OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

HOMOSSEXUALIDADE NA VISÃO ESPÍRITA

Antes de mais nada é preciso saber que há uma distinção das práticas afro-brasileiras (como a umbanda e o candomblé) e o espiritismo. Nesta postagem vamos nos referir apenas ao espiritismo.


Embora para muitos os espíritos são “fantasmas” que vivem acorrentados para assustar e assombrar as pessoas. Para outras, os espíritos são “seres etéreos e esvoaçantes”. Mas ainda há quem diga que sejam demônios e que praticam rituais macabros. Tanto o pensamento de uns quanto de outros revela desconhecimento sobre o que seja o espiritismo. Desconhecimento que dá origem e acirra o preconceito religioso.


O ESPIRITISMO tem por princípio fundamental o amor a Deus, como Pai Bondoso, Amoroso e Justo. 

A prática espirita é a do Evangelho ensinado por Jesus Cristo. E tem no respeito ao próximo e na caridade seus pilares mais importantes.

Deus, como Pai de todos, conhece intimamente os desejos e necessidades de seus filhos (espíritos ou almas) e permite que cada um deles viva neste mundo para serem felizes e desfrutá-lo com bom senso. A cada um, Deus dá o livre-arbítrio, ou seja, agir da maneira que achar melhor. E compreende se eles escolhem de maneira equivocada ou cometem erros. E como é Justo, dá inúmeras chances deles se recuperarem, permitindo que retornem a este mundo para aprenderem e evoluírem através da experimentação de novas situações.  É a chamada “reencarnação”.


Para que esse “espírito ou alma” possa viver, experimentar, aprender e evoluir neste mundo precisa de um corpo material. Um corpo de carne e osso. E para que se obtenha esse corpo precisará da união de dois corpos para gerar um novo ser. E se Deus precisa que um corpo material seja gerado, por que Ele seria contra a relação e ao ato sexual se este é o único meio de se obtê-lo? Por isso é que Deus quer que mantenhamos nossos corpos materiais o mais saudável possível.


Então, Deus é contra o homossexualismo? 

A resposta é NÃO. Quem nunca disse ou ouviu dizer que “Deus escreve certo por linhas tortas”? Compreender os propósitos da homossexualidade pelo ponto de vista da reencarnação não é fácil. Mas vou tentar explicar da melhor maneira que posso.


Imaginem uma peça de teatro. No palco estão vários atores e atrizes, cada qual representando um papel dessa peça. João faz o papel de um padeiro. João não é padeiro, nem nunca foi, mas “faz de conta” que é. Ele age e pensa como padeiro. Tempos depois, a peça sai de cartaz e os atores começam uma nova apresentação. João permanece no elenco e vai encenar um rei (Luis XV, por exemplo). Novamente, João não é rei, nem Luis XV, mas age como se fosse. E assim, de tempos em tempos, João recebe um novo papel masculino e vai desempenhando-os da melhor maneira que pode e sabe fazer, porque João é um bom ator. No entanto, João tem uma surpresa num próximo evento: o diretor lhe diz que seu novo papel será o de uma mulher. João o representa seu papel a contento, mas de vez em quando, num gesto banal, numa forma de olhar, numa piada, no pegar um objeto João mostra a sua masculinidade. Nem a mais forte maquilagem consegue disfarçar esses pequenos detalhes, porque as experiências de homem em João ficaram mais impregnadas. 

O mesmo acontece com Vivi, uma famosa atriz, com representações de papéis femininos e que, inesperadamente, se vê fazendo um papel masculino. Ao contrário de João, os gestos, o olhar, o andar, o modo como Vivi se expressa são mais delicados, femininos e mostram que ela não é homem.

E nesta vida é assim. Imaginemos outros dois personagens: Jonas e Júlio. Por várias encarnações, Jonas foi mulher e agora vive num corpo de homem. Júlio, que sempre foi homem, continua num corpo de homem. Ambos se encontram, se apaixonam e decidem viver juntos.


