OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

terça-feira, 7 de abril de 2020

OS ANOS DE 1940 E A EDUCAÇÃO BRASILEIRA

O Estado Novo se estabilizou no início da década de 40 devido ao populismo de Vargas, a intensa repressão e da política de conciliação entre as classes. Foi um período em que as atenções do governo estiveram voltadas para a Educação, e com os olhares voltados para a educação primária e secundária. Já o ensino superior não teve a menor atenção. 



Em 1942, os políticos acharam que precisava de uma nova reforma educacional e fizeram a “Reforma Capanema”. Esta reforma estava repleta de ideais nazifascista, com ideologia voltada para o patriotismo e o nacionalismo nos moldes da Alemanha e da Itália, que antecediam a segunda guerra mundial. E, para difundir essas ideologias? Nada melhor do que as escolas secundárias. Ministrariam aulas de moral e civismo e de educação militar para os alunos do sexo masculino, onde aprenderiam a ter “ordem e disciplina”. 

Como o ensino secundário era o mais visado, precisavam de uma boa estruturação. E propunham o seguinte: deveria ser feito em 2 ciclos: o primeiro de 4 anos (que correspondiam ao ginasial) e o segundo, de 3 anos (correspondendo ao colegial, hoje o Ensino Médio). Este com duas opções: o “clássico” (com caráter humanístico, enciclopédico e aristocrático) e o “científico” (voltado para as áreas industrial e comercial). Os cursos científico-industrial era estruturado sob a forma de dois ciclos: a) “cursos industriais básicos” dados pelas escolas industriais e que com objetivo de formar artífices especializados. b) “cursos comerciais”, com duração de três anos, com objetivo de formação de técnicos especializados e ministrados por escolas técnicas. Era, sem dúvida, cursos que preparavam para o trabalho.

no serviço hoteleiro

Os idealizadores dessa reforma planejavam ainda cursos de formação e preparo de professores e administradores a nível superior. O primeiro, realizado em dois anos e estágio correspondente aos cursos industriais básicos. O segundo em cursos de um ano em cursos pedagógicos. A reforma ainda estabelecia a denominação de “escolas artesanais” mantidas pelos estados

no serviço industrial

A reforma Capanema pretendia que cursos secundários fossem tão rigorosos e inflexíveis para preparar os alunos para o ingresso aos cursos superiores de cada setor. Mas na realidade apenas o ensino secundário do setor comercial é que foi executado através da Lei Orgânica do Ensino Comercial (Decreto-Lei nº 6141 de 28 de dezembro de 1943. 
no comércio
O que se pode perceber é que as reformas educacionais que foram propostas, até este momento, nenhuma delas apresentava mudanças essenciais. Da mesma forma a Reforma Capanema apenas reafirmou alguns pontos da reforma anterior (de Francisco Campos) mas também foi um recuo a alguns princípios propostos pelo Manifesto dos Pioneiros. 

Em 1945, Getúlio Vargas é derrubado do poder e o Brasil passa por um período democrático, com eleições livres que colocam no poder, como Presidente da República, o General Eurico Gaspar Dutra.

Getúlio Vargas em seu discurso de renúncia, em 1946

Foi neste período que o ensino primário não tinha uma boa reestruturação, já que a última havia sido em 1827, com a reforma de Cunha Barbosa. E foi no governo de Eurico Gaspar Dutra que, através do decreto-lei, conhecido como Lei Orgânica do Ensino Primário, que "renovava" os princípios estabelecidos pelos pioneiros no seu manifesto de 1932. Outro ensino que recebeu uma atenção especial foi o Ensino Normal para a formação de professores (que até então, era responsabilidade dos Estados) passa a ser centralizado através da Lei Orgânica do Ensino Normal. 

O ensino Brasileiro ganha o ensino profissional: o SENAC - Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial - criado pelo decreto-lei no 8621, de 10 de janeiro de 1946, cuja estrutura era semelhante a do SENAI. Porém, o decreto-lei nº 8622, de 10 de janeiro de 1946, obrigavam as empresas comerciais a empregar menores e matriculá-los nas escolas de aprendizagem do SENAC. 
SENAI
SENAC - o logo mais antigo que achei.


