OBJETIVO DO BLOG

Este blog tem por objetivo orientar os pais que possuem filhos entrando ou vivenciando a adolescência. De orientar também os professores que lidam com eles diariamente,para que possam compreender suas dificuldades e ajudá-los ainda mais, pois, esta é uma fase complicada na vida dos jovens e, muitos pais e professores não sabem como agir diante de certas atitudes desses jovens. Pais e professores encontrarão aqui informações de médicos, psicólogos e teóricos sobre a educação dos adolescentes.

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

OUSADIA FEMININA NO SÉC XVIII

Numa época e numa sociedade em que ainda se via a mulher como dependente de um homem (pai ou marido), permanecer solteira era cair em “desgraça”. Tanto que, aos 30 anos, as mulheres eram consideradas “velhas solteironas”.

Se por opção permanecessem solteiras, ou por infortúnio perdiam os pais, tinham que viver com um irmão, se o tivesse. Nessa circunstância, eram consideradas hóspedes indesejáveis e permanentes.

Se não tivessem irmãos, precisavam sobreviver e se manter dignamente, os problemas começavam a aparecer. Sozinhas, procuravam uma ocupação como governantas na casa de alguma família mais abastada ou importante. Mas eram desprezadas e seus salários, irrisórios. Fora isso, ir para um convento, pois nenhuma outra profissão admitia mulheres.
Algumas foram tão ousadas que inspiraram e continuaram inspirando outras mulheres pelo mundo afora. Uma delas foi TEREZA MARGARIDA DA SILVA E ORTA CONCEIÇÃO FLORES, que viveu de 1711 a 1793, nascida na Província de São Paulo de Piratininga, no Brasil Colonial. Era filha de José Ramos da Silva e de Catarina Orta. O pai (Cavaleiro da Ordem de Cristo e de Provedor da Casa da Moeda de Lisboa) e a esposa vieram para o Brasil com a comitiva de S. João VI. E Tereza Margarida nasce em São Paulo, três anos depois da chegada dos pais ao Brasil.

José e Catarina tiveram três filhos. Tereza, Mathias Ayres e uma irmã (cujo nome não é citado). Tereza e a irmã estudaram no Convento das Trinas e queriam ingressar na vida religiosa. Treze anos depois, a Família Real decide voltar para Lisboa e a família de Teresa vai também. 

Em Lisboa, já mocinha, casa-se com Pedro Jansen Moller van Praet e com ele tem 12 filhos. Por falar fluentemente o francês e o italiano, além do português, foi dama da corte de D. João V e de D. José. Aos 42 anos, após a morte do marido, Teresa Margarida é acusada de insubordinação pelo Marques de Pombal, que manda prendê-la por 7 anos, no Mosteiro de Ferreira de Avis.

Durante o tempo que ficou presa, Teresa escreveu poemas, onde colocava toda a sua amargura pela perda de sua liberdade. Mais tarde, escreveu a “Novena do Patriarca São Bento” e “Cartas dedicadas à Abadessa D. Anna Josefa de Castel-Branco”, onde pede à Virgem Maria que a livre da prisão.

Depois de cumprir a pena, Teresa vai morar na casa do Monsenhor e Inquisidor Joaquim Jansen Moller, seu cunhado. Lá escreve seus primeiros livros publicados: “Máximas da Virtude e Formosura de Diófanes” (1752), “Aventuras de Diófanes I” (1777) e“Aventuras de Diófanes II” (1790) ambos como uma releitura da obra de Alexandre de Gusmão. Por fim, “História de Diáfones, Cryminea e Hemirena – príncipes de Tebas” publicado (1818), ou seja, depois de sua morte em 1793. Mas nunca pode ver seu nome verdadeiro em seus livros. Ela usava o pseudônimo: Dorotéia Engrassia Tavareda Dalmira.


O livro “Obras Póstumas”, conta com seus poemas, cartas e apelos à Nossa Senhora, “Novena de São Bento, textos de Rodrigo de Sá e de Barbosa Machado (seus principais críticos) e de Ernesto Ennes, Tristão de Athayde e Rui Bloem (seus escritores preferidos e de quem era amiga). O interessante é que essa obra publicada em 1993, com o verdadeiro nome aparece como autora, exatamente quando se completou 200 anos de sua morte. Com essa obra, foi aclamada “a primeira romancista de Língua Portuguesa” da história da humanidade. 