Esquecendo-se o corpo material (masculino ou feminino) e pensando apenas nos espíritos, o encontro dessas almas continua sendo sempre de um homem com uma mulher. E onde está a aberração?

Qual será o propósito de Deus para as uniões matrimoniais de pessoas do mesmo sexo, já que nem os espíritos, nem os mesmos corpos físicos semelhantes engravidam? A resposta não está muito distante de nós. Basta observar as entrevistas e depoimentos desses casais na mídia. A maioria deles diz querer adotar, abrigar, cuidar e educar crianças. E isto não é CARIDADE, a mais bela de todas as virtudes?

Mas você deve estar se perguntando como ficam os casais homossexuais que não pretendem fazer adoção, não é? O que é o prazer? Para você é apenas o sexual? Quando amamos o próximo mais que a nós mesmos, desejando que o outro seja feliz, satisfazendo suas necessidades de afeto, ouvindo seus problemas e compartilhando a vida. Também não é CARIDADE?



Deus só não gosta de desrespeito, de preconceito seja lá do que for, de xingamentos e ofensas. De resto, Deus é Pai e, como tal, ama seus filhos incondicionalmente. 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

E O QUE PENSAM AS IGREJAS PROTESTANTES?

Os luteranos, calvinistas, presbiterianas, evangélicos, metodistas, adventistas e batistas fazem parte do chamado Igreja Protestante. Por que são chamadas dessa forma?

No início do século XVI, na Europa Ocidental, os padres da Igreja Católica vendiam as chamadas “indulgências”. Ou seja, para garantir a entrada dos fiéis no reino dos céus, os padres cobravam por uma bênção (que deveria ser de graça) e exigiam que fizessem sacrifícios exagerados.


O alemão e monge católico de nome Martinho Lutero se rebelou contra essa venda por considerar uma “exploração” da benção de Deus e porque na grande maioria os fiéis eram muito pobres e viviam em grandes dificuldades. Então Lutero criou novas regras para a paróquia que tomava conta com a intenção de chamar a atenção do clero para esse fato. Logicamente, esta atitude desagradou ao alto comando da Igreja e, em 1530, decidiram excomungá-lo.

Fora da Igreja católica, em Lutero criou uma nova Igreja que ficou conhecida como “Luteranismo”, onde implantou as regras e modificou alguns dogmas (verdades absolutas). E porque protestava, Lutero e seus adeptos ficaram conhecidos como “protestantes”. Em pouco tempo, o Luteranismo se espalhou pela Alemanha e por outros países europeus. 

Na França, outro dissidente da Igreja Católica chamado João Calvino, decide também criar uma outra Igreja, pregando que a “Palavra Divina” não poderia ser contestada, que a fé deveria vir sempre em primeiro lugar e que as pessoas deveriam viver apenas do seu trabalho e do pagamento que recebia por ele. Ser rico ou pobre era, para Calvino, uma “predestinação” divina.

Não demorou muito para que o protestantismo chegasse à América. Nos EUA, ganhou novas ramificações: os presbiterianos, os adventistas, metodistas e os batistas. Ao chegar na América do Sul, os protestantes passaram a ser chamados de “evangélicos”, porque pregavam com o Evangelho nas mãos e citavam os versículos bíblicos.

                                                 missionários americanos

Só chegaram no Brasil em 1824, quando missionários americanos e europeus passaram a vir para cá. Com o tempo, novas Igrejas foram sendo criadas. Mas estas não são puras, isto é, possuem misturas dos dogmas de umas e outras.


Assim, as primeiras Igrejas protestantes puras seguiam os principais dogmas do catolicismo e eram contrários ás práticas homossexuais e hoje, são contrários aos casamentos gays. Algumas, mais recentes, acreditam que o homossexualismo é uma doença e que podem ser “curados” graças a uma oração e bênção do pastor que recebe de Deus esse poder. Outras são mais conservadoras e outras, mais liberais.