No entanto, foi por intermédio do Ministro da Educação a época, Clemente Mariani, que propôs as reformas mais profundas da História da Educação Brasileira. Mariani constituiu uma comissão formada por educadores que deveria propunham um projeto para uma reforma geral na Educação do país. 

Lourenço Filho - 1928

E essa equipe foi presidida por Lourenço Filho, apresenta em 1948 um anteprojeto para à votação na Câmara e no Senado, sendo que, somente em 1961 (13 anos depois) é transformado em lei.

                                                                                                                          

terça-feira, 17 de março de 2020

A CONSTITUIÇÃO DE 1934 E A EDUCAÇÃO



A Constituição de 1934 foi benéfica para a Educação? Humm! Podemos dizer que sim. Havia um capítulo inteiro dedicado a ela na Constituição. Nesse capítulo, reconhecia que todos tinham direito a Educação e que era dever e competência do Governo Federal promover esse direito à população. E neste ponto foi muito positivo.

Dessa forma, caberia ao Estado:


a) arranjar estabelecer verbas para aplicar no ensino;

b) definir as diretrizes educacionais para o país todo;

c) criar Conselhos Nacionais e Estaduais de Educação;


d) decretar a obrigatoriedade do ensino primário;

e) assistir socialmente e promover bolsas de estudo a estudantes se necessário.

No entanto, essa Constituição não era perfeita. Seu texto continha muitas contradições e alguns artigos geravam interpretações diferentes e divergentes. Era inegável a grande e marcante influência da Nova Escola sobre as ideias da realidade educacional brasileira. 

Mas alguns políticos foram buscar nos EUA os ideais educativos e técnicas pedagógicas baseadas na filosofia educacional de John Dewey que, por sinal, era totalmente diferente da nossa. Essa filosofia propunha um tipo de homem voltado para uma sociedade capitalista e defendia, como preceitos democráticos, uma ação dinâmica sobre os meios de produção. Este tipo de homem poderia ser muito bom para os EUA, mas não era bom para os brasileiros que ainda dependiam das oligarquias e que ainda não haviam se acostumado com o regime republicano.



De 1931 a 1937, foram realizados muitos congressos, seminários e conferências sem uma solução para atender as expectativas dos congressistas e dos católicos e pioneiros. Os primeiros defendiam a filosofia de Dewey e os segundo defendiam que a educação brasileira deveria ser orientada por certos princípios fundamentais. Como ninguém cedia, esses anos ficaram conhecidos como “Período de Conflito de Ideias".

UM ANO ESPECIALMENTE COMPLICADO

Corria o ano de 1935. Um ano complicado e agitado pela instauração do Estado Novo e pela chegada das ideias ditatoriais com tendências fascistas, provenientes da Alemanha e da Itália.


Em franca ascensão, a burguesia industrial estava feliz da vida com os inúmeros benefícios que teria e, com largos sorrisos de aprovação e felicidade, apoiava o Estado Novo. Mas esse apoio não podia ser explícito, portanto, quando lhes perguntava a razão de tanta euforia, diziam uma bobagem qualquer. Coisas de políticos brasileiros.

Mas o clima estava realmente pesado: a agricultura do café entrava em crise e a sociedade pedia reformas na urbanização em manifestações populares nas ruas e, em resposta, uma repressão intensa aos manifestantes. A burguesia, que até então ocupava espaços vazios entre as oligarquias, não conseguia influenciar na estrutura social, justamente por falta de apoio da oligarquia cafeeira em alguns segmentos.



Para completar, em novembro de 1937, Getúlio Vargas aprova a uma nova Constituição que legitimava uma ditadura declarada: o Congresso deixava de ser representativo, portanto extinto e suas atribuições passavam inteiramente para o executivo. Terminava também o federalismo, ou seja, os governos estaduais estavam diretamente ligados ao chefe da Nação, e a concessão para a abertura de inúmeros sindicatos. 

