OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

segunda-feira, 28 de maio de 2018

A GRANDE MUDANÇA


Desde os primórdios da humanidade, os banhos nunca foram diários. Os povos nômades precisavam de um rio e tempo quente para se banharem. Na antiguidade, com a formação das cidades e a aproximação das pessoas a higiene melhorou um pouco e os banhos passaram a ser públicos e semanais. 

E foi assim por muito tempo. Mas, um fato sério ocorreu na Idade Média, a partir do século XIV.

A Europa foi assolada por uma pandemia durou por volta de 50 anos. A peste bubônica (ou peste negra, como ficou conhecida) não escolhia ninguém para atacar. Ricos e pobres, nobres e plebeus estavam sob a mira da peste.

Sem saberem mais o que fazer para dar um fim a esta pandemia, os médicos culparam a água de ser o agente transmissor dos efeitos nocivos da doença que assolavam as populações. Diziam que os corpos molhados pelos banhos quentes ou mornos abriam os poros, facilitando a entrada dos bacilos transmissores. E recomendavam que os banhos fossem evitados.


Isto se tornou num grave problema para a aristocracia e classes mais abastadas. Para resolver este problema, os aristocratas inventaram uma forma de driblar a sujeira corporal e manter a boa aparência sem usar a água.  A solução foi misturar algumas ervas. E inventaram os cosméticos que eram usados no rosto, colo e mãos.
Com a sujeira provocada pela falta de banho, os cabelos viviam infestados por piolhos e eram escondidos pelo uso de perucas. Para evitarem as famosas “coceiras” passavam desinfetantes e purificadores. O povo, infelizmente, se acostumou com a sujeira. E este costume permaneceu por uns três séculos após a pandemia ter sido debelada.

Com a rebeldia das mulheres com relação a amamentação, elas também se rebelaram contra a sujeira corporal. Passaram a cuidar do corpo, dos cabelos, das roupas e do ambiente. Nascia uma nova mulher e com ela, uma revolução nos costumes.

Com a chegada da nova era, uma nova concepção de corpo e de seus cuidados foi criada. Foi uma verdadeira revolução dos costumes, não só do corpo, mas do ambiente também. Cresceu o interesse pelo banho semanal e pela troca mais frequente das roupas íntimas. Surge, então, os cuidados (quase obsessivos) com o corpo e com o ambiente. E estes costumes passaram a ser fundamentais.


Até este momento, a beleza natural era o que definia uma pessoa da outra. A partir do século XVII, surge o primeiro padrão de beleza reconhecido mundialmente. Ser bonita era ter um corpo roliço, formas suaves, quadris largo e seios fartos conquistados com boa alimentação, possuir uma gordura saudável que, aliás, era atributo dos mais abastados. A pele devia ser branca, tida como símbolo de pureza, de castidade, de feminilidade.
A magreza, as peles mais escurecidas pelo sol, marcas de cicatrizes na pele do rosto eram sinônimos de feiura, de pouco saudável, sinal de pobreza e de descuido. Esse modelo de beleza física e feminina era espelhado no Renascimento. Assim, todas as mulheres daquela época queriam ou se esforçavam para serem belas e mostrarem-se com ares saudáveis para se encaixarem dentro.

O uso de pinturas faciais e o uso de cremes ajudava nessa diferenciação entre as próprias mulheres, deixando evidente o gosto e a personalidade de cada uma. E a partir de então, as mulheres passaram a ser “escravas” dos padrões de beleza. Não mediam esforços, nem sacrifícios para serem consideradas belas. Por exemplo, ficavam várias horas ao sol com o rosto, colo e braços cobertos para clarear os cabelos. Outras, arrancavam no todo ou em parte as sobrancelhas e os cílios, para desenhá-las mais finas com um lápis de carvão, porque os cílios e sobrancelhas grossas era considerado antiestético. As magras comiam loucamente para que ficassem mais roliças e as obesas, deixavam de comer. Todas queriam melhorar sua aparência e corrigir ou contornar os defeitos reais ou imaginários.


AJUDA OU PROBLEMA?
O uso dos cosméticos foi uma salvação e também um problema para as mulheres, principalmente, para as das classes mais pobres. As mais ricas encomendavam perfumes e cosméticos nos boticários (químicos da época). Mas as pobres não tinham dinheiro para isso e também queriam ser consideradas belas. E por que não?
As mulheres mais pobres faziam cremes caseiros. Misturavam uma porção de ervas e outras substâncias com elas faziam uma pasta. No entanto, usavam ervas ou substâncias, algumas nocivas, que reagiam quimicamente entre si ou em dosagens muito maiores que o indicado. O resultado eram queimaduras, sérias alergias, cicatrizes feias, manchas nos dentes etc. E o que era para ficar bonito, acabava ficando feio e, muitas vezes, para sempre.

