OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

quarta-feira, 18 de maio de 2016

O DESAFIO DA ESCOLA


A escola surgiu para ajudar a família nos assuntos que a família não podia atender, ou seja, no desenvolvimento racional. Com o tempo, a escola passou a contar com a igreja e com outras instituições sociais para o desenvolvimento social e espiritual de crianças e de adolescentes. Com essas contribuições a escola passou a focar mais no racional e no cognitivo, principalmente, no que se referia aos adolescentes. E a escola cumpria o seu dever e o fazia muito bem.


Mas, com o passar do tempo, as coisas foram se modificando. Novas ideias surgiram e novos obstáculos também. As famílias foram se transformando pelas novas exigências sociais. As instituições religiosas passaram a cuidar mais da espiritualidade e impor mais suas regras. As instituições sociais rarearam e passaram a não servir a todos. E deixaram de ajudar a escola.


Embora essas mudanças não tivessem acontecido de repente, a escola foi incorporando para si os encargos que as demais instituições deixaram de fazer. Evidentemente, a escola se ressentiu pelo acúmulo de tarefas. Mesmo aos trancos e barrancos, a escola nunca deixou de cumprir sua função principal: o desenvolvimento racional e cognitivo.

Nas décadas finais do século XX surgiram novas mudanças tanto tecnológicas quanto sociais que atingiram o mundo todo. E a escola como ficou?


A escola passou a trabalhar num novo contexto. Diante das novas exigências, a escola enfrenta um grande desafio: o “educar integralmente” crianças e adolescentes.  Entende-se por educação integral dos adolescentes “acompanhar os alunos no seu desenvolvimento pessoal, social, espiritual e vocacional”. O que não é uma tarefa fácil.

Somam-se a essa tarefa, uma série de outros fatores que envolvem os adolescentes simultaneamente ás tarefas e exigências escolares e que não podem ser desprezados, tais como o consumo de álcool e drogas; a comunicação e informação globalizadas e acessíveis à maioria de crianças e adolescentes; a presença da televisão e da Internet nas casas das famílias; e o mundo da diversão e do mercado que a envolve.

Por outro lado, a sociedade espera cada vez mais da atuação da escola. A sociedade a vê como a única instituição capaz de cumprir esse desafio, através do ensino e da complementação ou suprimento o que a família e as outras instituições não conseguiram fazer.


Embora a Educação Infantil e a Educação Fundamental (1º ao 5ºanos) esteja se mostrando progressivamente mais eficientes, com uma educação mais integral porque o aluno passou a ser visto como um ser total que tem potencialidades e habilidades a serem desenvolvidas por meio de um programa escolar estimulante que as te tornado mais aptas intelectual, humana e socialmente em cada etapa. Tudo isto graças as teorias da psicologia, da neurociência e da própria pedagogia. Mais recentemente, têm surgido publicações sobre o desenvolvimento espiritual e religioso que ajudam os educadores a lidar com esses assuntos. Mas, infelizmente, esses programas ainda não alcançaram do 6º ao 9ºanos da Educação Fundamental, nem o Ensino Médio, que ainda está preso aos conteúdos acadêmicos.


A humanização desse tipo arcaico de ensino ainda fica a cargo deste ou daquele professor mais aberto ao diálogo ou de uma ou duas disciplinas que menos reprovam. E isto acontece justamente numa época em que os adolescentes passam por uma fase importante, conflitante e decisiva de suas vidas, como  as transformações físicas e hormonais da adolescência, a aceitação do grupo, o início da sexualidade ativa, a confirmação da personalidade, a escolha de uma profissão, entre outros problemas em que o emocional está abalado. Há muita incerteza sobre tudo e, principalmente, sem um conjunto de regras que os comande porque a família esqueceu-se de ensiná-las ou as confundiu com valores.


Os adolescentes é um ser humano rico, cheio de potencialidades a serem desenvolvidas e de habilidades incríveis que ele mesmo desconhece. Tudo isso é preciso ser despertado. Mas para isso, é preciso que seja olhado de uma maneira diferente, mais humana. Se nada for feito, poderá seguir por caminhos pedregosos e mais negros. E é na mudança desse olhar os jovens é que está o grande desafio da escola.