Quanto a Educação, Vargas declara ser a favor das artes, das ciências e abria o ensino livre para iniciativa individual, associações ou pessoas coletivas, públicas e particulares. Mantinha a gratuidade do ensino primário; dá providências ao programa de política escolar do ensino pré-vocacional e profissional; estabelece a parceria entre a indústria e o Estado em estabelecimentos de ensino.

Em função das mudanças estruturais, nota-se um modelo nacional-desenvolvimentista com base na industrialização e que a educação teria um papel importantíssimo a cumprir. 

Imagens- Google

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2020

DÉCADA DE 1930-40 E A ESCOLA NOVA



Politicamente, o Brasil veria na década de 30 a 40 o agravamento do conflito entre a oligarquia cafeeira e a burguesia industrial, resultando na queda do setor agrário-comercial-exportador e no fim da chamada Velha República (1889 a 1930) com a chegada de Getúlio Vargas ao poder. 


Nessa ocasião, o pensamento filosófico da Escola Nova estava em alta. De um lado, os conservadores católicos queriam impedir a todo custo as propostas inovadoras que vinham desse pensamento. Do outro lado, a aristocracia rural querendo tomar conhecimento sobre o capitalismo dependente, sobre a interferência do Estado na Educação e sobre a importância da educação na reconstrução do país. 

oligarquia ruralista

Os conservadores católicos enxergavam a crise do país como uma decorrência de uma visão ultrapassada, vendo o progresso como o fator “que fazia o homem se afastar de Deus” por causa do desmantelamento das instituições em vigor. Essa visão equivocada, buscava soluções para esses problemas. Com relação à Educação, os conservadores católicos tinham uma filosofia pedagógica coerente com suas convicções: a) tinham uma visão de mundo cristã, b) defendiam o ensino religioso para a formação da fé, c) consideravam a criança como objeto central da educação, d) defendiam a educação em separado por sexo e f) currículo diferenciado para cada sexo.
oligarquia industrial

Já os pioneiros da Escola Nova propunham reformas pedagógicas, tais como: 

a) Escola Primária Integral com o objetivo colocar em prática nos alunos os hábitos de educação e raciocínio, 

b) as noções de literatura, história e língua pátria, c) o desenvolvimento do físico e da higiene; 

d) o Ensino Médio integrava os antigos Primário e o Superior, com o objetivo de desenvolver o espírito científico oferecendo com vários tipos de cursos; 

e) defendiam a Organização Universitária com o objetivo de formar profissionais através do ensino, da pesquisa e formação de uma carreira profissional além da criação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras para a formação de professores. 

Do início ao final da escolaridade seria proposto um desenvolvimento intelectual com dificuldades crescentes a serem vencidas, permitindo que o curso anterior fosse a base de construção de conhecimentos necessários que garantisse a entrada e a continuidade do curso seguinte. Garantiam também que esses cursos seriam oferecidos pelo Estado (gratuitos) e válidos para todo o país. 

E para organizar tudo, foi criado o Ministério da Educação e Saúde em 1930. As reformas começariam do sistema universitário para o curso básico. Mas estas não são reformas simples. Eram amplas e necessitavam medidas que incluísse todos os três níveis.

Estas reformas careciam de uma organização. A nível universitário a reforma foi mais administrativa e foram criados: a reitoria, o conselho universitário, a assembleia universitária e a direção de cada universidade. 

No secundário definiram: o currículo por séries, a obrigatoriedade da frequência e a divisão em dois ciclos (o fundamental com duração de 5 anos e o de habilitação (profissional) e o complementar (como preparatório para o curso superior) ambos com duração de 2 anos. Já o curso primário tinha a duração de 4 anos sem os dois primeiros voltados para a alfabetização e os 2 anos restantes, para noções básicas e preparatórias par o secundário.

A situação política ficou muito confusa, a população estava insatisfeita e os setores políticos divergiam em tudo. Diante dessa situação, o governo federal foi obrigado a abrir mão das medidas acordadas para tomar outras que visavam organizar o próprio governo. 

