OBJETIVO DO BLOG
Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.
quinta-feira, 2 de abril de 2015
segunda-feira, 23 de março de 2015
A ORIGEM DOS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE (II)
Mas,
aos poucos as coisas foram mudando. Os grupos familiares fincaram raízes num
determinado espaço de terra. A taxa de natalidade aumentou consideravelmente
facilitando a mão de obra na lavoura. Se antes cabia ao homem ser apenas pai e
provedor de alimentos, agora, a figura masculina passa a ser mais valorizada. A
propriedade precisa ser protegida e defendida com a formação de exércitos.
A
formação do povo hebreu tem participação importantíssima neste momento
histórico e na mudança do pensamento sobre a sexualidade. O povo hebreu tinha no
patriarcado a base familiar, onde a palavra do pai era lei. Os hebreus acreditavam
que Deus havia destinado o sexo apenas para a procriação e, por isso, as
relações sexuais eram bem aceitas. Era bom e sábio ter muitos filhos, pois
tornava o homem feliz. O aborto era considerado crime, pois estaria sendo
negado ao homem o direito de ser pai e perpetuar-se através do filho.
Uma
família numerosa garantia a existência do povo e a sobrevivência da tribo.
Porém, os filhos eram bem vindos e vangloriados, enquanto as filhas eram
marginalizadas e discriminadas. Os hebreus achavam que o nascimento de meninas
trazia prejuízo, porque quando se casavam o pai tinha que dar um dote ao
marido.
Visão do Olimpo
Outra
influencia muito forte foi a do povo grego. A base familiar grega também era
patriarcal, mas em uma cultura de muitos deuses mitológicos que influenciavam
na religião e nos conhecimentos.
Para esse povo, o corpo masculino era a
expressão de beleza e perfeição, enquanto o corpo feminino era desvalorizado.
Para eles, a mulher era e deveria ser submissa ao homem. A mulher grega era
vista como propriedade do pai e depois do marido e a eles devia servir em tudo,
sem poder opinar sobre nada e também não tinha vez, inclusive no sexo. No
entanto, o homem tinha a liberdade de se relacionar com outras mulheres ou
homens, dentro e fora do casamento. Mas a mulher devia manter-se fiel ao
marido. Apesar de tudo o sexo, como função procriadora, era considerado uma
bênção dos céus.
No
processo civilizador as mudanças, ocorridas com a inversão dos papéis, tem o intuito
de controlar a população e submetê-la ás normas e costumes estabelecidos.
Normas e costumes que entram pelo período medieval da Idade Média.
Nesse
tempo o Cristianismo chega à Europa e se espalha pelo Ocidente. Igrejas são
erguidas por toda parte. Os líderes da Igreja Católica desejavam difundi-la a
todo custo e não mediam esforços para isso. Queriam mostrar que ela era única e
que todas as outras religiões não mereciam respeito. Precisavam de algo que
mexesse com a população e o sexo foi um prato cheio.
Esses
líderes passaram a vê-lo pela ótica da cultura greco-romana. E ditaram regras e
exigiram seu cumprimento. Para fazer com que fossem cumpridas instituíram o
pecado. Através de seus líderes, Igreja passou a ideia de que o sexo sem a
finalidade de procriar era um pecado tão grande que impediria o fiel de entrar
no paraíso celeste após sua morte. E para impedir que burlassem esta regra,
ameaçavam com enforcamentos, de terem as partes intimas queimadas e de
excomunhão quem fosse pego praticando-o.
Pecados,
punições e ameaças foram as estratégicas usadas pelos líderes da igreja para o estabelecimento
de uma moral rígida, repressora e negativa que repudiava toda expressão sexual
e fazia a mulher e seu corpo serem submissos. Esses “santos padres” passaram a ver
a mulher como a vilã pecaminosa que levava para o inferno a alma dos homens que
elas seduziam. Por isso, mereciam ser queimadas vivas em praças públicas. E
muitas foram delatadas por parceiros ou por homens que as cortejavam e recebiam
recusas aos intentos sexuais. E por meio do medo muitos se converteram ou se
enquadravam nessa moral.
O
período medieval foi, sem dúvida, o período mais repressivo de que se tem
notícia nas histórias da humanidade e da sexualidade. Seus efeitos foram tão
fortes e drásticos, que nem os movimentos realizados pela burguesia, pela idade
moderna e nos dias atuais foram capazes de apagar. E ficaram no
nosso inconsciente e em nossas mentes como mitos, crendices, preconceitos e
tabus. E são esses pensamentos que se inflamam e nos causam certo desprazer em
algumas situações.