Lógico que a Igreja e a Medicina interferiram novamente. A Medicina afirmava que a maquilagem “tirava a humanidade do rosto das mulheres”. E a Igreja afirmava de que as mulheres ficavam “irreconhecíveis aos olhos de Deus”. Para explicar o despreparo nas misturas de substâncias e a necessidade de se sentirem belas, a Igreja passou a afirmar que “estas misturas eram coisas diabólicas e preparadas com rituais de feitiçaria”, por isso, em vez de embelezar marcavam as mulheres com a feiúra. Por isso, conhecemos as bruxas desta forma:


Outra mudança radical se refere ao vestuário. Se desde os primórdios o vestuário femininos eram muito parecidos. Agora as vestes passavam a valorizar os contornos femininos. A partir deste momento, as mulheres passam a se vestir para agradar a si mesmas. Outra forma de rebeldia ou formação da autoestima? Quem sabe? O fato é que a vaidade feminina fora despertada. E mais uma vez, as mulheres se tornam “escravas” dos modismos. As mulheres passaram a se vestir com mais elaboração e cuidado embora houvesse um padrão a ser seguido e que era respeitado por todas.


Essas mudança vão além da beleza física e da moda. Ela atingiu também o comportamento feminino e a maneira de pensar das sociedades. Como comportamento, o fato de se sentirem belas refinou os gestos e os movimentos que passaram a ser mais leves, delicados e harmoniosos. O que era visto com “encantamento ou feitiçaria” contra a população masculina.

fonte: imagens Google

segunda-feira, 21 de maio de 2018

UMA NOVA FORMA DE HERESIA

Indiano pedindo graças divinas

Desde as épocas mais remotas, os seres humanos tentaram controlar a natureza de alguma maneira. Para esse controle faziam rituais a um Ser Divino (fosse ele qual fosse) onde pediam a essa divindade que os ajudasse, como parar de chover ou que chovesse quando o tempo estava muito seco, que a colheita fosse farta etc. A magia estava entre esses rituais e esteve presente em várias partes do mundo e sendo aceita e respeitada por muitos séculos.


Ìndio Kaiapo e o fogo sagrado

Porém, no gelado norte europeu, vivia um povo pacífico e dado a questões intelectuais, mas que não fugia da luta quando se fazia necessário. Esse povo eram os Celtas.
Território Celta

Seus domínios eram vastos e compreendia a região onde hoje é a Irlanda, a Inglaterra, o País de Gales e a Escócia. Um povo que valorizava e respeitava muito as mulheres fossem como mães, esposas, guerreiras ou assumindo papéis de destaque na sociedade como, por exemplo, Sacerdotisas. Por isso, diferente da maioria dos povos europeus, tinham uma sociedade matriarcal. Ou seja, uma sociedade onde homens e mulheres tinham os mesmos direitos, inclusive em caso de defesa do seu território homens e mulheres lutavam lado a lado e com a mesma bravura.


 
As três fases da Grande Mãe Celta: a Virgem, a Mãe e a  Velha Sábia.

Como religião, praticavam um culto dedicado à Grande Mãe, que consideravam como o “útero da criação”. Essa deusa era representada simbolicamente pela Lua. Acreditavam que em suas fases, a Lua ou a Grande Mãe, guardava os segredos e mistérios da energia e da intuição feminina. Para os Celtas, a Lua Crescente era a personificação da Virgem, por ser jovial, alegre e deslumbrante como todas as jovens são. A Lua Cheia era a personificação da Mãe, por ser meiga, gentil e carinhosa. A  Lua Minguante, era a personificação de uma Velha Sábia por ser poderosa, firme, conselheira e conhecedora das ervas que curavam todos os males do corpo e da alma. A Lua Nova, mais escura, o tempo do luto, do recolhimento e do autoconhecimento. 


Cornífero

Como deus solar, masculino, corajoso, que trazia o pensamento lógico, a fertilidade, a saúde e a alegria cultuavam a CORNÍFERO. E ambos, reinavam no campo espiritual para completar os ciclos da natureza.


