OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

quinta-feira, 16 de abril de 2015

MENSAGEM AOS PAIS

Na minha adolescência li um livro chamado “O PROFETA” do poeta e filósofo libanês Gibran Khalil Gibran e editado em 1923. 

Um livro fácil e gostoso de ler, que fez e ainda me faz refletir muito. E embora tenha-se passado quase um século desde o seu lançamento, os ensinamentos desse filósofo são atemporais. Portanto, atualíssimos.

Alguns capítulos são especiais para mim. Eles influenciaram não só a mim como pessoa, mas também como profissional e, principalmente, como mãe. E é justamente o capítulo em que o Gibran fala sobre relação entre pais e filhos que quero compartilhar com vocês. 


No livro, Gibran vive o personagem do sábio AL-MUSTAFÁ que espera pacientemente a chegada de um navio que o levará de volta para sua cidade natal. Enquanto espera é reconhecido por diversas pessoas que pedem que fale sobre sentimentos, atitudes, ações do cotidiano e profissões. Em certo momento, aproxima-se uma mulher com um filho ao colo e lhe pede para falar sobre os filhos. E ele diz:


“Vossos filhos não são vossos filhos. São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma. Vêm através de vós, mas não de vós. E embora vivam convosco, não vos pertencem. 

Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos, porque eles têm seus próprios pensamentos. 

Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas; pois suas almas moram na mansão do amanhã, que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.

Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós, porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.

Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas. O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe. Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria: pois assim como ele ama a flecha que voa, ama também o arco que permanece estável”.


Espero que reflitam sobre isso. Será importante para compreendermos o próximo tema que pretendo desenvolver.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

FELIZ PÁSCOA


A SEMANA SANTA REPRESENTA UM TEMPO DE REFLEXÃO.

A VIDA E A MORTE DO CRISTO SÃO EXEMPLOS QUE NOS 
TROUXERAM LIÇÕES.

SEGUI-LAS NÃO É CARETICE, É SABEDORIA.

SEJA SÁBIO!

segunda-feira, 23 de março de 2015

A ORIGEM DOS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE (II)


Mas, aos poucos as coisas foram mudando. Os grupos familiares fincaram raízes num determinado espaço de terra. A taxa de natalidade aumentou consideravelmente facilitando a mão de obra na lavoura. Se antes cabia ao homem ser apenas pai e provedor de alimentos, agora, a figura masculina passa a ser mais valorizada. A propriedade precisa ser protegida e defendida com a formação de exércitos.


A formação do povo hebreu tem participação importantíssima neste momento histórico e na mudança do pensamento sobre a sexualidade. O povo hebreu tinha no patriarcado a base familiar, onde a palavra do pai era lei. Os hebreus acreditavam que Deus havia destinado o sexo apenas para a procriação e, por isso, as relações sexuais eram bem aceitas. Era bom e sábio ter muitos filhos, pois tornava o homem feliz. O aborto era considerado crime, pois estaria sendo negado ao homem o direito de ser pai e perpetuar-se através do filho.


Uma família numerosa garantia a existência do povo e a sobrevivência da tribo. Porém, os filhos eram bem vindos e vangloriados, enquanto as filhas eram marginalizadas e discriminadas. Os hebreus achavam que o nascimento de meninas trazia prejuízo, porque quando se casavam o pai tinha que dar um dote ao marido.
                                                            Visão do Olimpo

Outra influencia muito forte foi a do povo grego. A base familiar grega também era patriarcal, mas em uma cultura de muitos deuses mitológicos que influenciavam na religião e nos conhecimentos. 

Para esse povo, o corpo masculino era a expressão de beleza e perfeição, enquanto o corpo feminino era desvalorizado. Para eles, a mulher era e deveria ser submissa ao homem.  A mulher grega era vista como propriedade do pai e depois do marido e a eles devia servir em tudo, sem poder opinar sobre nada e também não tinha vez, inclusive no sexo. No entanto, o homem tinha a liberdade de se relacionar com outras mulheres ou homens, dentro e fora do casamento. Mas a mulher devia manter-se fiel ao marido. Apesar de tudo o sexo, como função procriadora, era considerado uma bênção dos céus.


No processo civilizador as mudanças, ocorridas com a inversão dos papéis, tem o intuito de controlar a população e submetê-la ás normas e costumes estabelecidos. Normas e costumes que entram pelo período medieval da Idade Média.