Falar
sobre sexo com filhos ou alunos ainda nos faz sentir vergonha, porque sentimos como se fosse
algo feio e pecaminoso. E para fugir destes sentimentos omitimos conversas,
inventamos justificativas ou nos deixamos nos levar por eles emitindo
julgamentos impróprios ao nosso grau de adiantamento moral, social e
tecnológico. E com isso, deixamos de orientar e preparar as novas gerações para
um comportamento que. além de físico, é natural, espontâneo e prazeroso.
domingo, 15 de março de 2015
A ORIGEM DOS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE (I)
Falar
sobre sexualidade é sempre muito complexo porque pode ser vista por vários
ângulos e em diferentes situações da vida humana. Além do mais, a sexualidade é
um processo progressivo e em constante transformação. Não tenho a intenção de
fazer um tratado sobre sexualidade. Apenas reunir informações que mostrem o
início dos mitos sobre ela e que afetam a todos nós nos dias de hoje.
No
início do aparecimento do homem, naquela fase em que era meio humano e meio
macaco, seu comportamento ainda se assemelhava ao dos animais. Por isso,
procuravam as fêmeas quando estas estavam no cio para o acasalamento, eram escolhidas ao acaso e a relação sexual se dava com ou sem o seu consentimento.
Era a lei do mais forte guiada pelo instinto.
Nessa
época, as fêmeas tinham suas “crias” uma vez a cada quatro anos, porque a
gravidez, o parto e carregar os filhotes às costas durante a caça e coleta de
outros alimentos era muito dificultoso. Assim, após o período de amamentação do
filhote, começava um novo ciclo.
Na
era dos hominídeos, as fêmeas perderam o cio. Começou, então, a formação de
pares fixos. E isto trouxe algumas vantagens: a mulher ajudava o companheiro na
coleta do alimento e cuidava dos filhos, o que facilitava o trabalho. Mas,
cabia ao homem a maior parte dessa coleta, visto que o objetivo era o de prover
o grupo familiar. No entanto, o relacionamento entre homem e mulher tornou-se
mais agradável, as relações sexuais deixaram de ocorrer num único período,
tornaram-se mais prazerosas e a ter o consentimento da parceira. E o grupo familiar
tornou-se mais forte na luta pela sobrevivência e na manutenção da espécie.
Nessa
época, havia uma exaltação do corpo feminino. Não somente pela capacidade de
procriar e de gerar vida, mas como um algo divino cheio de poderes e mistérios.
Por isso, as tribos se reuniram e fizeram um acordo para evitar a consanguinidade,
isto é, evitar relações entre parentes. Assim, inventaram o primeiro tabu: o
incesto.
Na
idade antiga, os padrões sexuais não eram tão restritivos embora existissem
regras e, até mesmo, algumas restrições. No entanto, o prazer sexual era
reconhecido.
As
mulheres participavam mais ativamente. Suas vestimentas realçavam aspectos
sexuais como os decotes pronunciados que deixavam parte dos seios à mostra ou
enormes fendas nas saias que, além das coxas, mostravam também os pelos
pubianos. Lábios vermelhos conseguidos com uma tinta e que funcionava como
batom deixavam claro sua intenção sexual. A virgindade não era valorizada, nem
cobrada pelos parceiros. E uma mulher podia ter vários parceiros. As mulheres
já se precaviam contra uma gravidez indesejada, mas com métodos extremamente
naturais: amamentando seus rebentos até 6 ou mais, abstendo-se de relações
sexuais ou fazendo uso de chás ou infusões de ervas.
Já
a força e a virilidade masculina, comprovada no trabalho e nas lutas entre as
tribos, tornavam os homens mais atraentes, encantava as mulheres e aumentava
seus desejos eróticos.
Naquela
época havia muitos ritos sexuais. Um deles, era vestir-se com as vestes do sexo
oposto, o que para algumas sociedades tinha uma ligação com o divino, algo que
fazia transcendência do próprio sexo. Consideravam como detentores de grandes
poderes mágicos os homens que haviam sido criados como mulheres. Também era
comum, saudável e normal que os sacerdotes mantivessem relações sexuais como
pessoas de ambos os sexos. Assim, ser homo, bi ou heterossexual não importava,
pois eram comportamentos considerados normalíssimos.
continua
sábado, 7 de março de 2015
sábado, 28 de fevereiro de 2015
OS DEFICIENTES NÃO INSPERAM DESEJOS SEXUAIS PORQUE SÃO POUCO ATRAENTES
Vivemos num mundo onde o corpo
perfeito é cultuado. Esse culto é propagado por mensagens constantes, a todo
momento e em todos os lugares. Estão presentes na conversa entre amigos e
parentes e na mídia através dos comerciais de produtos específicos.