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

COMO A IGREJA CATÓLICA VÊ O HOMOSSEXUALISMO?

Antes de continuarmos falando sobre a homossexualidade, precisamos entender alguns pontos importantes.


A Igreja Católica Romana possui como partes essenciais de sua doutrina a “Palavra” e “os sacramentos”. A “Palavra” refere-se aos ensinamentos do Evangelho. Já os sacramentos são rituais que visam manter e fortificar a fé dos fiéis. Por meio desses rituais os fiéis recebem as “graças divinas”. O batismo, a confissão, a comunhão, a penitência, a extrema-unção, a ordem e o matrimônio são sacramentos e foram instituídos por Jesus Cristo como “sinais ou gestos da bondade divina”. Segundo a Igreja Católica Romana, os sacramentos são necessários para a “salvação” dos fiéis e para que alguns momentos da vida cristã receba um ar de sacralidade.


Se o matrimônio é um sacramento, o comportamento sexual é quase isso. Para a Igreja Católica Romana, a bênção recebida na cerimônia de casamento o torna “sagrado” para sempre. Os sacramentos são dados uma única vez para cada pessoa, com exceção da confissão e da penitência. Um sacramento recebido vale para a vida inteira, daí o sacerdote dizer a célebre frase “até que a morte os separe”, quando o casamento termina. Já o comportamento sexual entre o homem e a mulher é “tolerado” por servir à procriação. Portanto, tudo o que for diferente disto, não é sagrado. E se não é sagrado é visto como pecado.

Para essa Igreja, um segundo casamento, aborto não naturais, sexo antes do casamento e atos sexuais entre pessoas do mesmo sexo são “pecados graves”, pois contrariam a ideia de sacralidade do casamento e dos sacramentos.

A homossexualidade é vista como antinatural e acreditam ser incompatíveis com as leis da natureza. Afirmam que um homossexual não vem da complementaridade afetiva e sexual genuinamente concedida pela graça divina durante a benção do casamento. O mesmo acontece com outras formas em que a sexualidade se faz presente: sodomia, contracepção, pornografia e masturbação. Portanto, quem age destas formas estão em pecado.


A Doutrina Católica Apostólica Romana esclarece que estar atraído ou sentir desejo homossexual não é pecado por si só porque é um ato involuntário. O pecado passa a existir quando a pessoa se deixa levar por eles e, consciente e voluntariamente, pratica e se deleita de prazeres com o ato sexual com pessoas do mesmo sexo. É pecado também ter fantasias a esse respeito.

Aos homossexuais a igreja Católica aconselha castidade, ou seja, abster-se da pratica sexual motivados pelo autodomínio, força de vontade, pela oração e pelos sacramentos já recebidos. Acreditam que com estas práticas, pouco a pouco, chegarão a uma “perfeição cristã”.


No entanto em seus pronunciamentos ao mundo, o Papa João Paulo II, afirmou e reafirmou a “Carta Homosexualitatis” como a opinião da Igreja sobre os homossexuais. A carta diz que o problema do homossexualismo é o comportamento ruim e desordenado. Portanto, um problema moral que deve ser combatido. Mas reprova a violência, o preconceito e a discriminação contra os homossexuais e incentiva e aconselha os fiéis fazerem o exercício do perdão, ou seja, acolherem essas pessoas com delicadeza, respeito e compaixão.

Apesar desse discurso bonito, cheio de boa vontade e com ares de modernidade, em 3 de junho de 2003, a Santa Sé emite um documento proibindo que sejam feitas as uniões matrimoniais entre pessoas do mesmo sexo sob a alegação de ser antinatural, de ser falta de respeito á dignidade humana, inadequada á dimensão conjugal que representa a forma humana e ordenada das relações sexuais, que não servem para a procuração e que falta a esses parceiros a experiência da maternidade ou da paternidade. O documento fala também do “perigo” que as crianças correm ao serem inseridas em um ambiente homossexual. Adotar e criar uma criança, seria uma “violência” ao seu pleno desenvolvimento humano, visto que poderia ser influenciada a tornar-se homossexual também, já que ainda é um ser indefeso e imaturo. O documento foi debatido e recebeu muitas críticas pelo mundo a fora, inclusive de muitos padres, bispos e cardeais.