Rituais de magia

No culto a esses deuses, realizavam rituais de magia baseados no universo da imaginação popular. Preparavam grandes porções de infusão de ervas curativas que eram usadas se... e quando alguém precisasse. Esses remédios eram preparados e passados de geração a geração pelas mulheres mais velhas e em noites de Lua Cheia.

Os Druídas

Os druidas, a elite intelectual entre as tribos Celtas, resolveu que deveria controlar todas as tribos e transformar a sociedade matriarcal em patriarcal, como acontecia no restante da Europa. Houve muitos desentendimentos entre as tribos e por causa disto, acabaram enfraquecidas. Dessa maneira, os Druidas conseguem expulsar os seus contrários e dominar seus aliados.

Ao deixarem suas terras, o povo se espalham por toda a Europa. Algumas tribos ocupam o sudoeste da Itália e a região da Britânia, na França, enquanto outros vão para outros lugares. E nessa mudança, levam consigo sua cultura e suas tradições. E por quase dois mil anos, viveram em paz e em perfeita harmonia com os habitantes de todos os lugares onde fincaram raízes.


Preparo de poções medicinais

Na época das grandes epidemias, as anciãs celtas eram procuradas devido aos conhecimentos de anatomia que possuíam e dos remédios que faziam. Foram enfermeiras, parteiras e conselheiras dos camponeses pobres que não podiam pagar um “profissional habilitado”. Essa prática era chamada de WICCA.


Inquisidores da Igreja

Mas quando o Tribunal da Santa Inquisição foi instituído, o clero que, até então não se manifestava contra as práticas mágicas dos descendentes celtas, resolveu incluir suas práticas como heresia.

Para influenciarem o povo, mais uma vez criaram uma imagem deturpada do que realmente acontecia. Era uma propaganda contra os descendentes celtas, acusando as anciãs de praticarem “rituais de bruxaria”. Mais tarde, já eram as mulheres adultas e jovens numa ação verdadeiramente xenofóbica. Eram presas, culpadas sem julgamento e condenadas a morrer na fogueira em praça pública. Milhares eram condenados e queimados durante o ano.



Não satisfeitos, solteironas, viúvas, qualquer mulher que não dependesse economicamente de um homem, pessoas doentes, deficientes físicos, doentes mentais ou apenas por suspeita sem fundamento, eram condenados e mortos na fogueira. As falsas denúncias eram, geralmente, feitas por pessoas que tinham alguma desavença, indicadas por algum inquisidor ou por um inquisidor que tinha como objetivo ficar com os bens da pessoa denunciada. Há registros de que depois de mortos os bens eram divididos entre os inquisidores. Comprova-se ainda que o clero, além de manipulador de dados, fatos e sociedades inteiras, de corromper de acordo com seus interesses, de serem corrupto e machistas, eram também misogênico, xenofóbico, preconceituosos, discriminatórios e avarentos. E assim se passaram muitos séculos.

quarta-feira, 9 de maio de 2018

OS REFLEXOS DA MISOGINIA (cont).

5- O PATER FAMÍLIAS

Um novo código governamental fez com que as mulheres tivessem um novo golpe em sua liberdade: o PATER FAMÍLIAS. Por esse código, os homens se tornavam definitivamente o “chefe do lar”.

De modo simplificado, ser o “chefe do lar” significava que as mulheres e filhos passavam a ser propriedade dos pais ou dos maridos e que eles tinham pleno poder sobre a vida ou a morte das mulheres e dos filhos, caso cometessem uma falta grave.

O pater famílias também aumentou a idade da maioridade dos filhos de de 17 para 25 anos. Com esse aumento da maioridade, os filhos e filhas ficavam mais tempo sob a influência dos pais.

O pai ou os maridos administravam tudo (do andamento da casa, da educação e dos bens familiares), cabendo às esposas a obediência das ordens do marido.

No século XVI, em 1593, por um DECRETO DO PARLAMENTO FRANCÊS, as mulheres francesas perderam o direito opinar, de dirigir negócios ou instituições e de participar da política local. Como obrigações sociais, as mulheres voltavam a condição de serviçais dos maridos, da casa e dos filhos. Vale lembrar que naquela época, o que acontecia num país era copiado por todos os outros países.

6-  A MEDICINA

A Medicina também contribuiu para a desvalorização das mulheres. Ao longo dos tempos, sempre houve quem cuidasse dos doentes, que conhecessem ervas naturais que agiam como remédios etc.


