o motivo principal das demissões das trabalhadoras nessa época, mas pelo fato de serem mulheres.

Foi então que as indústrias de confecção começaram a crescer. E cresceram tanto na época, porque davam serviços de costura para as mulheres de baixa renda e da classe média baixa para que trabalhassem em casa, ou seja, um trabalho terceirizado. O trabalho em grande quantidade, com uma data entrega bastante apertada e com o pagamento bem pouco. Mas a iniciativa foi copiada em todo o território nacional.

Embora esse trabalho terceirizado fosse marcado pela heterogeneidade, por ser uma atividade não organizada e de baixa produtividade, foi algo novo, dinâmico e moderno de recuperação do mercado de trabalho por impulsionar o comércio, os serviços bancários e financeiros, os setores públicos e por evitar uma queda acentuada do nível de desemprego. Esse trabalho acabou contribuindo para a mudança nos setores primários e secundários da economia do país, entrando para a história como um mecanismo importante para os ajustes do mercado de trabalho durante o período de crise, permitindo que o Governo pudesse adotar políticas de emprego em estados e municípios menos desenvolvidos, como o Norte, o Nordeste e o Centro-Oeste.


Apesar disto tudo, o trabalho feminino nunca recebeu os devidos créditos por sua força, porque todos os estudos feitos até então, sempre ressaltam sobre a ausência da mulher ao dar a luz e dos gastos que as empresas precisam gastar nessa ocasião. Mas nunca aceitaram que o papel da mulher é fundamental para o mercado de trabalho.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

O FEMINISMO E O TRABALHO

Vocês devem estar se perguntando o que o feminismo tem a ver com trabalho, não é? Pois, tem muito a ver. O feminismo não é algo recente como muitos pensam. Ao contrário, é bem antigo.


Os primeiros movimentos feministas começaram logo após a Revolução Francesa, quando grupos de mulheres resolveram protestar contra a sujeição a que eram submetidas nas mais diversas áreas: política, econômica, social, educacional, jurídica etc. Mas vivendo num mundo machista e preconceituoso como o daquela época, pouco conseguiram.


Outro movimento aconteceu no final do século XVIII, quando vários grupos de mulheres do mundo inteiro se movimentaram para obterem o direito ao voto. Mas nem na Europa, esse direito foi aceito de imediato. O primeiro país que aceitou quase de pronto foi a Nova Zelândia, em 1893. Em seguida, Portugal, em 1913. No Brasil, o voto feminino era terminantemente proibido. Até que o governador do Estado do Rio Grande do Norte, Juvenal Lamartine, permitiu que as mulheres votassem numa eleição realizada em 1928, na cidade de Mossoró. Alguns meses depois, foi a vez dos ingleses permitirem o voto das mulheres. Mas o voto feminino em todo o Brasil, só foi regulamentado em 1934, no governo do Presidente Getúlio Vargas.

A partir de então, incentivadas por essa conquista, as mulheres não pararam de lutar pelos seus direitos e de sua autonomia. Nem sempre ganhavam, é verdade, mas nunca desistiram. E a luta seguinte foi o direito das mulheres poderem estudar, se formar e se qualificar para o trabalho.


Mas, a maioria só tomou conhecimento desse movimento social e pacífico, por volta dos anos de 1970, quando para serem ouvidas pelos governantes europeus, as mulheres saíram ás ruas com os seios à mostra e queimando sutiãs nas principais praças de suas cidades. Esse fato chocou a opinião pública mundial, fazendo com que fossem vistas como transgressoras da moral e da ordem, resultando num preconceito contra o grupo. Por isso, até os dias atuais, o termo “feministas” tem um tom pejorativo. Especialmente aqui no Brasil. Mas nem assim desistiram e continuaram lutando.


Você sabia que o trabalho feminino é 30% mais barato que o salário dos homens e que você, mulher trabalhadora, faz o mesmo ou até mais que eles? Você sabia também que desde o início da industrialização, as mulheres foram boicotadas para os cargos de chefia? A razão disso não era falta de competência, mas devido a justificativa de que, em algum momento, as empresas teriam gastos com as gestantes e com a maternidade?