E as
pessoas tem se esforçado muito para consegui-lo. Um esforço que nem sempre é
por desejos próprios, mas por veladas cobranças sociais.um esforço que, muitas
vezes, resultam em mutilações e adoecimentos.
Esse culto atinge a prática
sexual na medida em que as pessoas passam a acreditar que sexo só é direito de
pessoas jovens, bonitas e que gozem de boa saúde. Assim, os homens procuram nas
mulheres
reais
as mulheres dos seus sonhos: louras, magras, lindas de rosto e de corpo
escultural. Não é diferente com as mulheres que também procuram “o príncipe encantado”:
homens de tórax musculoso, barriga lisa, pernas e braços bem torneados, nádegas
bem feitas. Os padrões estéticos e sexuais parecem ser as únicas qualidades que
importam.
Infelizmente, nem todo mundo se
incluem nesses padrões. No entanto, possuem qualidades (caráter, a fidelidade, o
respeito, a compreensão, o companheirismo), que acabam esquecidas na busca de
parceiros amorosos quando guiados por esses padrões.
Em se tratando de deficientes
intelectuais tudo piora, porque muitos deles trazem os estigmas de sua deficiência.
Essas marcas parecem ser mais evidentes que a própria deficiência.
Para as pessoas que se
preocupam com os padrões estéticos, os deficientes intelectuais não despertam
desejos e fantasias sexuais. Aliás, acreditam que os deficientes intelectuais
são incapazes de desfrutar da própria sexualidade, de satisfazer-se e proporcionar
a satisfação do parceiro.
A situação piora ainda mais se o deficiente
intelectual necessitar de algum tipo de ajuda por apresentar uma parte do corpo
que não funcione adequadamente. Quem crê que os padrões estéticos são
importantes consideram degradante, deplorável e pouco erótico os contatos e os vínculos
amorosos com pessoas deficientes. Para elas, os deficientes intelectuais são
pessoas infelizes, incapazes, sem valor e dignos de piedade. Acreditam que as relações
de afetividade, de sexualidade e das práticas sexuais ficam prejudicadas.
Quem segue uma ideologia
preconceituosa como esta é mais digno de piedade. Essas pessoas tem o direito
que não quererem se relacionar com pessoas deficientes. Mas não podem impedir
que outras pessoas o façam, nem devem fazer os deficientes acreditarem que
estão impossibilitados de viver a vida na sua plenitude, pois independente da
forma como pensam, a vida sexual entre os deficientes acontece de forma natural,
igualzinho a todo mundo.
O mais chocante é que muitos
pensadores desta ideologia estão no próprio seio familiar. Poucos acreditam na
possibilidade de um não deficiente se apaixonar, desejar manter um vínculo marital
estável com o membro familiar deficiente e enfrentar os desafios e dificuldades
decorrentes dessa decisão. Mesmo quando aceitam o namoro e a prática sexual,
compreendendo e tentando aproximá-los de uma condição normal de vida, o preconceito
se evidencia quando sentem que os padrões de normalidade estão sendo transgredidos
e desrespeitados.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015
MAIS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE DOS DEFICIENTES INTELECTUAIS
Os
seres humanos dividem-se entre homens e mulheres. Assim, a sexualidade está
inserida na vida das pessoas desde a fase embrionária. Por isso, queremos saber
se o futuro bebê será menino ou menina. Essa informação influenciará desde a
escolha do enxoval até as expectativas em relação a comportamentos que se
fixaram por meio da educação, da cultura e da sociedade onde esteja inserido.
Ao
chegar na puberdade, meninos e meninas passam por mudanças físicas devido a
certos hormônios que amadurecem e passam a agir. Essas mudanças influenciam no
aspecto físico, no comportamento e no psicológico de cada jovenzinho. A
descoberta de um novo corpo, de sensações que ainda lhes são estranhas e que
ainda não compreendem muito, de alterações de humor são indícios dessa fase e
que os prepara para vida sexual ativa. Evidente que o erotismo e sexualidade
passam a fazer parte e a influenciar atitudes, comportamentos e as emoções.
Com
a descoberta de um corpo modificado pelas transformações físicas e hormonais,
os desejos e necessidades sexuais se tornam mais intensos. E é preciso
conhecê-lo,
Com
os deficientes intelectuais não é diferente, pois passam pelas mesmas fases de
desenvolvimento que qualquer pessoa. Mas, a sociedade costuma considera-los
como “eternas crianças”. Criança assexuadas, ou seja, são desprovidos de desejos e necessidades relacionados com as funções sexuais.