Qualquer doença, mesmo as mais simples como uma febre ou dor de garganta, era curada com as famosas “sangrias”, ou seja, deixava-se o sangue escorrer do corpo por meio de um corpo numa das veias do braço. Isto porque os conhecimentos sobre os corpos humanos e de alguns sintomas eram muito pequenos. Conhecia-se pouco o corpo humano por dentro. E os estudos feitos até então, eram realizados com cadáveres. Portanto, não conheciam o funcionamento dos órgãos. E somente eram permitidas as dissecações em corpos masculinos, retratados pinturas de pintores  famosos.

 Portanto, não conheciam os corpos ou os órgãos femininos. Tanto a Medicina como a Igreja acreditavam que os corpos femininos eram obscuros, enigmáticos e cheios de mistérios no qual Deus e o Diabo tentavam conquistá-lo. Daí ,a proibição da dissecação.

Do corpo feminino, os médicos conheciam apenas a “madre”, nome dado ao órgão que gerava a vida humana, ou seja, ao útero (como é conhecido hoje). Para eles, a madre era um receptáculo sagrado com a função da procriação. Um lugar onde Deus fazia frutificar a vida que o homem colocava na mulher. No entanto, por serem frágeis e vulneráveis às ações demoníacas e por não poderem gerar sem a participação do homem, as mulheres estavam sujeitas a várias doenças como a angústia, a histeria, a loucura, a ninfomania.


7- A HERESIA

No final da Idade Média Clássica e na etapa seguinte, a Igreja Medieval se reergueu novamente e se firmou como uma grande e influente instituição. A autoridade do Papa e de seus representantes voltou a ser indiscutível e suas decisões eram aceitas, apoiadas e rapidamente aplicadas pela sociedade masculina. 

Arquitetonicamente, as Igrejas Medievais eram belíssimas. Por dentro, enfeites nas paredes e altares, candelabros e instrumentos religiosos feitos em ouro maciço. Pura ostentação de seu poder. 

Assim como a misoginia nada tinha a ver com as práticas religiosas ou da doutrina cristã, o reerguimento da Igreja também não tinha. O motivo dessa “volta por cima” da Igreja estava baseado nos interesses particulares dos membros da Igreja, que era o de conseguir o maior número de terras e riquezas possíveis. E para isso, precisavam arrebanhar e influenciar o maior número de pessoas que colaborassem nessa conquista, por meio de doação de privilégios.

Mas, mesmo com toda a diplomacia do clero, uma parte da população arrebanhada, passou a desconfiar e a discutir os propósitos pelos quais a Igreja ficava cada vez mais rica, enquanto a população ficava cada vez mais pobre. A população vivia de modo miserável mesmo.

A Igreja percebeu isso e passou a usar uma prática chamada HERESIA, ou seja, é quando uma pessoa (ou um grupo) expressa uma ideia contrária sobre a doutrina. Mas não era isso que estava acontecendo. As pessoas não estavam contra a doutrina, mas a forma como a Igreja vinha acumulando suas riquezas.

Para evitar que o povo não se manifestasse contra o que a Igreja estava fazendo, os chefes da Igreja mandavam prender essas pessoas. As cadeias estavam ficando lotadas e as pessoas continuavam criticando. Sinal que somente a prisão não estava surtindo efeito. Os padres então permitiram que os presos fossem torturados para servir de lição aos outros. Depois os soltavam. Mas também não resolveu.

Era preciso uma atitude decisiva, que impusesse medo e respeito indiscutível à Igreja. Então, o Papa e seus representantes resolveram criar uma espécie de tribunal para julgar esses casos. E esse tribunal foi chamado de “Santa Inquisição”.


Esse tribunal, formado por bispos, arcebispos e duas ou três pessoas influentes da Igreja (claro), que percorreria toda a Europa quando alguém era denunciado e sua função era a de investigar, julgar e punir os culpados.

Mas não era isso o que ocorria. Mesmo se declarando inocência e explicando com todas as letras os motivos pelos quais não deviam estar presos, as palavras do preso eram deturpadas ou modificadas a favor da Igreja. Isto quando o sujeito tinha a chance de se explicar.

Algumas das muitas formas de tortura aplicadas aos hereges.



Muitos sofreram tantas torturas que confessavam qualquer coisa, apenas para se livrarem das dores. Outros tantos, mesmo confessando-se inocentes eram julgados porque inventavam provas ou por qualquer outra coisa. Ninguém saia livre desse tribunal. E a punição era sempre o confisco dos bens e a morte do denunciado.
E desta vez, o povo ficou com medo. Claro, não é mesmo? E as práticas da heresia continuavam fazendo novas vítimas, agora, como norma da Igreja.