Outra mulher ousada foi AMANDINE AURORE LUCILE DUPIN, baronesa de Dudavant, que viveu de 1804 a 1876, foi considerada a maior romancista e memorialista francesa. Porém, para que pudesse vender seus livros teve que usar um pseudônimo masculino: George Sand.

terça-feira, 4 de setembro de 2018

UM MUNDO DE CERTIFICAÇÕES LEGAIS



Embora as Igrejas apregoassem a igualdade entre homens e mulheres no início da nova era, na realidade as coisas continuavam com estavam. Os códigos civis privilegiavam mais os homens do que as mulheres, as sociedades viviam o patriarcado (e viveriam assim por mais alguns séculos) e se nos códigos civis houvesse alguma cláusula que ajudasse as mulheres, normalmente, eram esquecidas. 

RESPONSABIIDADES NO CASAMENTO – estava baseada no princípio de consenso, cabendo ao homem o provimento financeiro da família. Para a mulher: cuidar da casa, do marido e dos filhos, ajudar o marido em tudo o que fosse possível além das obrigações conjugais. Ao dar o “sim” diante do altar, as mulheres assumiam a responsabilidade do que adviesse do casamento. Embora não houvesse lei que regulamentasse a questão dos maus tratos, as mulheres continuavam sendo as vítimas deles. 

A Igreja Protestante foi contra a questão do consenso e pediu explicações claros sobre o significado desse termo. A resposta foi “consenso seria o prazer de marido e mulher estarem juntos”. Daí incluírem nos casamentos a célebre frase que os noivos esperam para jurar que ficarão juntos “...nas alegrias e nas tristezas”... Em outras palavras, significa que nós, mulheres, teríamos que aguentar as dores que aparecessem no casamento, porque também tínhamos prazeres com ele. 

2- COOPERAÇÃO MÚTUA – As famílias se comprometiam a ser cooperadoras no custeio do casamento, da festa, na conservação e ampliação dos bens e na ajuda financeira dos rituais religiosos. 

3- UMA QUESTÃO DE IDADE – as mulheres podiam “escolher” seus maridos. Porém, entre os que fossem apresentados pelos pais e de acordo com seus negócios. Caso a moça casadoura fosse menor de idade (menos que 17 ou 18 anos) devia obediência ao pais e aceitar o marido que ele escolhesse. A justificativa para isso era a da salvaguarda dos bens e dos interesses familiares. 

Com o passar do tempo, as Igrejas foram se tornando cada vez mais burocráticas e misóginas. E para tudo precisava de certificados, atestados e testemunhas. E para que o casamento acontecesse era preciso agir de acordo com as ordens do clero. 

Lembram-se do “tempo de espera” entre o baile e a assinatura do contrato nupcial? Então, assim que a moça encontrasse um pretendente, a família da noiva devia informar a Igreja do futuro casamento. E, esse “tempo” era usado para que o rapaz e a moça preparassem uma série de certificações (documentos) necessárias. 

Se o noivo e noiva fossem nascidos e criados numa única freguesia (ou paróquia), não haviam tantos problemas porque os certificados de batismo eram providenciados pela própria Igreja. Restavam apenas os de filiação, providenciados pelas duas famílias. Porém, se.... 

1- MOÇA DE UM LUGAR E O RAPAZ DE OUTRO - Suponha que o rapaz Se fosse o rapaz a casar na “cidade dela” (digamos assim, para melhor entendimento), bastava pagar o custo de um ritual de casamento em sua cidade. Depois, ele passava pela inquisição e pronto. 

Mas se ele quisesse realizar o casamento religioso na “cidade dele”, a moça deveria apresentar para o clero da “cidade dela e também enviar para a cidade dele” os seguintes documentos: 

· certificado de idade, naturalidade e de filiação (fornecidos pela família); 

· certificado de batismo (feito pelo pároco do local de seu batismo) e, se algum deles não fosse batizado (protestante ou de outra seita qualquer), tinha que ser convertido e batizado antes de casar; 

· o noivo e a noiva deviam passar por uma Inquisição (uma espécie de catecismo) para corrigirem ou adquirirem os princípios da Igreja católica; 

· atestado da freguesia (região) onde moravam e frequentavam (fornecido de próprio punho pelos pais ou pelo padre do local). 

· depois de entregues os documentos, as duas dioceses iriam analisar os documentos (e sempre achavam um errinho aqui e outro ali) e os noivos tinham que refazer tudo novamente. 