A escola tem que unir forças para se reconstruir para atender, desenvolver de maneira saudável esses jovens que vivem num tempo novo. Os jovens do século XXI precisam de educação e instrução, de regras claras e valores morais, sociais e espirituais. Mas também precisam de diversão, de experiências, vivências e convivências com seus pares e, para isso, precisam de atitudes, de responsabilidade, de ideias e ideologias para forjar outras, de novos projetos, debates e execução de tarefas e de muitos desafios que levam ás aprendizagens.


Cabe a escola reunir seus membros, fazer um bom projeto e executá-lo aplicando esse novo olhar. A escola não é somente um espaço de transmissão de conhecimentos, mas também de descobertas e de desenvolvimentos, de formação de boas atitudes e da quebra de preconceitos. E tem que avaliar continuamente sua ação e seus objetivos, de planejar e de replanejar sua programação, de criar ou experimentar novas metodologias sem medo e engajando todos os seus membros nessa luta sem tréguas.

quinta-feira, 5 de maio de 2016

A FAMÍLIA E A ESCOLA NOS DIAS DE HOJE


As sociedades têm se modificado bastante ultimamente. E essas mudanças influenciam as duas principais instituições socioeducativas: a família e a escola. Primeiro, porque estamos inseridos numa sociedade e porque recebemos dela os conteúdos sociais que formam a cultura. E isto acontece de forma gradativa, constante e atinge todas as camadas sociais.

As mudanças influenciam as ações cotidianas tanto da família como da escola. E ambas precisam se adaptar a nova realidade para educarem e socializarem as novas gerações. A tarefa educativa é mais voltada para o comportamento. Já para a escola fica o desenvolvimento intelectual e a socialização dos educandos.

A escola é um instrumento educativo sistemático, intencional e progressivo, com método e planejamento antecipados enquanto que a família é um instrumento educativo assistemático, fragmentada, sem método ou sequência e as aprendizagens vão ocorrendo no dia a dia e os resultados aparecem mais rapidamente.

A relação família-escola é estreita. Embora sejam instituições diferentes e independentes, elas são dependentes entre si. Sem as novas gerações a escola não sobreviveria e sem escola as famílias não dariam conta da formação intelectual e a preparação para o trabalho.

A formação dos educandos tem um longo caminho a percorrer. No entanto, nesse trajeto percebe-se que a família e a escola passam por compassos e descompassos, principalmente no tocante: as estratégias, recursos comunicativos, conteúdos ensinados e aprendidos, na organização, nas exigências e na finalidade educativa. De quando em quando andam no mesmo compasso, mas nas últimas décadas estão no descompasso.

É quando estão distantes, no descompasso da ação educativa que os fracassos escolares acontecem. Muitas vezes, o descompasso parte da família que não cumpre ou falha no seu intento educativo. Outras vezes, o descompasso parte da escola. Esta, por ser uma instituição social e que deveria estar atenta ás inovações e alterações sociais, mantém-se numa posição tradicionalista. Assim enquanto a família avança a escola fica para trás, seja na sua finalidade, nas exigências, na determinação de condutas e posturas ou nos conhecimentos a serem transmitidos. E dessa forma ambas promovem igualdades e desigualdades entre os sujeitos, seja por classes sociais, raça, situação política, cultural ou religiosa. Mas também promovem inovações benéficas para a sociedade quando concordam com a finalidade educativa.

Há pontos de vista diferenciados como uma instituição vê ou percebe a outra. Nas camadas mais populares, as famílias valorizam a escola, mesmo apresentando modos diferenciados de educação da prole. A razão desta valorização é que a escola traz para elas a possibilidade de uma ascensão social para os filhos. Mas, com o passar do tempo, a desesperança chega sobre esse investimento. As dificuldades escolares aliadas à necessidade de se ocupar com um trabalho remunerado para o sustento familiar fazem ocorrer o êxodo escolar. As dificuldades enfrentadas pelas famílias desfavorecidas econômica e socialmente tornam a escolarização num sonho distante e difícil de alcançar.