O cancelamento das reformas educacionais gerou um descontentamento nos educadores que participaram e aguardavam as modificações no ensino. Os que haviam assinado o Manifesto dos Pioneiros da Educação Nova, em 1932, também não estavam nada contentes. Embora as divergências no setor da Educação fosse uma pequena ponta do problema, agravava a crise política com o aumento dos ânimos em vários setores. Na verdade, cada setor queria benefícios para seus próprios interesses. Dessa maneira, eram tantas as reinvindicações antagônicas que ninguém mais sabia o que fazer. E, para que permanecesse no poder, Getúlio Vargas procurou atender a todo mundo. 

E como não conseguiu agradar a todos, propôs que fosse feita uma Nova Constituição.


sábado, 8 de fevereiro de 2020

A ESCOLA NOVA

Com certeza, muita gente já ouviu falar em “Escola Nova” ou “Escola Ativa” ou, pelo menos, a viveu sem saber entre os anos de 1930 a 2000.


A Escola Nova foi um movimento de cunho pedagógico, cujo objetivo era fazer com que os profissionais da educação detectassem e denunciassem os problemas da educacionais de seus países, estudassem esses problemas e apontassem a solução para eles. Parecia algo legal, não é mesmo?
Esse pensamento chegou ao Brasil em 1882, pela influência de Rui Barbosa.  Mas sua aceitação não foi imediata. Tanto que algumas propostas das Reformas Educacionais apresentadas na década anterior, como por exemplo a de Benjamin Constant, tinha s semelhanças com este pensamento.
Segundo o pensamento dos escolanovistas: “a convivência harmoniosa entre o homem e a máquina criava a condição necessária para a compreensão de que a tecnologia e as ciências estavam a serviço dos homens, como fontes para a solução dos problemas do país”. 
E segundo esse pensamento, os adeptos da Escola Nova defendiam: 
a) o ensino leigo, universal, gratuito e obrigatório; 
b) a reorganização do sistema escolar sem o questionamento do capitalismo; 
c) consideravam a importância do Estado na Educação e... 
d) da Educação como reconstrução nacional.
De 1920 a 1929, muitas outras reformas foram apresentadas. No entanto, nenhuma delas eram compatíveis com o modelo socioeconômico.
Embora todos concordassem que a Educação era um fator determinante na mudança social, os adeptos da Escola Nova tentavam blindar a educação dos acontecimentos que ocorriam na época. Em consequência, houve uma pequena reformulação com relação ao curso Primário e em termos regionais. Já em relação aos cursos de níveis Médio e Superior, nada foi feito.
Fonte de imagens: Google

quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

CRISE A DA DÉCADA DE 20

Nesse período, as elites se revoltaram contra a perda de influência. Esse período ficou conhecido como “República das Oligarquias” e foi uma época onde alguns fatos importantes aconteceram:

a) O TENENTISMO

O Tenentismo foi um movimento político-militar promovido pelos tenentes das forças armadas. Esses tenentes tinham posição conservadora e autoritária, eram a favor no modelo “agrário-comercial-exportador”, mas combatiam o coronelismo das oligarquias cafeeiras. Lutavam pela moral política e pelo voto aberto (eram contra o voto de “cabresto” intimado pelos barões do café), por reformas do Sistema Educacional Púbico e contra a corrupção no país.

b) SEMANA DE ARTE MODERNA

A Semana de Arte Moderna foi uma manifestação artístico-cultural que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, em fevereiro de 1922. Nessa manifestação haviam várias apresentações de dança, música, recitais de poesias, exposição de pinturas, esculturas e palestras. Os artistas propunham uma nova visão de arte, com uma nova estética inovadora, inspiradas obras de vanguarda europeias, com o objetivo de uma renovação social e artística no país. Com isso, propunham um rompimento com a arte acadêmica com uma apresentação que chamaram de “arte mais brasileira”. A maioria dos artistas que participavam do evento eram descendentes das oligarquias cafeeiras de São Paulo ou dos fazendeiros de Minas Gerais perdiam seu poder de influência junto aos governistas. Dessa união, surge a manifestação política conhecida como “Política do Café com Leite”, exatamente no ano em que o país completava o 100º aniversário da Independência (1922).