Se estivesse tudo certo, as duas dioceses iriam se encontrar e decidir a validade ou não do casamento ser em uma cidade ou na outra. Nessa discussão, o preço da cerimônia entrava em questão, pois cada uma por sua vez, queria o dinheiro para si. Depois de muito debaterem, chegavam a conclusão de que podiam dividir o dinheiro. Então o casamento era realizado. 


2- CASAMENTO DE 2ªs NÚPCIAS - 

SE A MILHER TIVESSE MORRIDO - bastava o marido levar duas testemunhas que conhecessem a mulher morta e que tinham estado e visto seu enterro e pronto. 

Porém, se o morto fosse o marido, as coisas pioravam pelas dificuldades que elas enfrentavam. Vejamos: 

1- SE A MORTE FOSSE NO LOCAL ONDE VIVIAM - a) não bastava mostrar o túmulo, precisavam apresentar testemunhas que o conhecessem e que estiveram no momento do enterro para comprovar a veracidade; b) a Igreja fazia penosas e longas investigações nas sepulturas, para ter a certeza da morte do marido; c) conseguir a certidão do casamento (muitas vezes, difícil, por ter que viajar para o local (cidade ou pais) onde se casaram); e todos os outros documentos descritos anteriormente. 

2- SE O MARIDO MORRESSE FORA DA REGIÃO ONDE VIVIAM – Se ele fosse um mercador, soldado, marinheiro era muito difícil conseguir testemunhas de sua morte. Como provar sua morte então? Levava muitos anos e até que ele fosse dado como morto pelas autoridades eclesiásticas, só então o casamento poderia ser realizado. Além dessa declaração, todos os demais documentos teriam que ser entregues. 

3- SE O CASAMENTO FOSSE REALIZADO ÀS ESCONDIDAS – Se o casamento fosse realizado em alguma seita ou em capelas (da Companhia de Jesus, por exemplo) não tinham direito a receber uma certidão. Nesse caso, os casamentos eram considerados nulos.

4- SE O CASAMENTO ENVOLVESSE PARENTES e se esses parentes fossem até a 7ª geração, o casamento era considerado nulo pelas duas Igrejas. Porém, se o parentesco fosse de 8ª ou mais gerações, era considerado válido.

5- CASAMENTOS SEM BANHO -  O batismo era chamado de “banho”. Dessa forma, se o noivo ou a noiva não tivessem sido batizados, precisavam batizar-se primeiro, para depois se casarem. Caso contrário, o casamento seria considerado sem valor. Ou, se um dos noivos estivesse hospitalizado com uma doença grave e que o levasse ao óbito, se estivesse preso por qualquer crime, o “banho” ou batismo era dispensado e o casamento era realizado.

O custo de toda esta burocracia ficava a cargo da noiva e de sua família. E a maioria das famílias pobres não tinha como pagá-los. E tudo ficava por isso mesmo. Algumas, presas aos maridos brutais para sempre e outras, vivendo na miséria por não conseguir reaver o dote do casamento.


Já para os homens, tudo era mais simples. Bastava provar (muitas vezes, forjando provas) a infidelidade da esposa para obter a anulação ou usar o “dote” com bem entendesse.

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

A MULHER E O CASAMENTO no século XVIII



Tudo parece muito romântico, como nos contos de fada, não concordam? Mas, observando um pouco mais de perto, vemos que as coisas não eram tão românticas assim. 

Relembremos alguns fatos: a princípio, na Idade Média, os casamentos eram realizados pelos os chefes de governo das aldeias (o ancião mais velho, um príncipe ou rei). Com o advento da Igreja, ela passou a cuidar disso. Aprovava ou desaprovava o casamento, segundo os interesses dos amigos ou aliados, justificando ser ou não benéfico para a localidade. Os padres davam a bênção aos noivos numa cerimônia ou ritual. Por longo tempo, os casamentos eram realizados apenas pela Igreja Católica. 


Os casais que passavam a viverem juntos, os concubinatos, os casamentos de pessoas do mesmo sexo e os chamados “casamentos civis” realizados pelos chefes da aldeia, não eram reconhecidos como “casados”. Para a Igreja não tinham nenhum valor e considerava como “pecado grave”.



Com a reforma de 1517, apregoada por Martinho Lutero que estava descontente com 95 dogmas propostos pela Igreja Católica como “verdades divinas”, surge uma nova Igreja: a Protestante. Lutero e seus adeptos valorizavam e indicavam os casamentos civis. Mas, não havia nenhum documento escrito ou registro em cartório. O que valia era a palavra do celebrante. 