Por outro lado, a escola também tem sofrido muitas dificuldades em aceitar as mudanças sociais e familiares e de perceber que estas mudanças exigem um novo comportamento, tanto nas questões dos objetivos propostos quanto para as novas exigências educativas.

Não se pode deixar de mencionar muitas famílias não conseguem educar adequadamente seus filhos e delegam à escola essa função. Por outro lado, a escola está abarrotada de funções (além das de praxe) para tentar cobrir esta falha familiar. Por seu lado, a escola se defende.

Críticas existem de ambos os lados. A escola ataca as famílias julgando suas incertezas e omissões quanto a tarefa educativa e as famílias atacam em reprimenda como falta de capacidade educativa da escola. A única solução viável a ser tomada para terminar esse conflito é a de escola e família se unirem neste momento crítico e debaterem civilizadamente os rumos que ambas devem seguir. A escola vem tentado há algum tempo essa aproximação, mas encontra resistência por parte das famílias

sexta-feira, 22 de abril de 2016

A ESCOLARIZAÇÃO

Nas últimas décadas, os termos educação e escolarização tem se confundido por serem considerados como sinônimos. Mas, são bem diferentes. a Educação é dada na família e a escolarização ou instrução é dada pela escola. 

Diferente da educação familiar, a escolarização tem uma sistematização (organização, planejamento e método) para cada idade e para etapa do desenvolvimento do educando, tem constância e regularidade, começa com conhecimentos que vão do mais simples ao mais complexos e se estabelece numa relação de ensino-aprendizagens entre professores e alunos num ambiente apropriado e estimulador.


Escolarização é sinônimo de instrução, portanto. ESCOLARIZAÇÃO é a “transmissão dos conhecimentos” conquistados pela humanidade ao longo do tempo, numa relação de ensino-aprendizagens consciente e sistematizada e dada pelas Instituições de Ensino. Tem por objetivo complementar a educação familiar, transmitir conhecimentos e preparar para o trabalho.

A escolarização é uma relação em que os papéis dos envolvidos são definidos e conscientes. Isto significa que todo professor sabe que deverá cumprir o seu papel transmitindo conhecimentos e todos os alunos sabem que seu papel é o de receber esses conhecimentos.

É através desta consciência dos papéis de cada um, que alguns vínculos entre se estabelecem entres seus principais personagens, tais como os vínculos de amizade, de consideração e respeito por todos os envolvidos, do sentido de hierarquia, do reconhecimento e respeito ás diferenças individuais, do sentido de prioridade, de percepção dos próprios limites e do limite dos outros, de justiça, entre muitos outros.

Para que estes vínculos se estabeleçam, a escolarização depende do ensino dos comportamentos, valores e regras dados pela educação familiar. Por isso, quando a família deixa de cumprir (ou faz de forma equivocada) a Instituição Escolar entra em crise, por ser o primeiro grupo social que as crianças entram em contato fora do grupo familiar.

São exemplos bastante comuns em crianças e adolescentes:

a) as crianças que não aprenderam a lidar com regras, geralmente, são as que mais recebem repreensões porque fazem tudo do jeito que querem ou que tem vontade do que aquilo que é o jeito certo de fazer.

b) a falta de empatia (colocar-se no lugar da outra pessoa) pois, a falta de respeito (valor) para com os limites pessoais, intelectuais e físicos tem sido enorme e tem gerado o famoso bulying.

c) é a falta do sentido de hierarquia (comportamento) é outro que tem causado agressões verbais e/ou físicas violentas á professores e entre colegas quando opiniões simples são divergentes.