Triste
engano. Pensar desta forma é negar o desenvolvimento físico, que independe das
limitações cognitivas que os deficientes intelectuais possam vir a ter. Por
isso, as funções sexuais, os desejos e necessidades estão preservados como em
qualquer outra pessoa.
Por
outro lado, se algumas pessoas negam a sexualidade dos deficientes
intelectuais, há um outro grupo que pensam que eles possuem uma sexualidade
muito aflorada, com desejos e necessidades exagerados e sem controle.
O
interesse por sexo varia de pessoa para pessoa, sejam elas deficientes ou não.
Interesse e frequência da pratica sexual são coisas distintas. Porém, quando se
trata de deficientes intelectuais vira perversão. E uma perversão decorrente de
suas limitações.
No
entanto, o pensamento de que os deficientes são assexuados ou hiperssexuados
surge da falta de informação e da educação sexual para esses jovens. Se
são “eternas crianças”, falar sobre sexo seria uma maneira de incentivá-los a
praticar. Se possuem uma “sexualidade doentia”, nada é possível fazer. E
pensando dessa maneira, esses jovens caem facilmente nas mãos de “espertalhões”
que se aproveitam da ingenuidade e da ignorância para a pratica de atos de
violência e de abuso sexual.
Mas,
infelizmente, esse assunto ainda é tabu em nossa sociedade. Quantos pais
sentem-se incomodados, envergonhados quando se toca no assunto. Quantos outros
mitos sobre sexualidade existem girando por aí entre pessoas normais e quantas
delas procuram saber se é verdade ou mentira? Pouquíssimos, com certeza. E é
por isso que os índices de violência, de gravidez indesejada e de doenças
sexualmente transmissíveis continuam aumentando.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
MITOS SOBRE A SEXUALIDADE DOS DEFICIENTES INTELECTUAIS
A
sexualidade é inata nos seres humanos. Querer amar e ser amado, querer
estabelecer relações afetivas e sexuais e de construir uma família é um fato
real. Faz parte do desenvolvimento físico e do crescimento como pessoa.
Portanto, é um fato importante em nossas vidas.
Esse
querer evidentemente envolve a sexualidade e o erotismo como manifestações e
expressões de um sentimento dos mais nobres: o do amor. E amar independe dos
rótulos e estigmas que as pessoas venham a ter.
Há
um ditado popular muito antigo que diz o seguinte: “em briga de marido e
mulher, não se mete a colher”. Muitas pessoas ao saberem do envolvimento afetivo-sexual
de alguém, começam a questionar, discutir, julgar, opinar ou prever o futuro
dessa relação. Talvez elas não saibam que todos nós, passamos por momentos de
intensas facilidades e por outros momentos de muitas dificuldades. Esses momentos
fazem parte da vida e muitos casais conseguem superá-los com bravura e mantendo
o amor intacto. Assim, adivinhar se uma relação afetiva dará certo ou não, se
vai durar por muitos anos ou será “fogo em palha” é impossível. Podemos dizer
que é especulação da vida alheia ou puro preconceito.
Em
se tratando de deficientes (em especial dos deficientes intelectuais) tudo se
complica. Todos querem palpitar, especular, aconselhar. E é quando o
preconceito fica mais evidente.
Amar
e ser amado não é uma prerrogativa apenas dos não deficientes. Os deficientes
em geral e os intelectuais (em particular) amam e desejam ser amados. E é aqui,
que o primeiro mito aparece.
Muitas
pessoas acreditam que os deficientes intelectuais não sabem e não podem amar e
serem amados. Um pensamento, crença, discurso ou atitude que pode
aparecer na família, entre amigos ou numa comunidade.
As
pessoas que pensam ou acreditam assim, acham que o deficiente intelectual é uma
pessoa diferente, incapaz, limitada e fadada a infelicidade. Essas pessoas estão
muito mais preocupadas com as finanças, com a questão social e cultural, com as
tradições. Na verdade, estão muito mais preocupadas com o julgamento dos outros
do que com os sentimentos, desejos e necessidades da pessoa em questão. Para elas, a idealização das relações afetivas e sexuais são mais importantes do
que os sentimentos.
Essas
pessoas pensam e se preocupam com essas coisas porque veem os deficientes
intelectuais como pessoas dependentes, imaturas emocionalmente e infantis. E
dessa forma, não seriam capazes de manter uma relação afetiva e sexual adulta.
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