O resultado foi um confronto entre as duas Igrejas. Para resolver esse impasse, o Papa Paulo III convocou o clero das duas igrejas para participarem do Concílio de Trento, na Itália, realizado entre os anos de 1545 e 1563, afim de estabelecerem critérios comuns para as duas igrejas. Nesse Concílio, após muitas discussões, chegam a algumas conclusões. Entre elas, a dos casamentos, que passou a ser um dos sacramentos.


Nesse Concílio, que durou anos e discussões intermináveis, os casamentos civis passaram a ser reconhecidos, registrados por escrito. A cerimônia religiosa se tornou obrigatória, sob a máxima de que “o que Deus une, o homem não separa”. Somente os casamentos de pessoas do mesmo sexo não foi reconhecido por nenhuma das Igrejas. Casamentos deste tipo passou a ser legislado pelos monarcas de cada localidade. Podiam aceitar ou rejeitar, segundo seus princípios religiosos e os do próprio reino.

Apesar do Concílio de Trento ter posto um ponto final nas discordâncias entre as Igrejas, faltava um compromisso jurídico que regulasse os casamentos. E isto só aconteceu no início da Idade Moderna, após a Revolução Francesa.

A França, inspirada em seus ideais de Liberdade, Igualdade e Fraternidade foi o primeiro país a estabelecer um Código Civil, determinando os direitos e deveres de “todos” os seus cidadãos. E este ato foi seguido por outros países. 


O mundo do século XVIII acreditava que as coisas iriam ser diferentes com as mudanças após a Revolução Francesa, principalmente, com relação aos casamentos. Mas, como as sociedades continuavam patriarcais e as mulheres continuavam em desvantagem. Como antigamente, permaneciam dependentes dos pais e seus maridos, que continuavam sendo escolhidos pelos pais, através das negociações entre as famílias envolvidas.

Muitos noivos que eram gentis, carinhosos e preocupados na ocasião da corte e do noivado, depois do casamento mostravam suas garras. Alguns eram mandões, autoritários e cheios de vontades. Outros eram brutos, ignorantes, jogadores, inveterados beberrões, espancadores, esbanjadores infiéis e estupradores ou tudo isso junto. E as mulheres tinham que sofrer caladas, porque segundo a Igreja, o casamento era indissolúvel.

No início da nossa era, a Igreja Católica via o casamento como um “sacrifício”, principalmente para as mulheres. Mas acreditava que a “convivência conjugal” estava baseada nos indivíduos e não nas pessoas. 

Indivíduos e pessoas parecem ser a mesma coisa, mas não são. O indivíduo é um ser amorfo, impessoal, contável como aqueles das estatísticas. Ninguém se preocupa com seus sentimentos, paixões, desejos e necessidades que precisam e lutam para consegui-los. As pessoas, ao contrário, são aquelas que agem, pensam e sentem de acordo com as relações, porque seus desejos, paixões, sentimentos e necessidades se misturam para que possam ser elas mesmas. Portanto, vistas como indivíduos, as mulheres tinham uma única brecha legal e religiosa para se livrarem de um mau casamento: a anulação do compromisso assumido. 


E para isso acontecer, tinham que obedecer a certas regras nada fáceis de seguir: 

1) a esposa (nem sua família) não podia pedir a anulação desse compromisso; 

2) cabia às esposas provar as queixas feitas aos maridos; 

3) conseguir testemunhas oculares (o que era muito difícil, já que tudo acontecia entre quatro paredes e na privacidade do casal). Daí o provérbio popular: “em brigas de marido e mulher, ninguém mete a colher”.

Vamos imaginar que, ao chegarem cheias de hematomas diante do clero regional. Primeiro, elas eram olhadas com desconfiança. Segundo, faziam a ela milhões de perguntas para verem se, em algum momento, caíam em contradição. Posteriormente, os maridos eram chamados para a confirmação ou negação os fatos. Muitas vezes, mesmo diante das esposas reclamantes, muitos mentiam descaradamente, dando aos hematomas uma desculpa qualquer, somente para se esquivarem de uma punição. E como a palavra do homem valia mais que a das mulheres, obviamente, os maridos saiam ilesos de qualquer acusação e o casamento continuava mantido.


Por tudo isso, a grande maioria das mulheres desistia e se resignava com o sofrimento. E as que conseguiam a anulação, eram mau vistas pela sociedade local. 