A escolarização ou instrução subdivide-se em etapas de acordo com o desenvolvimento intelectual dos educandos:


a) ENSINO INFANTIL (para crianças de 2 a 5 anos) visa adequar as crianças pequenas ao novo grupo social.


b) o ENSINO FUNDAMENTAL (para crianças de 6 a 14/15 anos) destina á instrução básica.  Ainda depende da educação familiar na aquisição da linguagem e das noções aritméticas como as diversas formas de contagens e da experimentação dessas noções pelo educando.


c) o ENSINO MÉDIO (para adolescentes) visa mostrar ao educando as diferentes disciplinas que representam as áreas do conhecimento e fazer o educando perceber qual delas mais lhes desperta o interesse.


d) o ENSINO SUPERIOR (para jovens e adultos) composto de “bacharelados”, que se destinam para a profissionalização do educando. Já os cursos pós-graduações, mestrados e doutorados, são especializações decorrentes da escolha profissional dos educandos.

Sérgio Lazzarini é PhD em Administração (nas áreas de Organização e Estratégia)
 pela John M. Olin School of Business, Washington University, 

e) os CURSOS DE LIVRE DOCÊNCIA (PHD), final da escolarização e exclusivamente para adultos, visa a “produção de um campo teórico” nas diferentes áreas do conhecimento, ou seja, adequado para a formação de cientistas.



No final do Ensino Médio, é que ocorre a passagem da escola para o mundo do trabalho. A preparação para esse momento ocorre por meio das regras e demandas escolares. É um momento difícil, complexo, nem sempre linear e que provoca grande tensão nos jovens. Além disso, enfrentam ainda outras situações complicadíssimas: a entrada no mundo dos adultos e a luta para conquistar o primeiro emprego.

quarta-feira, 13 de abril de 2016

A EDUCAÇÃO FAMILIAR

OS ADOLESCENTES E A ESCOLA (I)

A educação é dada pela família. São os pais que ensinam aos filhos os comportamentos, hábitos, crenças, valores (familiares, morais, sociais, éticos) e regras que deverão ser usadas na sociedade e no convívio com outras pessoas. Esses ensinamentos são passados de forma espontânea, informal e no dia a dia.


Cabe a família ensinar os comportamentos para que a prole se torne adequada ao tempo e a época, aos diferentes ambientes sociais e a cultura em que se vive. E o que se entende por isso? Os pais devem ensinar: “o respeito para com as pessoas”.

As pessoas não são iguais e, portanto, possuem as diferenças de gênero, físicas e de idade, possuem opiniões diversas e fazem opções de acordo com seus gostos e preferências, possuem crenças religiosas e culturais. Por respeito entende-se a compreensão, o entendimento e as atitudes de atenção e de generosidade para com elas.

Por hábitos entendemos aqueles comportamentos corriqueiros e que são básicos para a convivência humana, como os cumprimentos, higiene etc.


Quem não conhece esta frase tão popular? E ela tem sua razão de ser, pois os pais são os modelos que os filhos observam e imitam na infância e se apoiam na adolescência e na vida adula. Os pais devem ensinar, incentivar e cobrar dos filhos os valores familiares, morais, sociais e éticos como: respeito à propriedade alheia, ao direito dos outros, o respeito aos mais velhos, a tolerância com opiniões e opções divergentes (individuais e coletivas), a importância do estudo e do trabalho, do esforço e a perseverança (pessoal e grupal), a dignidade, do compromisso assumido e a honra da palavra empenhada dentre tantos outros valores humanos. Talvez estejam achando pieguice, mas não é. É fato, se queremos viver tranquilos e seguros numa sociedade tão sonhada.

O que se tem visto é que nossa sociedade tem se transformado, ao longo das últimas décadas, numa sociedade intolerante, intransigente, agressiva e egoísta porque os valores básicos têm sido esquecidos. O que se tem visto é o forte sobrepujando o fraco, a corrupção levando vantagem sobre a honestidade, os ricos cada vez mais ricos e os pobres cada vez mais pobres, tudo isto porque o “EU” sobrepuja egoisticamente sobre o “NÒS”.  Vemos “as puxadas de tapete” acontecendo entre irmãos na própria casa e entre colegas no trabalho, na política porque a justiça enfraqueceu.  Hoje, percebemos só tem valor quem se dá bem e quem tem mais poder de intimidação. Por isso, crianças e jovens caem nas drogas e no crime.