Desde agosto de 2005, a Igreja Católica proíbe que homossexuais (com “tendências enraizadas” ou que “apoiem a cultura gay”) sejam seminaristas e se tornem padres por um documento assinado pelo Papa Bento XVI.

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

AS RELIGIÕES E A SEXUALIDADE

EM LINHAS GERAIS

Todas as religiões preocupam-se com a questão da sexualidade. Muitas delas veem o sexo como dádiva divina. Dessa maneira, as comunidades religiosas ganham status de legalidade para estudar, orientar e criar normas que determinarão a vida dos fiéis.

Como em outras instituições, o primeiro contato com a religiosidade é sempre familiar. A família ensina aos mais novos alguns preceitos, os levam aos cultos e passam alguns valores morais. Portanto, todo fiel sabe ou tem ideia do que lhe será exigido em termos de normas e de padrões de comportamento. Bem mais tarde, porém, é o próprio indivíduo quem decide se permanecerá nesta ou procurará outra religião.

Todas as religiões prezam e orientam seus fiéis para uma boa conduta moral. O objetivo é formar as pessoas para que se comportem adequadamente em várias situações. E para isso, procuram divulgar os padrões de comportamento por acreditarem que eles são o “ideal”. E o fazem o mais frequentemente possível.


Dentre esses padrões de conduta estão os temas: família, sexualidade e as práticas sexuais. A maioria das religiões acreditam que o sexo é “uma energia vital” e, portanto, um presente do Divino. Com relação ao prazer sexual, acham que merece atenção e cuidado.

Para todas as religiões, a família é um agrupamento fundamental. Porém, só a consideram se for legitimada, ou seja, constituída por um homem e uma mulher unidos pelos “laços sagrados do matrimônio”. 



Após o casamento as práticas sexuais são liberadas. O sexo visa apenas a procriação para a manutenção da espécie humana. Se o casal ao se relacionar sexualmente e desfrutar do prazer carnal estará sendo abençoado pelo Divino. Mas, se não obtiver prazer, estará cumprindo ao objetivo da procriação. Segundo essa maneira de pensar, o casamento atua como uma forma de coibir os abusos, controlar o desejo sexual e manter o ato sexual na esfera do sagrado. 


Assim, a prática sexual realizada antes ou fora do casamento incorre em pecado grave. Ele será mais grave ainda se os parceiros forem do mesmo sexo. E como toda rebeldia ao padrão estabelecido, merece ser contida e punida. 

Mas as religiões também falam em “perdão”. O fiel que se arrepender profundamente da falta cometida e lutar para não voltar a cometê-la, poderá ser perdoado. O controle do desejo sexual e o celibato são as orientações mais frequentes para esse perdão.


Embora as religiões estejam um pouco mais abertas ás modernidades da vida atual, algumas delas não abrem mão de seus dogmas.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

NO PENSAMENTO DE JACQUES LACAN...

Jacques Lacan é um psicanalista francês, que viveu de 1901 a 1981, portanto, mais do nosso tempo. Na juventude, foi discípulo de Sigmund Freud, mas atreveu-se a discordar das ideias do mestre com relação à homossexualidade que era muito repressiva e voltada para a moral e os “bons” costumes.

Segundo os críticos e estudiosos do trabalho, obras e pronunciamentos de Lacan afirmam que no começo da carreira, Lacan também se referia a homossexualidade como uma “perversão”. Mas, justificava que não via nada de patológico ao usar o termo. Usava o termo porque contrariava os costumes da época. E como tal, poderia ser corrigida.