Já para os homens, tudo era mais simples. Bastava provar a infidelidade da esposa (mesmo que forjando provas ou corrompendo testemunhas), para obterem a anulação ou usarem o “dote” como bem entendessem.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

CASAMENTO NO SÉCULO XVIII (cont)


6ª regra – FAZER A CORTE

Os noivados eram curtos. Duravam de 3 semanas a 3 meses no máximo. Isto porque os noivados longos levantavam suspeitas.

Após a comemoração do noivado, o rapaz tinha a permissão para visitar todos os dias e fazer-lhe a corte. Se fosse rico ou nobre, todas as vezes que a visitasse devia enviar flores brancas (no início do século) para a noiva e para a sogra. A partir de 1870, as rosas passaram a ser do branco ao vermelho vivo, sinal de “amor ardente”.
Fazer a corte exigia o cumprimento de algumas regras: a) não ficar sozinho com a noiva; b) não podiam se tocar (não deviam se beijar, abraçar etc); c) deviam aproveitar o tempo para se conhecerem melhor evitando assuntos que ferissem a moral e os assuntos estritamente masculinos, religiosos ou políticos.

Esperava-se que a noiva fosse uma pessoa recatada, inocente, que não falasse sobre política, religião ou assuntos estritamente femininos; não podia demonstrar ser mais inteligente que o noivo. E, durante o noivado, deveria preparar o enxoval.

7ª regra - O CONTRATO E A CORBELHA

O casamento era um negócio e não importava a classe social. E isto devia ficar muito claro para ambas as famílias.

Entre os burgueses, o casamento envolvia um contrato firmado em cartório. Esse contrato, especificava as obrigações financeiras das partes envolvidas. Poderia prever ainda a comunhão parcial ou total dos bens.

No dia da assinatura desse contrato, o noivo deveria enviar uma corbelha (cesta) feita de palha trançada e forrada de cetim branco à casa da noiva contendo: joias de família, perfume, leques, tecidos finos, xales, estolas, peles, caixa de bombons, bibelôs valiosos, um livro de orações para as missas como presentes para a noiva e um saco de moedas de ouro que ela deveria distribuir como ato de caridade. Com o tempo, as coisas foram mudando e as corbelhas foram substituídas por caixinhas. Logicamente, os presentes diminuíram também.

O dote poderia ser pago no total ou em parcelas, contanto que a última parcela fosse paga no dia em que o contrato fosse firmado em cartório. Para provar que a noiva seria bem aceita na família do rapaz, eles devolviam 5% do total do dote, aos pais da noiva. E no próprio cartório era expedido um certificado de quitação da dívida.

8ª regra - A CERIMÔNIA


Nas famílias tradicionais da nobreza, a cerimônia de casamento era grande e pomposa, com muitos convidados, com a Igreja rica e suntuosamente decorada e a cerimônia era celebrada por um padre ou bispo famoso. A noiva vestia-se de branco, com véu e grinalda feita de flores de laranjeira (símbolo de pureza). Entrava na Igreja acompanhada pelo pai que a levava até o altar. À sua frente as damas de honra (geralmente amigas da noiva) que, às vezes, serviam de madrinhas. No final da missa, o noivo entregava a aliança matrimonial para a noiva. Era costume da época o noivo não usar aliança, o veio a acontecer somente no século XIX.

Na saída da missa, os noivos recebiam os cumprimentos de amigos e parentes. Apenas os mais velhos podiam beijar a noiva na testa, como sinal de consideração. Na saída da Igreja, a chuva de arroz era uma prática inglesa, desejando aos noivos uma vida de fartura e prosperidade.

A maior parte destas cerimônias aconteciam de manhã, antes ou perto do meio-dia. Geralmente, a recepção era um almoço na casa dos pais da noiva. Os noivos sentavam-se a mesa, onde eram servidos. Os convidados ficavam em pé, a menos que houvesse espaço suficiente para todos a mesa. O bolo branco e o brinde de “champanhe” eram obrigatórios e aconteciam após o almoço.


Os bailes de casamento só eram comuns entre os ricos e aconteciam à noite. A noiva devia permanecer vestida de noiva o dia todo, inclusive no baile (se houvesse). E os custos de tudo isto era da família da noiva.

O casamento dos burgueses era apenas no civil. Eram cerimônias mais simples, discretas e com poucos convidados. Quem podia fazia um almoço mais simples ou um café. Mas bolo e vinho não podiam faltar. E o custo de tudo também eram dos pais da noiva.