Nesse tempo o Cristianismo chega à Europa e se espalha pelo Ocidente. Igrejas são erguidas por toda parte. Os líderes da Igreja Católica desejavam difundi-la a todo custo e não mediam esforços para isso. Queriam mostrar que ela era única e que todas as outras religiões não mereciam respeito. Precisavam de algo que mexesse com a população e o sexo foi um prato cheio.


Esses líderes passaram a vê-lo pela ótica da cultura greco-romana. E ditaram regras e exigiram seu cumprimento. Para fazer com que fossem cumpridas instituíram o pecado. Através de seus líderes, Igreja passou a ideia de que o sexo sem a finalidade de procriar era um pecado tão grande que impediria o fiel de entrar no paraíso celeste após sua morte. E para impedir que burlassem esta regra, ameaçavam com enforcamentos, de terem as partes intimas queimadas e de excomunhão quem fosse pego praticando-o.

 

Pecados, punições e ameaças foram as estratégicas usadas pelos líderes da igreja para o estabelecimento de uma moral rígida, repressora e negativa que repudiava toda expressão sexual e fazia a mulher e seu corpo serem submissos. Esses “santos padres” passaram a ver a mulher como a vilã pecaminosa que levava para o inferno a alma dos homens que elas seduziam. Por isso, mereciam ser queimadas vivas em praças públicas. E muitas foram delatadas por parceiros ou por homens que as cortejavam e recebiam recusas aos intentos sexuais. E por meio do medo muitos se converteram ou se enquadravam nessa moral.

O período medieval foi, sem dúvida, o período mais repressivo de que se tem notícia nas histórias da humanidade e da sexualidade. Seus efeitos foram tão fortes e drásticos, que nem os movimentos realizados pela burguesia, pela idade moderna e nos dias atuais foram capazes de apagar. E ficaram no nosso inconsciente e em nossas mentes como mitos, crendices, preconceitos e tabus. E são esses pensamentos que se inflamam e nos causam certo desprazer em algumas situações.


Falar sobre sexo com filhos ou alunos ainda nos faz sentir vergonha, porque sentimos como se fosse algo feio e pecaminoso. E para fugir destes sentimentos omitimos conversas, inventamos justificativas ou nos deixamos nos levar por eles emitindo julgamentos impróprios ao nosso grau de adiantamento moral, social e tecnológico. E com isso, deixamos de orientar e preparar as novas gerações para um comportamento que. além de físico, é natural, espontâneo e prazeroso.

domingo, 15 de março de 2015

A ORIGEM DOS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE (I)


Falar sobre sexualidade é sempre muito complexo porque pode ser vista por vários ângulos e em diferentes situações da vida humana. Além do mais, a sexualidade é um processo progressivo e em constante transformação. Não tenho a intenção de fazer um tratado sobre sexualidade. Apenas reunir informações que mostrem o início dos mitos sobre ela e que afetam a todos nós nos dias de hoje.


No início do aparecimento do homem, naquela fase em que era meio humano e meio macaco, seu comportamento ainda se assemelhava ao dos animais. Por isso, procuravam as fêmeas quando estas estavam no cio para o acasalamento, eram escolhidas ao acaso e a relação sexual se dava com ou sem o seu consentimento. Era a lei do mais forte guiada pelo instinto.

Nessa época, as fêmeas tinham suas “crias” uma vez a cada quatro anos, porque a gravidez, o parto e carregar os filhotes às costas durante a caça e coleta de outros alimentos era muito dificultoso. Assim, após o período de amamentação do filhote, começava um novo ciclo.


Na era dos hominídeos, as fêmeas perderam o cio. Começou, então, a formação de pares fixos. E isto trouxe algumas vantagens: a mulher ajudava o companheiro na coleta do alimento e cuidava dos filhos, o que facilitava o trabalho. Mas, cabia ao homem a maior parte dessa coleta, visto que o objetivo era o de prover o grupo familiar. No entanto, o relacionamento entre homem e mulher tornou-se mais agradável, as relações sexuais deixaram de ocorrer num único período, tornaram-se mais prazerosas e a ter o consentimento da parceira. E o grupo familiar tornou-se mais forte na luta pela sobrevivência e na manutenção da espécie.