Para as ciências nada é definitivo. O que parece certeza hoje, pode ser mudado amanhã ou no mês, ano ou década seguintes. Basta que se descubra um fato novo. E foi o que aconteceu.



Nos anos de 1960 a 1980, a humanidade vivia anos de inúmeras e intensas transformações sociais. E dentre elas a do erotismo humano. Enquanto isso, nas universidades norte americanas surge um movimento pró-gays e lésbicas e textos de trabalhos acadêmicos sobre a homossexualidade e que abriam longas discussões sobre os termos “heterossexual”, “homossexual” e outros, pois não eram apenas resumos das ideias e confrontamentos das ideias dos grandes psiquiatras e psicólogos da época, mas relatos de experiências vividas por gays e lésbicas. Trabalhos de qualidade que colocavam em dúvida os antigos comportamentos, traziam ideias novas sobre a sexualidade e sugestões para um tratamento mais natural e de respeito sobre o assunto. Textos que, a partir de 1980, se tornariam conhecidos no mundo todo e por causa deles se desencadearam muitos movimentos sociais.


Lacan pensava muito e dedicava longo tempo de estudos sobre essas transformações. Via nas condutas humanas inúmeras variações: algumas condutas eram deixadas para trás e substituídas por outras. As pessoas passaram a escolher o que era melhor para elas: manter um comportamento rígido a séculos ou mudá-los para outro mais moderno, mais livre e menos criterioso. E isto nada tinha a ver com doença ou perversão.


Lacan leu os trabalhos universitários e se pôs a pensar: se os comportamentos humanos são baseados em escolhas, a sexualidade humana também seria assim. E pensando dessa maneira, pronunciou num evento científico que, a razão principal e única causa da homossexualidade seria a da “escolha” pessoal.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

A HOMOSSEXUALIDADE NA VISÃO DE JUNG

Algumas considerações devem ser feitas antes de tratarmos do tema central desta postagem. Muitos leitores talvez nunca tenham ouvido falar de Jung ou de nunca terem entrado em contato com sua obra. Vou tentar ser o mais breve possível e de assuntos que interessam ao tema.

QUEM FOI JUNG?

Seu nome era Carl Gustav Jung. Foi um psiquiatra suíço e viveu entre os anos de 1875 a 1961. Foi aluno de Freud e ousou divergir das ideias do mestre. Estudou muito, comprovou seus pensamentos em várias culturas desde as mais primitivas até as mais avançadas e depois as colocou em vários livros. Fundou a Psicologia Analítica baseada numa teoria complexa e profunda, porém sempre muito atual. Jung foi um homem com uma visão de mundo e de pessoa muito além do seu tempo.

A TEORIA JUNGUIANA

Para Jung, além do corpo físico, os seres humanos são dotados de psique (termo grego que significa “alma”). Mas, uma psique não tem nada de mística ou religiosa. Apesar de invisível, seus efeitos da psique ou alma podem ser observados através dos comportamentos humanos. A psique, para Jung, era composta de duas partes: a consciência e o inconsciente. E cada uma com suas subdivisões. A consciência ocupa um pequeno espaço e seu centro é o ego ou eu.

Ego (Eu) é a consciência do ser individual e íntegro que cada um de nós é. Também da consciência de que somos seres sociais e de que precisamos nos relacionar com nossos semelhantes.


Um outro ponto importante da consciência é a “persona”. Uma espécie de máscara invisível, mas que nos permite viver em sociedade e nas mais diversas situações. Assim adotamos as máscaras de filhos, de pai ou mãe, de netos, de alunos, professores, dentistas, médicos etc e nos comportamos como tais.

Já o inconsciente ocupa um espaço imenso. A consciência seria uma pequena parte imersa no inconsciente, como uma pequena ilha num oceano qualquer. 

                                                Ilha = consciência, 
                                                     azul claro = inconsciente pessoal, 
                                                     azul escuro = inconsciente coletivo.