Política do Café com Leite

As manifestações como o Tenentismo e Semana de Arte Moderna tinham ideias positivistas e contrárias à Escola Nova, que começava a tomar corpo. A industrialização exigia dos jovens mais conhecimentos e mais informações. Portanto, era preciso que o país tivesse uma educação voltada para as aprendizagens e para as potencialidades dos estudantes. E para isso, se tornava necessário quebrar o conceito da elite que era a do “eu sei porque faço sempre do mesmo jeito” e transformar em no conceito do “eu sei porque estudo sempre e me informo mais possível”.



Esse pensamento não era tão inovador quanto parecia ser. Lá no século XVIII, mais ou menos de 1738 a 1778, Jean Jacque Rouseau afirmava que “os seres humanos precisavam de quatro coisas na vida: comer, abrigar-se, defender-se e produzir”. Ainda afirmava que para produzir, era necessário “desenvolver a intelectualidade”. Mais tarde, outros estudiosos como Bergson, Dewey, Claparède, Maria Montessori, Jean Piaget e Decroly chegaram a mesma conclusão e teceram suas próprias teorias.



No entanto, conhecedor da literatura de todos estes estudiosos e ferrenho defensor dessa ideia, o belga Adolphe Ferrière que, a partir de 1880, cria a “Escola Nova ou Escola Ativa” para experimentar as teorias de seus estudos e conseguir resultados positivos que pudesse divulgar. E foi o que Ferrière fez na Europa e na América do Norte.

domingo, 19 de janeiro de 2020

EDUCAÇÃO: causa ou consequência?



No início da República, as diferentes propostas das reformas educacionais procuravam atacar as consequências de um modelo socioeconômico estrutural que não foi modificado na mudança de regime governamental.


Terra onde tudo o que se planta, nasce.


O Brasil sempre teve um sistema socioeconômico baseado na agricultura. Porém, uma agricultura com meios de produção manual, simples e básico. Com isso, do roceiro de quintal ao agricultor mais rico latifundiário corria um único pensamento: “Já sabemos tudo o que é preciso: sabemos quando e onde plantar, quando e como colher, como acomodar o colhido e ensacar para vender e pronto”. Esse era o pensamento de quem praticava a agricultura naquela época. Inovações e novos conhecimentos não interessavam porque o novo causava medos e inseguranças. Por isso faziam as coisas sempre do mesmo jeito para obterem sempre o mesmo resultado.

Plantação de café


Conhecendo o pensamento dos agricultores (que dominavam as elites na época), os políticos não tinham o interesse e não se empenhavam em fazer leis que atingisse a todos. E esse pensamento se mantinha e perpetuava nas Escolas Públicas de Ensino Secundário. 

Assim quando as reformas propunham um Ensino Secundário que funcionasse e estimulasse o contrário, ou seja, como mudança desse pensamento estático para um outro mais progressista, a elite ruralista (riquíssima) reagia com veemência negativa.


O Imperador agia como o fiel da balança  tentando o 
equilíbrio das forças políticas.


E tudo continuava na mesma, privilegiando as elites em detrimento dos pobres. Mas chegaram a um ponto em que as elites começaram a perceber e entender que era preciso “ser mais letrada”, que precisava de “mais conhecimentos e mais informações sobre os negócios e sobre os contratos de compra e venda, para que continuassem tocando seus negócios”. Portanto, precisavam de “filhos cultos” para sucederem os pais nos negócios. 

Conhecedores do baixo nível das escolas oficiais, as elites matriculavam seus filhos em escolas particulares que ofereciam um “ensino de qualidade”. Para a elite, colocar e manter os filhos numa escola particular (em qualquer nível) não era problema, porque eram muito ricos. Mas isso, não era possível para os mais pobres, cujos filhos precisavam ajudar a sobrevivência familiar.