Essa prática chegou a tal ponto, que bastava um pequeno deslize (por exemplo, fazer um chá de uma erva desconhecida pela maioria e dada a um doente) ou uma conduta incompreendida (como dar de comer ou recolher um gato preto ou tê-los como animais de estimação) para que homens e mulheres fossem denunciados hereges por familiares, vizinhos ou pessoas amigas. 

sexta-feira, 27 de abril de 2018

OS REFLEXOS DA MISOGINIA

Após a Igreja ter espalhado o falso documento religioso sobre como as mulheres deviam ser vistas, a população masculina ficou muito satisfeita. O sentimento de serem “seres perfeitos”, obras-primas da natureza criada por Deus, subiu à cabeça da população masculina da época.  E o que antes já não era bom para as mulheres, ficou ainda pior.

Os governos machistas criaram uma nova lei de conduta: o CORPUS JURIS CIVILIS ou CÓDIGO JUSTINIANO I. Essa lei modificou toda a estrutura social da Idade Média. E, logicamente, as mais afetadas por essa lei foram as mulheres, pois restringia a liberdade feminina ainda mais, fazendo com que as mulheres perdessem novamente seu espaço na sociedade. Em contrapartida, aumentava os direitos dos homens. Na verdade, essa lei foi uma volta ao tempo dos romanos que viam as mulheres como um “nada”, e que serviam apenas para cuidar da casa e satisfazer os desejos sexuais dos maridos.

 Essa lei trouxe várias consequências:

1- NO AMBIENTE FAMILIAR

Embora todas as mulheres fossem atingidas ela misoginia, havia diferenças no comportamento familiar da elite e da plebe.


A elite ainda mantinha certos privilégios. O seleto grupo doméstico fazia questão de marcar a separação entre homens e mulheres. Os encontros entre eles tinham uma única finalidade: a procriação. Haviam outros encontros no ambiente, mas com propósitos diferentes (festejar datas religiosas ou do reino).

Com essa lei, os homens encontravam uma forma de delimitar os espaços de cada um dentro da casa e de refinar a vigilância sobre as mulheres e sobre a sua “pureza”. Enfim, o comportamento feminino dependia essencialmente das mulheres.


O quarto era para elas um lugar de liberdade e de prisão ao mesmo tempo. Prisão porque permaneciam nele por um bom tempo, já que não era permitido o trânsito pelos corredores e outras dependências a elas. De liberdade porque ali podiam fazer o que bem entendessem: trabalhar, estudar, bordar, costurar, ler, escrever, fazer enfeites para suas roupas ou para os cabelos. Cuidavam da higiene pessoal, descansavam, faziam as refeições e oravam. Podiam ter a companhia de outras mulheres ou ficarem sozinhas.

O cuidado pessoal era importante. Os cabelos, considerado como manto natural e um símbolo sexual, requeriam uma atenção a mais porque definiam o grau de “pertencimento” de cada mulher, ou seja, grau de submissão ao pai ou ao marido. Em resumo, os cabelos definiam se as mulheres eram solteiras, casadas ou prostitutas.

 

Os cabelos soltos (por provocarem efeitos eróticos na população masculina) definiam as prostitutas. Os cabelos presos em uma ou várias tranças definiam as solteiras. E presos com tranças e escondidos por uma espécie de touca mostrava quem eram as casadas. Por isso, pentear e escovar os cabelos era uma tarefa reservada e somente podiam ser realizadas em seus aposentos.

Outro item importante eram as peças do vestuário. Os guarda-roupas das moças da elite eram repletos e variados por duas razões: para marcar sua posição social da família a que pertenciam ou para mostrar uma certa rebeldia (como uma libertação). Vestidos muito colados ao corpo, saias longas e amplas, decotes ousados, cintura bem marcada por um cinto ou cordão com fivela ou uma joia, feitos em tecidos luxuosos e caros definiam a origem elitista das moças.

Os passeios aos jardins das residências ou palácios para o “banho de sol” tinham horários marcados (de manhã ou no entardecer) para que o caminho percorrido por elas estivesse vazio.
As plebeias continuavam convivendo normalmente com suas famílias, seja ajudando nos afazeres da casa ou trabalhando fora de casa. Seu vestuário era simples e recatado. Mas os cuidados com os cabelos seguiam a elite.