A parte do inconsciente próxima da consciência, fica o “inconsciente pessoal”, ou seja, cada pessoa tem seu inconsciente particular onde deposita os acontecimentos indesejáveis que pretende esquecer. O restante do imenso espaço é ocupado pelo “inconsciente coletivo”, ou seja, memórias do processo evolutivo da espécie humana e que está presente em todas as culturas.

É nesse inconsciente coletivo que vagam os “arquétipos”, que nada mais são do que pontos de energia viva e autônoma em forma de imagens. Os arquétipos parecem adormecidos. Mas, basta uma pequena ação humana para que se ativem e passem a influenciar, positiva ou negativamente. o comportamento dos indivíduos.


Um desses arquétipos interessa particularmente para tema desta postagem. É o arquétipo de ANIMA e ANIMUS, que influencia diretamente no comportamento de cada homem e de cada mulher.

Cada pessoa tem uma imagem arquetípica do que é ser homem ou do que é ser mulher. Quando alguém pede para descrevermos o homem dos nossos sonhos, o descrevemos como másculo, forte, viril, racional, enérgico, eficiente, provedor e protetor. Quando descrevemos uma mulher, o fazemos como delicada, sensível, dependente, submissa, amorosa, maternal e frágil. Por que? Porque era assim no nosso antepassado mais remoto e estava em jogo a sobrevivência da espécie. O tempo passou, as coisas mudaram, mas a imagem arquetípica continua a mesma.

SOBRE ANIMA E ANIMUS

Segundo a teoria junguiana, anima e animus são opostos que coabitam o mesmo arquétipo. Anima influencia o comportamento feminino e animus, o comportamento masculino. Por essa razão, o nosso consciente só admite que os seres humanos se diferenciem como homens e mulheres de acordo com as diferenças físicas presentes nos órgãos sexuais. O consciente não leva em conta as fortes influências da psique e dos arquétipos.

No entanto, homens e mulheres são participantes do mesmo inconsciente coletivo e estão sujeitos a influência de anima e de animus ao mesmo tempo.

E se considerarmos a forma como a psique, os arquétipos, suas influências e como os opostos atuam (quando um está mais presente anula o outro) sobre os comportamentos humanos e, em especial, na questão da sexualidade, podemos dizer que os seres humanos estão divididos em quatro categorias: 1- homem com influência de animus; 2- homem com influência de anima; 3- mulher com influência de anima; 4- mulher com influência de animus.

Quem se lembra de uma música antiga e muito popular, “FEMININO E MASCULINO”, composta e gravada por Pepeu Gomes? Só para ilustrar, um trechinho dessa música:

“Ser um homem feminino
Não fere o meu lado masculino
Se Deus é menina e menino
Sou Masculino e Feminino...”

E esse trecho explica claramente o efeito de anima e de animus. Como participante do mesmo e único inconsciente coletivo, homens e mulheres recebem a influência tanto de anima quanto de animus, porem em graus diferentes. Assim, se o corpo masculino tem como influência psíquica do arquétipo de animus e o corpo feminino, o de anima, o ego o identifica como homem ou mulher. 


A consciência aceita numa boa e suas personas ou máscaras sociais se comportarão adequadamente (como homens ou mulheres) nas mais diversas situações do cotidiano. Não haverá conflitos. Sexualmente, um buscará no sexo oposto ao seu, as qualidades que lhe faltam e que estão presentes no oposto anulado. Então os classificamos como heterossexuais.

Mas, e quando um corpo masculino é influenciado por anima e o corpo feminino é influenciado por animus? Aí então, a consciência entra em conflito. Como a presença do arquétipo é muito forte, o ego não reconhece e não aceita o corpo físico. Se tem anima como predominante, o corpo masculino se torna estranho e incompatível com as qualidades de anima. O mesmo acontece com animus num corpo feminino. As personas também não adequam os comportamentos. Assim encontramos homens com atitudes e comportamentos femininos e mulheres com atitudes e comportamentos masculinos. Sexualmente, buscarão as qualidades que lhes faltam em pessoas do mesmo sexo e que completam o oposto anulado.