Nos centros urbanos as comemorações dos casamentos tinham a duração de um dia ou uma noite para a recepção e baile. Já os casamentos rurais tinham a duração de 2 ou 3 dias, preservando os antigos costumes. A recepção era um almoço onde a carne de um animal era assada numa espécie de fogueira. Danças e outros folguedos aconteciam durante o dia e os poucos convidados se divertiam a valer.
Para qualquer um dos grupos, o beijo em público era desaconselhado, por ser considerado atitude indecorosa.

Após todas as comemorações do casamento, os noivos iam para a casa da família do noivo ou da noiva, conforme combinado no contrato.

A Lua de Mel, como conhecemos hoje, não existia. Ela só começou a partir de 1830, como uma forma do casal ter mais de intimidade e para ficarem longe das famílias e dos compromissos sociais.

No início, só os casais mais abastados viajavam pela Europa em Lua de Mel. Depois, quando os menos abastados passaram a aderir, os ricos casais passaram a preferir os hotéis mais elegantes de Paris.


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

O CASAMENTO NOS SÉCULOS XIX (NOSSA ERA)


No século XIX, desde muito cedo, as mulheres deviam entender que seu destino era o casamento. E para isso, dependiam da boa aparência, do seu charme e de um bom penteado. Quanto a aparência, as mulheres não aprontavam para agradar a si mesmas (como fazemos hoje), mas para agradar ao gosto masculino e por isso mesmo, devia ser adequada. Ser esposa e mãe naquela época, era a glória. Mas para chegarem ao casamento algumas regras deviam ser cumpridas.


1ª regra – O DOTE


A regra principal era o dote. A família da moça deveria ter uma certa quantia em dinheiro, terras, renda ou título de nobreza que seriam dados ao marido como herança que deixariam aos filhos que viessem ter.

Mesmo que a moça cometesse algum tido de deslize moral, mas que não fosse muito escandaloso, tudo ficava resolvido com um bom dote. Naquela época, os casamentos eram um negócio e não aconteciam por amor. Uma simpatia, até existia, mas amor e paixão, isso não havia. As moças se casavam cedo, entre os 17 e 20 anos. Mas a idade poderia ser antecipada ou adiada de acordo com a situação financeira de cada família.

Os rapazes candidatos a maridos podiam ser pobres, ricos ou nobres de qualquer idade. Muitos rapazes de 25 a 30 anos entravam nesse negócio porque queriam custear ou completar seus estudos.




2ª regra – APRESENTAÇÃO FORMAL À SOCIEDADE

As moças casadouras (ricas ou da nobreza) deviam ser apresentadas formalmente à sociedade. Para a ocasião, era realizado um “baile de debutantes”, onde várias moças eram apresentadas ao mesmo tempo, aos nobres da Corte. Ficavam conhecidas e podiam frequentar todos os eventos aristocráticos que desejassem.
Na burguesia, os bailes serviam para que as famílias das moças avaliassem os futuros pretendentes e cuidar de suas filhas.

Na França havia os chamados “bailes brancos”. Nesses bailes, todas as mulheres (moças e suas acompanhantes (normalmente as mães), se vestiam de branco da cabeça aos pés. Os rapazes também levavam suas mães (também vestidas de branco) para avaliarem as moças, o dote e firmarem ou não o compromisso ao final do baile.


3ª regra – TEMPO DE ESPERA

Depois de apresentadas à aristocracia (ou a sociedade em caso de não serem nobres) e aceito o dote, havia um tempo de espera antes da confirmação do noivado e do seu anúncio. Durante esse tempo, o futuro casal podia ir aos mesmos locais, frequentar as mesmas festas e podiam dançar e conversar rapidamente durante a dança (único momento em que ficavam mais próximos). Os olhares eram permitidos, desde que a moça disfarçasse um pouco. Mas a conversa fora da dança, só era possível se a moça estivesse acompanhada por um dos pais.

Os rapazes podiam enviar bilhetes ou mensagens ás moças pedindo que ela lhe reservasse uma ou mais danças, porém somente se fossem conhecidos ou parentes. Mas isso não significava um pedido formal de namoro.

Alguns pretendentes eram rejeitados logo de cara: os pobres, os endividados e os que possuíssem uma situação financeira abaixo das que as famílias das moças possuíam. Isto porque, as famílias das moças não queriam ver suas fortunas caindo em mãos de alguém que acabaria com ela num instante, ou de quem não soubesse fazê-la crescer.