As regras também têm ficado esquecidas. Entende-se por “regra” tudo o que é permitido ou proibido fazer. Caso uma proibição seja desrespeitada, deve receber uma penalidade, que pode variar de acordo com a gravidade do ato cometido e da idade de quem o cometeu. 

Por que ensinar regras nessa idade?  Porque são elas que ensinam os limites e a responsabilidade de nossas atitudes. E porque, quando crescerem, poderão fazer tudo o que quiserem? Ou não terão que obedecer as regras de trânsito e as regras do país? Portanto, quanto mais cedo aprenderem, melhor será.

As regras e punições devem ser combinadas entre pais e filhos, devem ser claras para que a criança entenda e possa cumpri-las. No caso de crianças (até 8 ou 9 anos), as punições devem ser imediatas, da forma como foi combinada e sem mudanças de última hora por pena, choro ou birras. Logo elas entendem e melhoram o comportamento.

No entanto, muitos pais não conseguem “dizer não” aos filhos, pois não gostam de vê-los tristes e decepcionados. Para outros, dizer “não” significa “perder o amor os filhos”.

A vida não é, nem nunca foi, um mar de rosas ou de felicidades eternas. Constantemente, ficamos tristes, aborrecidos e até com raiva de algo (ou alguém) que nos impediu de realizarmos algo que queríamos muito. Mas isto é. num primeiro momento, um extravasamento dos sentimentos. Depois esquecemos e logo desejamos algo novo. E é isso o que as crianças precisam aprender. 


Quanto ao amor filial, os pais só o perdem se forem permissivos e condescendentes em demasia. Crianças e adolescentes sentem falta das regras e outros ensinamentos  e não se sentem amadas e são sempre muito infelizes.

quinta-feira, 7 de abril de 2016

OS ADOLESCENTES E A ESCOLA

A adolescência não é somente um período de transformações físicas decorrentes do processo de desenvolvimento, mas também de transformações mentais, sociais, culturais e históricas. Cada geração vive o seu tempo em determinada cultura, em determinada sociedade. Assim como o adolescente de hoje difere do adolescente francês, norte-americano, chinês, russo ou africano, diferem também da geração anterior dentro do mesmo espaço cultural e social.


As sociedades vêm se tornando cada vez mais complexas. E em virtude dessa complexidade tem exigido muito dos jovens que se preparam para entrar no mundo adulto. A sociedade tem seu lado bom: maior acesso á informação por meio da internet, maior facilidade de comunicação, os fatos em tempo real, o encurtamento das distâncias geográficas. E o seu lado perverso: a violência (velada ou declarada), a exclusão social, as relações de poder em todos os setores (inclusive na escola), o aumento dos índices de gravidez e de abortos, a apologia do corpo saudável, da beleza estética e da moda etc e que são situações que causam impacto e geram conflitos.


Por outro lado, as estruturas familiares também têm se transformado muito e, aos poucos, vem perdendo sua característica milenar de composição, ou seja, formada pelo pai, mãe e filhos. Os homens, já não detém sozinhos o status de provedor pelo fato de que, cada vez mais as mulheres estão inseridas no mercado de trabalho.  Os hábitos familiares, como por exemplo, o de estarem todos à mesa para fazerem juntos as refeições, tem sofrido grandes mudanças por alguns estarem no trabalho, na escola ou num compromisso extracurricular.


Os adolescentes, influenciados por essa sociedade, estão ávidos para curtirem a vida e sabem que precisam preparar-se para enfrentá-la. Os adolescentes de hoje estão com tempo mais curto para o convívio familiar, devido a inúmeros compromissos como: frequentar as academias, pratica algum esporte, fazer cursos de línguas, conversar on-line com seus pares, ir a festas e as baladas, o que não faziam as gerações passadas. Esses jovens acreditam que participando da vida com suas qualidades e defeitos poderão adquirir o conhecimento e desenvolver capacidades para enfrentarem o mundo adulto num futuro bem próximo.