Por que não procuram do sexo oposto? É o que fazem. Mas essa busca não está no sexo do corpo físico (órgãos genitais), nas no corpo da psique e do arquétipo anulado. Então, chamamos essas pessoas de homossexuais.

Quando Jung explicou esta teoria, o mundo científico quase veio abaixo. Uns aceitaram logo, outros ignoraram a teoria. Estes últimos, também ignoraram Jung chamando-o de louco. E como Jung dizia que toda loucura tinha um fundo de verdade, não se incomodou em ser considerado assim. Por isso, suas teorias, estudos e pensamentos só se tornaram conhecidos após sua morte.

Será que era loucura de Jung ou algo que se vê constantemente? Seria Jung um louco ou alguém com uma visão além do seu próprio tempo? Aceitar ou não esta teoria fica a cargo de cada um. Eu só escrevi o que entendi da teoria.


terça-feira, 11 de agosto de 2015

FREUD E A HOMOSSEXUALIDADE


Sigmund Freud foi um psiquiatra e neurologista austríaco que descobriu que além do corpo havia algo a mais que determinava a nossa vida: o psiquismo. Estudou-o e descobriu o inconsciente e deu a ele um caráter científico. Com essas descobertas desenvolveu a teoria da mente e do comportamento humano, que muitos seguem até hoje. Por isso, foi considerado o “Pai da Psicanálise”. Para Freud, tudo o que fazemos estava ligado a uma questão sexual, uma força que ele chamou de “libido”. E o que ele disse sobre a homossexualidade?

Freud achava que discutir sobre as causas da homossexualidade era semelhante a se questionar as causas da heterossexualidade. Dizia que o interesse exclusivo de um homem por uma mulher era uma questão que precisava de esclarecimento que não havia nada que comprovasse que esse interesse estivesse baseado apenas numa atração com base química.

Freud argumentava que as críticas à homossexualidade baseada na premissa de que não tem finalidade reprodutiva, não levava em conta os inúmeros casos em que os próprios heteros praticam e que não possuem finalidade reprodutiva, como por exemplo, uso dos métodos anticonceptivos, o sexo após a menopausa, o sexo fora do período fértil, o sexo com parceiros inférteis, o sexo oral ou o anal, a masturbação etc. Para ele, o sexo é um instinto. Incorreto e incoerente seria afirmar que os instintos teriam um objetivo. No caso, o instinto sexual seria a obtenção do prazer e não a reprodução.

Outro ponto que gera discussão é um trecho da teoria freudiana que trata do “Complexo de Édipo”. Para ilustrar e se fazer entender nesse acontecimento, Freud se valeu deste mito grego:

Laio era um homem feito e rei de uma localidade, que se apaixona por Jocasta, nos primeiros anos da adolescência. Casam-se e pouco depois, nasce Édipo. A localidade onde vivem está em guerra e para preservar a vida do filho ainda bebê, Laio o manda para longe. O tempo passa e a criança cresce sem conhecer o pai e a mãe biológicos. Édipo é agora um rapaz forte e belo, que viaja pela Grécia. Numa das estradas, encontra outro viajante. Eles entram em discussão por questões políticas, brigam e Édipo acaba matando-o. Ao chegar na cidade, Édipo conhece Jocasta, já mulher feita, mas ainda jovem e bonita. Apesar de ser bem mais velha que Édipo, ele se apaixona por ela e ambos firmam um romance. Numa conversa entre eles, Édipo descobre que o viajante que matou era seu pai biológico”.