2- NAS ESCOLAS E NOS ESTUDOS

Nos áureos tempos, quando as mulheres estavam assumindo novos papéis na sociedade, as famílias queriam que suas filhas fossem bem instruídas e progredissem na vida. Embora muita gente não aceitasse, as moças ricas ou pobres frequentavam as mesmas salas de aula que os rapazes ou a plebe, todos aprendiam as mesmas coisas: ler, escrever, contar e fazer cálculos básicos. Como as escolas eram particulares, evidentemente, as famílias mais pobres se esforçavam e faziam mais sacrifícios para manter as filhas estudando.


No entanto, por causa do documento manipulado pela Igreja e pelo CORPUS JURIS CIVILIS tudo mudou. Para não dar na vista de pronto, começaram por separar as escolas, ou seja, passando a haver escolas só para rapazes e outras, só para moças. As escolas para rapazes continuavam ensinando normalmente ou incluindo novos cursos.

Porém, grandes mudanças ocorreram nas escolas para as moças. A primeira delas foi a separação entre moças da elite e da plebe. A segunda e mais importante, ocorreu na grade curricular, ou seja, no que as moças aprendiam.


As moças de famílias nobres ou da classe mais abastada aprendiam a leitura e a escrita na língua natal e em latim, hebraico e grego, contagem e cálculos básicos, ensino religioso (onde aprendiam os princípios morais da fé cristã), com a justificativa de que suas responsabilidades sociais assim exigiam. Além disso, também havia a preparação para o casamento onde aprendiam sobre as responsabilidades conjugais, o cuidado com os filhos e a compreensão de suas responsabilidades sociais.

Já as moças da plebe aprendiam a realização das tarefas domésticas, os cuidados com o marido e com os filhos, costura, bordado entre outras habilidades manuais e que poderiam se transformar num ofício caso fosse necessário.

A terceira mudança ocorreu no preço cobrado pelas escolas. As escolas passaram a cobrar mais caro os cursos para as moças da plebe. O intuito era o de fazer com que elas desistissem dos estudos por falta de recursos.
E conseguiram esse intento. Uma grande parte dessas moças voltaram a trabalhar na lavoura, no comércio ou como operárias nas indústrias que começavam a se instalar.

3- NO TRABALHO

A maioria das moças da plebe trabalhava fora de casa. Plantavam nas lavouras. Comerciavam de produtos cultivados em pequenas hortas caseiras e vendidas nas feiras. Ou trabalhavam como operárias nas pequenas indústrias.


Fosse qual fosse o tipo de trabalho que as moças da plebe realizavam, começava muito cedo e não tinham um horário determinado para encerrá-lo. Muitas vezes, após um dia exaustivo de trabalho, meninas, moças e mulheres ainda realizavam as tarefas caseiras.

Mesmo assim, viviam com muitas dificuldades financeiras. Outras, porém, levavam uma vida de miséria extrema.

4- NA VIOLÊNCIA

A prostituição sempre foi era uma forma de marginalizar a mulher. Agora de afirmar e confirmar o que a Igreja pregava com seu falso documento.


Convivendo com vários tipos de pessoas diariamente, as meninas e moças da plebe eram constantemente assediadas sexualmente ou sofriam com estupros dentro ou fora de casa. Mas não se queixar, pois não havia onde ou com quem reclamar.

E quando o faziam, a culpa do ocorrido sempre recaía sobre a vítima devido a “imperfeição” das mulheres. Por causa dessa violência, 50% das meninas e moças entre 15 e 17 anos entravam na prostituição. Outras 35% delas, que conviviam num ambiente familiar de miséria total por não conseguirem um trabalho remunerado e vivendo da caridade pública, buscavam na prostituição uma forma de melhorar de vida. E apenas 15% delas, entravam na prostituição por iniciativa própria, com o objetivo de encontrarem um marido de posses ou para lhes arrancar uma boa quantia de dinheiro. 
continua...

domingo, 22 de abril de 2018

COMO A IGREJA CULPOU AS MULHERES?

A Igreja Medieval não vivia um bom momento. Estava pressionada pelos “banqueiros da época” a pagar as dívidas contraídas; a venda das indulgências não estava dando o lucro que esperavam e os cofres estavam vazios; os fiéis estavam deixando de frequentar a Igreja depois da Reforma proposta por Martinho Lutero que discordava com algumas atitudes impostas pela Igreja. Além disso, a Igreja observava o avanço que as mulheres estavam conquistando. Estas estudavam, saíam-se bem no comércio, estavam conquistando cargos políticos e começavam a expor as próprias opiniões. E isto incomodava por demais os padres e monges e ficaram pensando que em pouco tempo, uma mulher poderia tomar o lugar papal, já que algumas chefiam os conventos.