Nessa época, havia uma exaltação do corpo feminino. Não somente pela capacidade de procriar e de gerar vida, mas como um algo divino cheio de poderes e mistérios. Por isso, as tribos se reuniram e fizeram um acordo para evitar a consanguinidade, isto é, evitar relações entre parentes. Assim, inventaram o primeiro tabu: o incesto.

Na idade antiga, os padrões sexuais não eram tão restritivos embora existissem regras e, até mesmo, algumas restrições. No entanto, o prazer sexual era reconhecido.

As mulheres participavam mais ativamente. Suas vestimentas realçavam aspectos sexuais como os decotes pronunciados que deixavam parte dos seios à mostra ou enormes fendas nas saias que, além das coxas, mostravam também os pelos pubianos. Lábios vermelhos conseguidos com uma tinta e que funcionava como batom deixavam claro sua intenção sexual. A virgindade não era valorizada, nem cobrada pelos parceiros. E uma mulher podia ter vários parceiros. As mulheres já se precaviam contra uma gravidez indesejada, mas com métodos extremamente naturais: amamentando seus rebentos até 6 ou mais, abstendo-se de relações sexuais ou fazendo uso de chás ou infusões de ervas.

Já a força e a virilidade masculina, comprovada no trabalho e nas lutas entre as tribos, tornavam os homens mais atraentes, encantava as mulheres e aumentava seus desejos eróticos.


Naquela época havia muitos ritos sexuais. Um deles, era vestir-se com as vestes do sexo oposto, o que para algumas sociedades tinha uma ligação com o divino, algo que fazia transcendência do próprio sexo. Consideravam como detentores de grandes poderes mágicos os homens que haviam sido criados como mulheres. Também era comum, saudável e normal que os sacerdotes mantivessem relações sexuais como pessoas de ambos os sexos. Assim, ser homo, bi ou heterossexual não importava, pois eram comportamentos considerados normalíssimos.

continua 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

OS DEFICIENTES NÃO INSPERAM DESEJOS SEXUAIS PORQUE SÃO POUCO ATRAENTES


Vivemos num mundo onde o corpo perfeito é cultuado. Esse culto é propagado por mensagens constantes, a todo momento e em todos os lugares. Estão presentes na conversa entre amigos e parentes e na mídia através dos comerciais de produtos específicos. 

E as pessoas tem se esforçado muito para consegui-lo. Um esforço que nem sempre é por desejos próprios, mas por veladas cobranças sociais.um esforço que, muitas vezes, resultam em mutilações e adoecimentos.

Esse culto atinge a prática sexual na medida em que as pessoas passam a acreditar que sexo só é direito de pessoas jovens, bonitas e que gozem de boa saúde. Assim, os homens procuram nas mulheres reais as mulheres dos seus sonhos: louras, magras, lindas de rosto e de corpo escultural. Não é diferente com as mulheres que também procuram “o príncipe encantado”: homens de tórax musculoso, barriga lisa, pernas e braços bem torneados, nádegas bem feitas. Os padrões estéticos e sexuais parecem ser as únicas qualidades que importam.

Infelizmente, nem todo mundo se incluem nesses padrões. No entanto, possuem qualidades (caráter, a fidelidade, o respeito, a compreensão, o companheirismo), que acabam esquecidas na busca de parceiros amorosos quando guiados por esses padrões.
Em se tratando de deficientes intelectuais tudo piora, porque muitos deles trazem os estigmas de sua deficiência. Essas marcas parecem ser mais evidentes que a própria deficiência.

Para as pessoas que se preocupam com os padrões estéticos, os deficientes intelectuais não despertam desejos e fantasias sexuais. Aliás, acreditam que os deficientes intelectuais são incapazes de desfrutar da própria sexualidade, de satisfazer-se e proporcionar a satisfação do parceiro. 


A situação piora ainda mais se o deficiente intelectual necessitar de algum tipo de ajuda por apresentar uma parte do corpo que não funcione adequadamente. Quem crê que os padrões estéticos são importantes consideram degradante, deplorável e pouco erótico os contatos e os vínculos amorosos com pessoas deficientes. Para elas, os deficientes intelectuais são pessoas infelizes, incapazes, sem valor e dignos de piedade. Acreditam que as relações de afetividade, de sexualidade e das práticas sexuais ficam prejudicadas.