Segundo essa teoria, todas as crianças (dos 4 aos 6 anos) passam por esta fase, e se ligam ao progenitor do sexo oposto. Não para ter com ele uma relação sexual, mas para comparar e se descobrir como pessoa. E para isso, passa a copiar os trejeitos e comportamentos do progenitor do seu sexo. É assim que, segundo essa teoria, as meninas aprendem os comportamentos femininos e os meninos, os comportamentos masculinos. Aprendidos esses comportamentos se afastam novamente dos progenitores.

O mito de Édipo e a realidade tem sentidos diferentes. Mas, como para Freud a libido tinha uma conotação sexual, as pessoas traduziram suas obras, a interpretavam e continuam interpretando do jeito que querem ou entendem. Em muitas traduções aparece a palavra “apaixonar” em vez de “encantar”.

Assim, com pais ausentes e mães super-presentes, as pessoas passaram a achar que o homossexualismo poderia surgir daí. Mas, nos dias de hoje, quantos pais (viúvos ou separados) não assumem a educação de suas filhas? E quantas mães (em igual situação) não assumem sozinhas a educação de seus filhos? Se fosse uma regra, as filhas seriam lésbicas e o filhos, seriam gays? E isto acontece? Não, porque a figura feminina ou masculina, pode ser substituída por outra pessoa (avó, tia, irmã mais velha, uma amiga ou madrasta e vice-versa).

Por outro lado, alguns grupos contrários ao homossexualismo citam o Complexo de Édipo como se fosse algo pecaminoso, como uma doença ou coisa parecida.

Freud escreveu e publicou inúmeros livros numa época em que a cultura mundial era conservadora e tacanha. Mas nunca afirmou que o homossexualismo era pecado ou doença. Ao contrário, sempre defendeu a homossexualidade como algo natural e que eles não deveriam ser tratados como doentes.


Um outro ponto que os grupo combatentes ao homossexualismo se apegam é quanto ao “sexualismo desviante”, também parte da teoria freudiana. Segundo Freud, este é um problema ligado ao como o imaginário cultural do ocidente lida com a sexualidade, definindo o que para determinada cultura é normal ou doentio. Como a imaginário ocidental segue os preceitos judaico-cristão, tudo o que foge dos padrões desse preceito é “doentio”.

Muito se tem discutido, analisado e avaliado cada ponto dessa teoria. Menos um: o das ideias de Freud sobre a homossexualidade. Estamos no século XXI, e vemos tudo evoluir. Mas o imaginário ocidental continua o mesmo. Como nos livrarmos dele para mudarmos para outro mais evoluído. Mais positivo e mais real?

Em 1920, Freud assume uma posição muito clara em relação ao homossexualismo e declara que não é função da Psicanalise acabar com a homossexualidade. O máximo que pode fazer é tentar explicar seus mecanismos. Para Freud, os mecanismos psíquicos nos direcionam para a escolha de um objeto amoroso por caminhos formados por disposições pulsionais e que isto funciona para todo mundo e em todos os sentidos.

Freud, em seus últimos livros revoluciona sua própria teoria e nos traz um novo conceito: o da psicossexualidade. Ele afirma que a pulsão sexual não tem um objetivo fixo como no instinto sexual dos animais. Ao contrário é anárquico, diversificado, e singular e plural ao mesmo tempo, e tem o poder de se manifestar de inúmeras formas e por inúmeras vias. Freud desvincula a sexualidade dos órgãos genitais afirmando que a sexualidade vai além desses órgãos.

Com essa afirmação Freud dá a sexualidade uma amplidão maior. Principalmente, quando afirma que o prazer é sua função principal e que a reprodução é uma função secundária. E na medida em que ele afirma que as pulsões integram nosso psiquismo, o conceito do que é normal ou anormal deixa de existir. O termo “amor” ligado aos impulsos sexuais afetuosos e amistosos é quem determinam a escolha do objeto sexual.

Para Freud, a homossexualidade não pode causar estranheza ou vergonha. Não é vício, nem condição degradante, nem pode ser catalogada como doença. A homossexualidade, segundo Freud, nada mais é do que uma variação da função sexual.