Colégio D.Pedro II


Entre 1920 a 30, um grupo de políticos tinha pensamentos e ideologias a favor da industrialização como “modelo econômico de desenvolvimento do país. Esse grupo queria que a industrialização crescesse e alegava que a política em vigor estava impedindo o setor. Por outro lado, as elites estavam de olho nesse grupo visto que a velha economia estava baseada no modelo agrário-comercial-exportador.

Mas não teve jeito. Os políticos aderiram ao avanço da industrialização e as elites começaram a declinar, fazendo com que os oligarcas deixassem de influenciar nas decisões do governo.


quarta-feira, 8 de janeiro de 2020

A REPÚBLICA E O FESTIVAL DE “REFORMAS EDUCACIONAIS”


No início do século XIX (1800 a 1899) o mundo vivia influenciado por uma corrente teórica de pensamento denominado de “POSITIVISMO”, que tinha como objetivo principal o progresso contínuo da humanidade. Ou seja, um pensamento que acreditava que a humanidade e seus feitos seguiam uma marcha ininterrupta, progressiva e comprovável. 



Influenciado por esse pensamento positivista nosso país viveu momentos importantes de sua História, como a Independência, a Abdicação, o início do Segundo Reinado e no seu término, a Lei Áurea e a Proclamação da República, em 15 de novembro de 1889, quando o Marechal Deodoro da Fonseca colocou um ponto final no regime imperial e nascia a República sob a aura do positivismo. 

O Brasil era, agora, uma República e precisava organizar suas estruturas de acordo com o novo regime. E também deveria organizar um Sistema Educacional condizente a teoria que norteava o pensamento republicano. 


Muitas reuniões, debates e discussões acaloradas, muitas propostas foram apresentadas para a Educação. Os mais conservadores não queriam mudanças na forma imperial, os liberais queriam reformas mais para a economia do que para a educação e os progressistas, influenciados pelo positivismo, sonhavam com um Brasil desenvolvido em todos os setores. 




Para as reformas da Educação não faltavam propostas. Propostas ousadas como a de Benjamin Constant, incluindo várias disciplinas científicas nos currículos e maior organização do sistema educacional em todos os níveis, mas que faltavam: infraestrutura institucional para sua implantação e o apoio político das elites. Em 1901, uma nova reforma foi proposta: o Código Epitácio Pessoa, que retirava as disciplinas de Biologia, a Sociologia e a Moral e colocava o ensino da Lógica.                                                                                                                                         Benjamin Constant



Em 1911, a “Reforma Rivadávia” apresentava uma proposta totalmente positivista, com o objetivo de aplicar e ampliar o princípio de liberdade espiritual através da “liberdade de ensino”. Mas que liberdade era essa? 


deputado Rivadávia da Cunha Correia


Por “Liberdade de Ensino” entendia-se que: 

a) cada escola poderia ter seu próprio currículo; 

b) que não era obrigatória da frequência nas aulas e que não seriam contadas as faltas;
c) que não haveria diplomas no final do Ensino Secundário, mas teria só na Faculdade; 

d) extinguia os ensinos técnicos, mas quem quisesse aprender uma profissão poderia ter um profissional que o acompanhasse instruindo-o e avaliando-o. 

E nessa “montanha” de propostas, uma mais doida do que as outras, as elites ficavam em dúvida. Na verdade, o que a eles queriam, era deixar tudo como estava, os jovens estudantes da aristocracia-rural já estavam acostumados com os valores e padrões antigos e, seria muito difícil convencer os ricos fazendeiros a apoiar os reformistas com essas propostas. 
E nada era feito. E quando tentavam, era um fiasco. Em 1915 e em 1925, novas reformas foram apresentadas. E como sempre, nenhuma delas foram aprovadas e nenhuma tinha o apoio das elites porque nenhuma tinha uma proposta pedagógica boas e capazes de resolver os problemas educacionais que o Brasil precisava na época.