Quem segue uma ideologia preconceituosa como esta é mais digno de piedade. Essas pessoas tem o direito que não quererem se relacionar com pessoas deficientes. Mas não podem impedir que outras pessoas o façam, nem devem fazer os deficientes acreditarem que estão impossibilitados de viver a vida na sua plenitude, pois independente da forma como pensam, a vida sexual entre os deficientes acontece de forma natural, igualzinho a todo mundo.

O mais chocante é que muitos pensadores desta ideologia estão no próprio seio familiar. Poucos acreditam na possibilidade de um não deficiente se apaixonar, desejar manter um vínculo marital estável com o membro familiar deficiente e enfrentar os desafios e dificuldades decorrentes dessa decisão. Mesmo quando aceitam o namoro e a prática sexual, compreendendo e tentando aproximá-los de uma condição normal de vida, o preconceito se evidencia quando sentem que os padrões de normalidade estão sendo transgredidos e desrespeitados.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

MAIS MITOS SOBRE A SEXUALIDADE DOS DEFICIENTES INTELECTUAIS


Os seres humanos dividem-se entre homens e mulheres. Assim, a sexualidade está inserida na vida das pessoas desde a fase embrionária. Por isso, queremos saber se o futuro bebê será menino ou menina. Essa informação influenciará desde a escolha do enxoval até as expectativas em relação a comportamentos que se fixaram por meio da educação, da cultura e da sociedade onde esteja inserido.

Ao chegar na puberdade, meninos e meninas passam por mudanças físicas devido a certos hormônios que amadurecem e passam a agir. Essas mudanças influenciam no aspecto físico, no comportamento e no psicológico de cada jovenzinho. A descoberta de um novo corpo, de sensações que ainda lhes são estranhas e que ainda não compreendem muito, de alterações de humor são indícios dessa fase e que os prepara para vida sexual ativa. Evidente que o erotismo e sexualidade passam a fazer parte e a influenciar atitudes, comportamentos e as emoções.


Com a descoberta de um corpo modificado pelas transformações físicas e hormonais, os desejos e necessidades sexuais se tornam mais intensos. E é preciso conhecê-lo,

Com os deficientes intelectuais não é diferente, pois passam pelas mesmas fases de desenvolvimento que qualquer pessoa. Mas, a sociedade costuma considera-los como “eternas crianças”. Criança assexuadas, ou seja, são desprovidos de desejos e necessidades relacionados com as funções sexuais.

Triste engano. Pensar desta forma é negar o desenvolvimento físico, que independe das limitações cognitivas que os deficientes intelectuais possam vir a ter. Por isso, as funções sexuais, os desejos e necessidades estão preservados como em qualquer outra pessoa.

Por outro lado, se algumas pessoas negam a sexualidade dos deficientes intelectuais, há um outro grupo que pensam que eles possuem uma sexualidade muito aflorada, com desejos e necessidades exagerados e sem controle.

O interesse por sexo varia de pessoa para pessoa, sejam elas deficientes ou não. Interesse e frequência da pratica sexual são coisas distintas. Porém, quando se trata de deficientes intelectuais vira perversão. E uma perversão decorrente de suas limitações.

No entanto, o pensamento de que os deficientes são assexuados ou hiperssexuados surge da falta de informação e da educação sexual para esses jovens. Se são “eternas crianças”, falar sobre sexo seria uma maneira de incentivá-los a praticar. Se possuem uma “sexualidade doentia”, nada é possível fazer. E pensando dessa maneira, esses jovens caem facilmente nas mãos de “espertalhões” que se aproveitam da ingenuidade e da ignorância para a pratica de atos de violência e de abuso sexual.


As informações sobre sexo e as correções de comportamentos indesejáveis devem começar ainda na infância. E não só para os deficientes intelectuais, mas para todas as crianças. Só assim poderão ter uma vida sexual plena, normal e sadia.

Mas, infelizmente, esse assunto ainda é tabu em nossa sociedade. Quantos pais sentem-se incomodados, envergonhados quando se toca no assunto. Quantos outros mitos sobre sexualidade existem girando por aí entre pessoas normais e quantas delas procuram saber se é verdade ou mentira? Pouquíssimos, com certeza. E é por isso que os índices de violência, de gravidez indesejada e de doenças sexualmente transmissíveis continuam aumentando.