A Igreja precisava, portanto, encontrar alguma coisa que desviasse a atenção desses problemas e trazer de volta os fiéis para continuar com seu domínio sobre eles. Por outro lado, queria ganhar a simpatia de seus credores novamente e quem sabe, ficar livre das dívidas. Quem sabe se achando um “culpado” as coisas não se resolveriam? Mas quem?

Foi vasculhando os escritos de suas bibliotecas para ver nos dogmas alguma coisa que poderia servir a seus propósitos, encontraram três teorias filosóficas  e com elas, poderiam justificar as atitudes que, por ventura, viessem a tomar.

1ª TEORIA


A primeira teoria foi a de Aristóteles, um filósofo grego que viveu na Idade Antiga. Nessa época, os conhecimentos estavam apenas começando. Tudo era baseado na observação, portanto, nada tinha de científico. E quem fazia isso era chamado de “filósofo”. Sua função era observar, analisar e tirar conclusões. E assim fez Aristóteles.

Num determinado trecho afirma: “ ... as mulheres (e todas as fêmeas da natureza), são deficientes e falhas, porque precisam dos homens para procriarem. Ao gerarem suas filhas transmitem essa deficiência a elas e quando geram seus filhos, isto não acontece. E justifica: “...essa deficiência pode ser causada por uma indisposição, uma transmutação ou pelos ventos austrais por serem muito úmidos”. (S.Th.I, q. 92, a. 1, ad 1).

Em outro trecho mais abaixo, ele conclui: “a primeira mulher (Eva) teria sido criada da costela de Adão. E ainda bem que tinha sido assim porque se um pedaço fosse tirado da cabeça, a mulher dominaria o homem. Se um pedaço fosse tirado do pé, seria sempre submissa a ele e poderia ser desprezada por ele. No entanto, como a costela está perto do coração, poderiam viver e conviver lado a lado e em condições iguais”. (S.Th. I, q. 92, a. 3, co).

2ª TEORIA

Santo Agostinho, que viveu de 354 a 430 d.C, época da Baixa Idade Média, na Argélia. Filho único de uma família muito pobre, tinha sonhos e desejos de grandeza. Gostava do que era caro, da luxuria e da riqueza, tanto que se casou com uma mulher rica e teve um filho com ela. Teve muitas mulheres na juventude e uma amante fixa durante o casamento. Mas não era feliz com nenhuma delas. Um certo dia, largou tudo e entrou para um mosteiro onde foi monge. Progrediu lá dentro e tornou-se Bispo de Hipona (cidade onde nascera).

Na época que Santo Agostinho viveu, ainda não havia as Ciências. Tudo era baseado na observação ou na experiência de vida do autor. E assim foi com este Santo que resolveu deixar por escrito sua história e suas experiências da juventude. E assim, ele escreveu a primeira autobiografia do mundo.

Agostinho (de Hipona) falava que o desejo de ter muitas mulheres e conseguir riquezas era uma desobediência às leis de Deus e da Igreja. E essa desobediência o afastara de Deus. E compara essa desobediência com a desobediência de Eva no paraíso, quando pega a maçã e come. Depois, insiste e dá para Adão. Deus, que os avisara sobre o fruto proibido, fica muito bravo e os expulsa do Paraíso. E surge o “pecado original”. Com essa comparação, Santo Agostinho queria mostrar que todos somos imperfeitos diante de Deus, cegos pela sexualidade e diante das riquezas.

Santo Agostinho critica Deus por permitir o “livre-arbítrio”. Para ele, todos cometemos atos bons e maus. E que Deus sabe e permite que os homens cometam esses atos e critica ainda mais afirmando: Se Deus sabe de tudo isso e permite que as pessoas se afastassem “Dele”, porque deu o Livre arbítrio, então?

3ª TEORIA


Esta teoria é a de São Tomás de Aquino, que viveu de 1225 a 1274, meados da Baixa Idade Média, na Itália. Foi monge, filósofo e escritor. Em seus escritos, citou os pensamentos de Aristóteles e de Santo Agostinho não porque concordasse com eles, mas para refutá-los.

Para Tomás de Aquino, “as mulheres eram frutos da sabedoria de Deus, assim como eram os homens e, por isso, o mundo não fora criado apenas para os homens, mas para as mulheres também”.