Por trás de todas as leis trabalhistas que beneficiam as mulheres (licença maternidade, licença paternidade, auxílio maternidade (pago pelas prefeituras), está o trabalho silencioso desses grupos de mulheres corajosas e destemidas por novas conquistas.


A luta agora é pelo direito da equiparidade (igualdade) dos salários para as mulheres que desempenham as mesmas funções que os homens. A par dessa reivindicação está começando uma outra, a do emponderamento feminino, ou seja, do respeito a mulher nas questões do vestir, de sair, morar e viajar sozinha. Mas para isso, é preciso que todas as mulheres se engajem nessa luta.

Outras lutas feministas:

O feminismo não é um mal, são mulheres, graciosamente femininas, que lutam por direitos que beneficiam a todas nós. E então, viu como o feminismo é importante para cada uma de nós? E aí, mudou sua opinião sobre as feministas e o feminismo? Eu já mudei a minha opinião sobre tudo isso e faz tempo. Até a próxima postagem.


segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A MULHER E O MERCADO DE TRABALHO


Desde as eras mais remotas, a mulher era considerada um utensílio doméstico. Não podia expressar opiniões, tinha que obedecer ao pai e depois ao marido, e suas únicas funções eram a de cuidar dos filhos e das atividades domésticas. E foi assim até bem pouco tempo atrás.

Com isso, o conceito de ser um frágil que dependia dos homens se difundiu e gerou muitos preconceitos com relação ao seu trabalho. Durante muito tempo, o trabalho de cuidar da casa e da educação dos filhos era visto como um trabalho insignificante, já que ele não beneficiava economicamente a família. E com o passar do tempo, foi considerado como inatividade econômica e, portanto, não entrava em nenhum tipo estatística.


Com o desenvolvimento capitalista, mudanças de ordem política e socioeconômica foram acontecendo. Essas mudanças agiam sobre o nível e a formação da força de trabalho. As conquistas tecnológicas usadas nas indústrias acentuaram a divisão social e sexual do trabalho e na estrutura do emprego fosse na zona rural ou na zona urbana.

Diante das crises econômicas no Brasil, a participação feminina como força de trabalho começou a ficar mais intensa lá pelos anos de 1970. As razões eram as mais variadas: a) com o aumento dos preços dos alimentos, vestuário, educação etc, as mulheres precisavam auxiliar no orçamento familiar. b) Novos produtos, produzidos em grandes quantidades, estimulavam o consumo e redefiniram o conceito de necessidade econômica, ou sejam, as grandes ofertas e promoções desses novos produtos e das propagandas de massificação incutiam nas pessoas a necessidade de comprá-los e atingiam todas as camadas sociais.

O trabalho fora de casa ajudava a manter o orçamento doméstico, adquirir os novos produtos e melhorar o status em cada camada social. Com a expansão econômica dos anos 70, a urbanização crescente e o ritmo acelerado da industrialização geravam um crescimento econômico, que favoreceu a entrada de mais pessoas no mercado de trabalho, incluindo as mulheres.

Nessa década, a sociedade brasileira passou por inúmeras transformações de ordem econômica, social e demográfica que repercutiram sobre o nível e composição da força de trabalho. As taxas de crescimento econômico e os níveis de empregabilidade aumentaram. A industrialização se consolidou, modernizou seus instrumentos produtivos e se tornou mais urbana. No entanto, os níveis de desigualdade social e da concentração de renda também aumentaram. Houve um momento de estabilidade.



Mas os padrões de comportamento e dos valores referentes ao papel social da mulher, intensificados pelo impacto dos movimentos feministas que sugiram na América Latina no momento em que as crises estruturais se estabeleciam e promoviam uma multiplicidade de contradições no cotidiano, facilitaram a oferta de trabalhadoras.