Mas há um lugar em que poderão adquirir informação e desenvolver suas capacidades e adquirir as habilidades para enfrentar a vida adulta com risco mínimo. Esse lugar é a escola, um espaço de convivência, de relações interpessoais e de transmissão de conhecimentos. 

sexta-feira, 18 de março de 2016

OS DEFICIENTES E O PRECONCEITO

O preconceito contra os deficientes (de qualquer tipo) também é mais um dos preconceitos chamados “sociais” e engloba os maus tratos físicos, emocionais, financeiros e a discriminação da pessoa deficiente.


Os maus tratos físicos consistem em bater, em subjugar, em não atender as necessidades alimentares, em não atender as questões de higiene seja da pessoa ou do ambiente, de não fazer os acompanhamentos clínicos necessários.

É muito comum as tentativas de tirar o dinheiro, obrigar ou vender algum bem, usar de fraudes ou impingir aos deficientes uma vida de sacrifícios porque seu dinheiro foi gasto por outra pessoa. 


Já os maus tratos emocionais consistem em rebaixar sua autoestima e autoconfiança; em não ver neles qualquer habilidade ou de reconhecê-las e não promover estimulação; de contribuir para a sua dependência; de não educa-los para que possam conviver em sociedade; ou isolá-los privando-os do convívio social. Outras vezes, as pessoas emitem gracejos com relação a sua deficiência ou referindo-se a eles como se fossem um “incômodo ou um encosto”, como se fossem “burros” ou “preguiçosos” e  outros tantos com a intenção de inferiorizá-los.


Outra atitude preconceituosa é quando uma instituição se nega a realizar um tratamento necessário á sua saúde, assim como não aceitar uma criança em idade escolar com a desculpa de que não há vagas, que não há estruturas físicas adequadas ou que não há pessoal especializado para acompanha-los nos estudos. Preconceito porque todas as escolas tiveram um prazo máximo de dez (10) anos para resolverem todas estas questões e muitas, nem começaram essa adequação.


Os deficientes físicos, mesmo com sua limitação locomotora, levam uma vantagem com relação às aprendizagens porque seu cérebro não é afetado pela deficiência. Portanto, podem aprender tudo o que a escola propõe.


Os deficientes visuais, respeitadas as suas limitações, o ensino em Braile não impede que as aprendizagens escolares aconteçam. Cabe a escola a adaptação aos conteúdos e formas de avaliação e da família a providência de tecnologia apropriada. 


Os deficientes auditivos também. A única coisa a ser adaptada é que, por não ouvirem, sua escrita se torna um pouco diferente. Costumamos ler uma frase e observar que o sujeito vem antes do predicado e os deficientes auditivos usam o predicado antes do sujeito. Se a escola e os professores entenderem e respeitarem esta condição, não haverá problemas em relação as aprendizagens. Constituem ações preconceituosas querer que o deficiente auditivo escreva da forma que o ouvinte escreve. Portanto, deficientes auditivos e visuais possuem cérebros preservados.


Com os deficientes intelectuais a situação se complica. Embora a escola e os professores saibam da deficiência, e que seus cérebros funcionam lentamente, insistem em querer que os deficientes intelectuais deem respostas como se não fossem deficientes. Avaliam seus trabalhos e provas em comparação com seus colegas de turma e não levam em consideração seu esforço e avanços dos limites pessoais. E não é só no Ensino Fundamental, mas no Ensino Médio e no Ensino Superior também.

Um outro comportamento preconceituoso e atuante em grande parte do ambiente escolar, é o descumprimento de uma lei (Lei de Inclusão, de 2010) que obriga as escolas de todo o país, a elaborarem um plano curricular específico para pessoas com deficiência visual, auditiva e intelectual. Esse currículo adaptar o Plano Curricular Nacional levando em conta as possibilidades e necessidades de cada um. 
Deficientes intelectuais necessitam de muita repetição, de materiais concretos, de atividades diferenciadas, de provas e trabalhos dentro do que está aprendendo e do que está sendo ensinado. Mas dá trabalho e os matérias são caros e, muitas escolas não os têm, nem estão dispostas a consegui-los.