OS PADRES E AS TEORIAS

Além de machista, a Igreja Medieval também era manipuladora. Principalmente, quando tratava dos seus interesses. Os chefes da Igreja pegaram as partes que mais lhes interessava de cada teoria e ignoraram as justificativas e conclusões dos autores.

De Aristóteles pegaram a parte em que ele afirma que as mulheres são deficientes e imperfeitas, que passavam essa imperfeição quando geravam meninas, que elas dependiam dos homens”, e generalizando incluíram um “para tudo”. De Santo Agostinho ficaram com a parte de que “as mulheres “enfeitiçavam” os homens usando a sexualidade”, que eram más e perigosas porque transmitiam o pecado original a todos (filhos e filhas).

Com relação a teoria de São Tomás de Aquino, por ser mais recente, foi distorcida. Os padres afirmaram que “os frutos da sabedoria de Deus eram os homens”. E pegaram o texto da 1ª teoria, escrito para que ele pudesse analisar e contradizer e insinuaram que São Tomás concordava com o autor.

Fizeram um documento apoiados nessas distorções e espalharam por todas as pessoas de todas as regiões, como se fossem verdades absolutas, ou seja, como princípios da religião.

A “forma torta” das teorias divulgadas pela Igreja causaram um grande impacto na população gerando a misoginia, ou seja, um ódio mórbido, patológico e cruel contra as mulheres.

As mulheres daquela época sofreram muito com esse ódio. Eram desprezadas, ignoradas em suas necessidades e culpadas por tudo o que acontecia.

sábado, 7 de abril de 2018

O QUE A IGREJA MEDIEVAL TINHA A VER COM AS MULHERES?

Na Idade Média, a vida não era fácil. A expectativa de vida era muito baixa, o que significava que morriam muito cedo. Por isso, as mulheres casavam-se muito jovens, ainda na adolescência. No entanto, seus maridos tinham duas ou três dezenas de anos a mais que elas. Assim, saíam da tutela dos pais para entrarem na tutela dos maridos.

O casamento era uma forma de controle e domínio masculino sobre as jovens. A função do marido era o de chefe da família e de provedor. Gozavam de total liberdade, incluindo o poder de vigiar e controlar a vida das mulheres sob sua tutela e tomar as decisões que bem entendessem sobre suas vidas.

Após o casamento, as mulheres tornavam-se responsáveis pela manutenção do lar, do cuidado com os filhos, manter a fidelidade ao marido e ao sacramento dado pela Igreja, ou seja, cabia a elas a manutenção do casamento. Além das atividades domésticas, cabia a elas ajudarem nos negócios dos maridos. Somente quando os maridos estivessem ausentes ou fossem falecidos, elas podiam tomar decisões e chefiar a casa e os negócios. Mas não podiam votar, participar da política local ou tomar decisões por conta própria.

Se falecessem antes dos maridos, seus bens pessoais eram devolvidos aos os pais. Porém, se chegassem a idade adulta ainda solteiras, perdiam os direitos legais aos bens da família (herança, por exemplo).

Como se pode perceber, as mulheres da Idade Média tinham pouquíssimos direitos. No fundo, gozavam de uma “pseudo liberdade”, desde que fossem submissas aos pais ou aos maridos. Por isso, sentiam a necessidade de serem mais valorizadas e respeitadas.

No final da Alta Idade Média, o mundo vivia uma série de transformações devido a intensificação do comércio com o Oriente.  Os homens partiam para longas e duradouras viagens para comerciar no Oriente. E como a vida local não podia parar, as mulheres passaram a tomar conta e a tomar decisões sobre eles. Muitas mulheres tiveram que aprender o ofício dos pais ou dos maridos para tocarem os negócios da família. E ao fazerem isso, profissionalizaram-se.

Era possível encontrar mulheres que eram comerciantes, hábeis tecelãs, enfermeiras, tintureiras, copistas, encadernadoras. Outras que participavam ativamente da política local e algumas mulheres da nobreza se tornaram rainhas poderosíssimas. Algumas, até aprenderam a ler e a escrever (coisa que era uma atividade exclusivamente masculina) e se tornaram professoras, médicas e abadessas. E tudo isto sem esquecerem as tarefas domésticas e os deveres maternos. E todas já encontravam um momento em que podiam expressar seus pensamentos e sentimentos.


Mas a Igreja, que sempre foi muito machista, começou a perder seu prestígio e percebeu que as mulheres estavam ganhando muito espaço. Por isso, tentou coibir a iniciativa feminina para manter novamente o controle sobre elas. E como não estavam conseguindo, resolveram culpar “as mulheres”.