4ª regra – ANÚNCIO DO COMPROMISSO

O tempo de espera variava de um país para outro. Na Inglaterra, por exemplo, esse tempo era de 1 ano. Já na França, eram de 3 anos. Porém, se após esse prazo o anúncio de noivado não fosse anunciado, começavam rumores ou fofocas (de boca a boca ou pelas costas) sobre a situação financeira de sua família ou sobre a honra da moça. Quando isso acontecia, as moças perdiam a chance de contraírem um bom casamento. Durante esse tempo, os pais dos rapazes e moças se conheciam melhor e avaliavam a rentabilidade da situação das famílias.

Mas nem todos os casamentos tinham toda essa burocracia. Os pobres, por exemplo, bastava que o pretendente tivesse um ofício e fosse trabalhador. O noivado e o casamento eram rápidos.

Era raro, mas aconteciam, os casamentos por amor. Não o “amor romântico dos filmes e novelas”, mas o amor puro e devotado, cujos pais percebiam os sentimentos de um pelo outro e passavam a respeitar esse sentimento. Esse amor foi se espalhando pela Europa ao longo do tempo.




5ª regra – O ACERTO DOS DETALHES

Como os rapazes não podiam fazer o pedido de casamento diretamente para as moças por causa dos costumes da época, o pedido era feito por seus pais. Da mesma forma, a iniciativa nunca podia ser da moça ou de sua família. Eram as famílias que acertavam todos os detalhes. E neste caso, os “detalhes” eram minuciosamente observados. Por exemplo: as moças não deviam saber os custos do casamento, nem o valor do seu dote. Caso contrário, o casamento não acontecia por falta de discrição da família.

Se o casamento fosse aceito, o casal ficava na casa do “noivo”. E o noivado era comemorado com um jantar oferecido pela família da noiva à família do noivo, onde o rapaz oferecia uma joia (anel, um cordão ou um medalhão) para a moça que retribuía com uma foto ou uma mecha do seu cabelo.

continua na próxima postagem

sábado, 21 de julho de 2018

A EDUCAÇÃO FEMININA DO SÉCULO XIX



A educação dos filhos ficava sob a responsabilidade de pai e mãe. Acreditavam que a educação formal era o melhor para os filhos e investiam para que frequentassem escolas públicas e universidades de qualidade. Acreditavam que agindo assim, ter um bom emprego e um bom salário não teriam problemas ao constituírem família.

Para as mulheres o estudo era opcional e, quando ocorria, tinha o objetivo melhorar as chances de um bom casamento.


Já as moças das classes mais baixas, aprendiam desde cedo que o trabalho duro, fosse qual fosse, era o mais importante. E aprendiam com suas mães as atividades domésticas, bordar, costurar, plantar verduras, legumes e hortaliças pois tudo seria muito útil para elas. E, quando era possível, aprendiam uma profissão. Achavam que para cuidar da casa e dos filhos não precisavam de estudos.

No entanto, alguns pais colocavam suas filhas na escola com a esperança de que conseguissem um bom emprego. Mas, as escolas não eram tão boas quanto a dos rapazes. Os professores tinham pouca formação, eram impacientes e pouco educados com as moças. Muitas desistiam antes de terminarem o curso. Mas as que continuavam, não conseguiam um bom emprego, porque os empregos públicos. que garantiriam um bom salário, não aceitavam moças como candidatas a uma vaga e nem para fazerem as provas.


Então, a escola de moças das classes média e inferior, resumia-se ao ambiente doméstico e de ensinar apenas atividades que não tivessem remuneração, como costurar, bordar e desenvolver habilidades artísticas (como tocar algum instrumento porque que era útil porque poderiam precisar em algum momento.


As moças mais abastadas e as da nobreza frequentavam escolas religiosas onde freiras ou jovens senhoras católicas eram as professoras. Nessas escolas, a linha educativa era a mesma de suas avós. Sentavam-se em carteiras enfileiradas, aprendiam com a leitura feitas nos livros e as lições eram corrigidas, mas os erros não eram comentados, porque as professoras seguiam as respostas que constavam nas últimas páginas do livro.

A instrução religiosa era prioridade e ocupava longos períodos das aulas.Um determinado dia da semana era devotado ao estudo do comportamento. E segundo as professoras, os modos de uma dama era superior ao dinheiro, à beleza e ao ensino. No aprendizado do comportamento aprendia a abrir e fechar portas, entrar e sair de um cômodo, trazer e entregar uma carta, entregar uma mensagem ou um presente numa bandeja, pedir permissão para levantar-se quando à mesa ou ausentar-se de um recinto e assim por diante. O essencial era aprender como se comportar nas mais variadas situações e de como se vestirem apropriadamente para cada ocasião. 