São atitudes preconceituosas (que poucos percebem ou questionam) porque impedem que o deficiente se desenvolva como merece. Os deficientes intelectuais sabem que jamais poderão competir em pé de igualdade com os chamados “normais” se forem constantemente comparados. Mas o que fazer?


Há, ainda, pessoas que acham que os deficientes intelectuais não têm sentimentos. Ao contrário, eles sentem sim. Ficam magoados também. Só não sabem dizer o que sentem. Trabalho com eles, ouço suas reclamações e lamentações. E o que mais os machuca é a insistência dos “inteligentes” em fazê-los acreditar que são incapazes.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

PRECONCEITO SOCIAL (III)

SOBRE A LINGUAGEM

Muitas pessoas acham “engraçado” o modo como os estrangeiros falam ou quando aprendem um novo idioma, como o nosso por exemplo. Mas, algumas pessoas se sentem incomodadas com o falar dos estrangeiros.


Mas esse incômodo pode acontecer também dentro de um mesmo país. O Brasil, por exemplo, é um país em que todos falam a Língua Portuguesa. No entanto, cada região do país apresenta uma forma diferente de falar o português. São os “sotaques” próprios de cada região. Por outro lado, um mesmo objeto é denominado de forma diferente em cada região Como exemplo, aquelas bolinhas de vidro coloridos que os meninos jogam pode ser chamada de bola de gude no Sudeste, enquanto em outras regiões é chamada fubeca ou biriba.

É essa variedade de sotaques e de vocábulos existentes para um mesmo objeto que faz do Brasil um país culturalmente rico. Para a grande maioria dos brasileiros é um motivo de orgulho. No entanto, para uma minoria, essa riqueza pode incomodar e suas reações geralmente não são amistosas. Muitas vezes, as reações podem ser mais em termos de gozação, xingamentos, formas discriminatórias ou agressivas. 


Discrimina-se também as pessoas que falam nossa língua de modo equivocado.São pessoas que não tiveram a oportunidade de aprender a língua culta e fazem uso da língua recheada de erros de concordância ou pronunciam as palavras com omissão , trocas  ou acréscimo de letras ou de sílabas. Todas estas formas fazem parte do  “PRECONCEITO LINGUÍSTICO”.



SOBRE A RELIGIÃO



O “PRECONCEITO RELIGIOSO” é um dos mais antigos entre os preconceitos sociais. A história está repleta de relatos em que povos de uma determinada religião eram perseguidos e massacrados. 

cristãos nos circos romanos

gladiadores

Quando os antigos povos eram politeístas (tinham vários deuses), perseguiam e exterminavam os cristãos por serem monoteístas (tinham um único deus)  nos circos romanos ou nas lutas de gladiadores. 

nas cruzadas

E mais tarde, os próprios cristãos perseguiam e enfrentavam longas e sangrentas batalhas contra o que chamavam de “ímpios” (por acreditarem em outros deuses), como na época das Cruzadas. 

Um exemplo bem recente é a maneira como os praticantes mais radicais do islamismo tem agido para se impor nos países ocidentais.

Mas os cristãos ou os ímpios não foram os únicos a sofrerem perseguições. Os “ateus” (por não crerem em nenhum deus) e os “espíritas” também foram e continuam sendo discriminados nas sociedades mais atuais.

Isto acontece porque cada grupo religioso acredita que sua religião é a mais perfeita e a que levará os fiéis ao reino dos céus. E por isso, os grupos mais radicais tentam impor seus costumes e crenças aos de outra religião. E essa imposição é realizada através da força, da segregação ou da discriminação.



No entanto, não levam em conta que todos somos filhos do mesmo Deus e que não importa que nome ele tenha (Alá, Geová, Maomé ou outro qualquer). Esquecem também que, cada povo tem o direito de acreditar nesse Deus da forma que estão acostumados, pois nessa questão não há certos ou errados. Esquecem também que ninguém tem o direito de se meter na fé e nas crenças do outro.