Aprendiam ainda o básico da leitura e escrita na língua pátria, um pouco de francês... e bastava. Mas não haviam lições orais, nem demonstrações de qualquer tipo, análises ou resoluções de problemas matemáticos ou práticos. Como não teriam necessidade de fazer tarefas caseiras e aprendê-las não era necessário. Apenas deviam aprender a contratar uma boa governanta.


FONTE DE IMAGENS - GOOGLES 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

A MULHER NA IDADE CONTEMPORÂNEA


Estamos em 1798, ano em que acontece a Revolução Francesa e que foi um divisor de águas na história e na vida das mulheres. E não é a toa que nesta imagem aparece uma mulher empunhando a bandeira francesa.



A sociedade francesa derrubou uma monarquia absolutista e rompeu com costumes seculares que sujeitavam os camponeses ao feudalismo. Com isso, surge uma nova classe social: a burguesia. E é esta nova classe da sociedade que comanda o século XIX.



Durante a Revolução Francesa, a participação das mulheres que representavam os diversos grupos, foi intensa e constante por acreditarem que a luta só iria beneficiar suas famílias.
A crença de que as mulheres eram frágeis, maternais e passivas diante aos fatos cai por terra. Ao contrário, mostram-se combativas, atuantes, com ações e ideias que ajudaram (e muito) os revolucionários a atingirem seus objetivos. E juntas com os homens eliminaram uma sociedade engessada e consolidaram um novo modelo social e político: o capitalismo.

Pela primeira vez, as mulheres se fizeram ouvir. Umas poucas, por meio das palavras e da pena, escreviam os panfletos e os cartazes que eram distribuídos ao público ou afixados nas paredes dos estabelecimentos comerciais. Muitas outras, semianalfabetas, mas que se interessavam pela política, iam a reuniões populares, fundaram clubes femininos para discutirem estes e outros assuntos de interesse para as mulheres. Uma grande maioria, formada por mulheres anônimas, com as operárias, lavadeiras, fiadeiras, lojistas, feirantes... que reagiam contra a miséria e a fome. Essas mulheres participavam com seus gritos, que ecoavam pelas nas ruas, nas reuniões populares e nas tribunas do Legislativo.


E quantas, não usaram sua antiga condição de “nada” que passavam despercebidas, agindo como sombras, que ouviam as conversas nas ruas, nas Assembleias dos Deputados ou na própria corte. Depois, as reportavam aos revolucionários e à população. Todas participavam do jeito que sabiam e que podiam, mas ao final, fizeram a diferença.


Quem já ouviu falar de Olympe de Gouges (1748 – 1793),Theroigne Mericourt (1762 – 1817) e Etta Palm d’Aelders (1743 – 1799)? Olympe não sabia ler e escrever, mas foi uma feminista que atuou nas Assembleias, nos salões literários, nas manifestações de ruas e reivindicava a participação de todas as mulheres na luta. As outras duas, defendiam os direitos políticos das mulheres, o divórcio e a educação feminina em seus discursos. Quem, por acaso, ouviu falar Marie Henriette Xaintrailles, que escreveu uma carta ao Imperador Napoleão Bonaparte, (1768 – 1821) onde dizia que “ela não havia lutado como mulher, mas que lutara como um bravo”.  
         

Olympe de Gouges                                                  
Theroigne Mericourt

No século XVI, apesar de terem se tornado “visíveis” e reconhecidamente consideradas “importantes” antes e durante a Revolução Francesa, as mulheres viveram um período estranho, de muitos contrassensos.
Quando Napoleão subiu ao trono, os franceses acreditavam em grandes mudanças iriam acontecer. Mas nada aconteceu. Napoleão, como Imperador da França continuava como os monarcas que o antecederam. Os franceses vislumbraram um futuro de grandes mudanças e que não ocorreriam. E, então, veio a decepção. E tudo parecia ter voltado à estaca zero: a falta de dinheiro e a vida miserável continuavam presentes.

As mulheres viviam um período estranho. Elas tinham o sonho de realizar muitas coisas.     
Um deles era o de fazer algo útil para a França e para o mundo, mas com pouco dinheiro era quase impossível. E as mulheres em boa situação financeira, só pensavam em casar.